Marcopolo (POMO4): Itaú BBA vê valuation atrativo, mas nota ausência de gatilhos no curto prazo
O Itaú BBA atualizou o modelo para a Marcopolo (POMO4) após a companhia divulgar seus números referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25). A casa prevê um aumento de 5,5% na receita em relação a 2025, refletindo uma expansão tímida nos volumes, combinada com uma composição de vendas mais voltadas para micro-ônibus e unidades urbanas.
Os analistas da casa incorporaram uma margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ligeiramente mais conservadora para 2026, de 17,6%, que inclui R$ 72 milhões em receita de equivalência patrimonial, contra 18% em modelo anterior, refletindo mudanças no mix de vendas.
“Nosso modelo atualizado também inclui melhores resultados financeiros líquidos, o que ajuda a explicar o resultado final ligeiramente melhor, de R$ 1.226 milhões (aumento de 2% em relação ao nosso modelo anterior)”, destaca a equipe liderada por Gabriel Rezende.
A fabricante de carrocerias de ônibus teve lucro líquido de R$ 341,7 milhões no quarto trimestre de 2025, valor 7,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior
Já o resultado operacional medido pelo Ebitda ficou em R$ 426,0 milhões, representando uma queda de 7,7% em relação ao quarto trimestre de 2024.
A receita operacional líquida foi de R$ 2,57 bilhões, 3,6% abaixo do valor do quarto trimestre do ano anterior. De acordo com a empresa, a queda foi causada pelos menores volumes faturados ao mercado interno nos segmentos de rodoviários, micros e Volares, especialmente impactados pelos altos custos de financiamento no Brasil.
O Itaú BBA tem classificação outperform para a Marcopolo, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 10,50, o que representa um potencial de alta de 65,6% ante o preço de fechamento em 6 de março de 2026.
Marcopolo a níveis atrativos, mas sem gatilhos
Os analistas veem as ações da Marcopolo negociadas a níveis atrativos, sendo uma boa opção para investidores que buscam empresas com risco de queda limitado e dispostos a evitar a atual turbulência macroeconômica, tendo em vista a geração de caixa e o rendimento de dividendos (dividend yield) de 7,8%.
Por outro lado, o BBA pondera que a companhia parece estar caminhando para um primeiro trimestre de 2026 pouco animador, com volumes fracos e falta de gatilhos positivos, sendo que o novo leilão do Caminho da Escola parece ser o mais iminente, mas já foi adiado algumas vezes.
“Um P/L (preço sobre lucro) de 6 vezes para uma empresa madura e com baixa alavancagem, com um payout de 50% (que poderia ser maior), implica que o mercado está precificando uma queda iminente, o que consideramos improvável, dada a resiliência do setor em meio ao pico das taxas de juros e o fato de 45% da receita da Marcopolo ser gerada no exterior, em diversos mercados”, avalia o BBA
Ao mesmo tempo, os analistas avaliam que é difícil encontrar fatores que justifiquem uma reprecificação positiva das ações.