Maha Capital aguarda aval dos EUA para investir em petrolífera venezuelana operada por PDVSA
A Maha Capital aguarda um direcionamento dos Estados Unidos para poder exercer uma opção que lhe permitiria deter uma participação indireta em campos petrolíferos na Venezuela, operados pela estatal local PDVSA, afirmou o presidente do conselho da companhia sueca, Paulo Thiago Mendonça, à Reuters.
A companhia – que tem como principal acionista a gestora brasileira Starboard – adquiriu em 2024 direitos exclusivos para comprar 60% de uma subsidiária espanhola da Novonor, que por sua vez detém fatia de 40% na PetroUrdaneta – uma joint venture venezuelana que opera as concessões de petróleo e gás de La Paz, Mara Oeste, Mara Este e El Moján, na Bacia de Maracaibo. Os demais 60% da PetroUrdaneta pertencem à PDVSA.
Pelo acordo, a Maha pagou 4,6 milhões de euros pela exclusividade e outros valores estão previstos caso exerça a opção, que é válida atualmente até maio de 2026, segundo Mendonça.
O executivo afirmou que a companhia aguarda uma licença dos Estados Unidos para avançar na Venezuela, além de um direcionamento sobre como deverá ocorrer.
A Maha planeja investimentos que permitam chegar a uma produção total de 40 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) com os ativos, segundo o executivo. As concessões já produziram um acumulado de cerca de 1,4 bilhão de barris, ao longo da história, e estima-se que ainda podem ter 400 milhões de barris de óleo recuperável, disse Mendonça.
O executivo afirmou ver perspectivas favoráveis para uma abertura do mercado de petróleo da Venezuela e mencionou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse na semana passada que encaminharia uma proposta de reforma da Lei de Hidrocarbonetos do país, criando condições para novos investimentos.
Apesar da guinada recente da Maha para fintechs — após se desfazer de praticamente todos os seus ativos de óleo e gás no Brasil, incluindo a venda de sua fatia de 4,76% na Brava Energia — além de alienações nos EUA e em Omã, a companhia mantém a opção na Venezuela e aguarda aval dos Estados Unidos para avançar.
Segundo o executivo, o país sul-americano tem se mostrado estável depois da captura do então presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
“Estamos vendo esse movimento muito positivo de reconstrução e estamos seguindo muito os direcionamentos dos Estados Unidos para ver como avançar no projeto”, afirmou Mendonça à Reuters, evitando estimar quando seria possível ter esse direcionamento e um aval dos Estados Unidos para seguir adiante.
“Se esse movimento de abertura (de mercado na Venezuela) se concretiza, vão ser oportunidades de investimento gigantescas (para o setor de petróleo).”
No passado, as concessões da PetroUrdaneta tiveram um pico de produção de 250 mil barris por dia de petróleo (bpd), em meados do século passado, mas chegaram a 2020 produzindo cerca de 1,5 mil bpd, segundo dados da Maha.
Mendonça afirmou que as pequenas e médias petrolíferas são as companhias que tendem a se posicionar melhor na Venezuela em um primeiro momento, enquanto ainda há riscos mais elevados relacionados a geopolítica e infraestrutura.
“Acreditamos muito que são esses pequenos e médios grupos que vão ser os primeiros a entrar, porque têm velocidade, têm apetite a risco”, disse ele, ponderando que os riscos do ponto de vista geológico já são muito baixos e que a Maha tem expertise sobre como recuperar ativos maduros.
A empresa petrolífera brasileira Fluxus, do grupo J&F, também está avaliando oportunidades de negócios na Venezuela, afirmou uma fonte na condição de anonimato.
A Reuters publicou na quarta-feira que o bilionário brasileiro Joesley Batista se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na semana passada, antes e depois de se encontrar em Washington com autoridades norte-americanas, a quem ele disse que Rodríguez parece estar pronta para abrir o setor de petróleo e gás do país para investimentos.