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Marink Martins: O mundo está em festa (e não fomos convidados)

04/09/2019 - 14:39

Por Marink Martins, do MyVOL e autor da newsletter Global Pass

Você veio por esta notícia: Os picos de mercado são feitos pelos vendidos: O que fazer com a ação da Magazine Luiza

A presença da aleatoriedade nos mercados reduz de forma significativa a contribuição que anos de experiência possam vir a trazer. Ao contrário do que é observado em outras funções menos aleatórias, por aqui a prática não  te deixa perfeito.

Por um outro lado, os anos que se passam contribuem para o desaparecimento de uma ingenuidade que frequentemente se prova custosa. Assim o mais velho aprende a dizer não para os seus impulsos e a sorrir diante das artimanhas dos tecnocratas. Estes estão a serviço dos donos do dinheiro e atuam, ora de forma evidente, ora de forma oculta.

Dou esta volta para te chamar a atenção que diante da chuva de PMIs globais apontando para uma desaceleração, não devemos jamais ignorar o poder da caneta, o poder das coalizões, e outras manipulações.


Acima, dois gráficos ilustram bem as incertezas atuais: à esquerda temos um indicando que os títulos soberanos de 10 anos dos EUA, Japão e Alemanha registram rendimentos reais negativos. À direita, temos uma medida da inversão da curva de juros dos EUA (a taxa dos títulos de 10 anos subtraídos da taxa dos títulos de 3 meses). Observe que a faixa cinzenta indica períodos de recessão subsequentes a tais inversões de curvas.<

Engaveta-se a medida que provocava dor aos jovens de Hong Kong, mas será que o ímpeto intervencionista do Partido Comunista Chinês se dissipou?Forma-se uma coalizão de última hora na Itália atenuando as tensões com os tecnocratas de Bruxelas, mas representará este novo governo uma esperança de retomada econômica na Itália?Não vou me surpreender caso surjam, nesta quarta-feira, notícias que posterguem a dor causada pelo início de desmantelamento das cadeias de suprimento globais. Afinal, em momentos de PMI abaixo de 50 na matriz (EUA), todo esforço é necessário para um redirecionamento ao status quo.

Em 2007, durante os meses que antecederam o IPO da antiga Bovespa, as exigências de garantias em operações de derivativos eram baixíssimas. Por um curto espaço de alguns meses era possível ter uma alavancagem parecida com aquelas permitidas aos bancos (10:1). O mesmo ocorria em operações a termo, nos mercados futuros e outros. Em momentos que antecedem grandes transferências de capital, o desbloqueio dos dutos por onde fluem o dinheiro se faz necessário.

Neste sentido é possível especular que a festa dos IPOs nos EUA esteja atingindo um pico. Foi um período surpreendente em que diversas empresas, ainda distantes de registrar um lucro contábil, viram suas ações caminhar para as mãos do público consumidor. Mas tal festa não pode acabar antes do IPO da WeWork! Caso seja possível, eles ainda tentarão encaixar um da Airbnb.

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Há, entretanto, claros sinais de desgastes associados a um longo período de intervenção. O dinheiro que circula em abundância na matriz (EUA) não consegue, ou não quer, chegar aos emergentes.

Em um mundo dominado por estratégias de “momentum”, há um cinismo claro diante de ativos associados a investimentos de longo prazo. Talvez seja por isso que os preços das commodities estejam pressionados e as ações do setor de exploração e produção de petróleo estejam nas mínimas.


Os emergentes observam tudo isso de longe, loucos para participar da festa. A fila de vendedores de ações cresce. Só no Brasil, além do BNDES, há um grupo de empresas loucas para trazer novos sócios.

Eles certamente tentarão fazer tudo isso acontecer. Wall Street, bancos centrais, tecnocratas de Bruxelas, de Brasília, de Washington, de Pequim… todos unidos contra a entropia – aquela também conhecida como a segunda lei da termodinâmica – que diz que os sistemas caminham da ordem para a desordem.

Última atualização por Gustavo Kahil - 13/09/2019 - 23:10