MBRF (MBRF3) amplia contrato com a Salic para fornecimento de aves e inclui bovinos
A MBRF (IMBRF3), empresa resultante da fusão entre BRF e Marfrig, anunciou ao mercado a assinatura de um aditivo ao contrato de segurança alimentar de 21 de maio de 2024 com a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic), subsidiária do Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita.
De acordo com o comunicado divulgado na noite de domingo (12), os volumes máximos de fornecimento contratados foram duplicados e incluídos os produtos de carne bovina.
Dessa maneira, os volumes do contrato de fornecimento passam de 300 mil para até 600 mil toneladas anuais no caso de aves e, em relação a produtos de carne bovina, passam a ser de até 270 mil toneladas anuais.
“O aumento expressivo do compromisso de fornecimento de produtos à Salic reforça a parceria estratégica entre as companhias e a Arábia Saudita, em especial no que tange ao reforço da segurança alimentar”, diz o comunicado.
A guerra no Oriente Médio e seus efeitos para a MBRF
A escalada do conflito no Oriente Médio tem gerado efeitos mistos para as grandes exportadoras brasileiras de proteína animal, combinando pressão logística e aumento de custos com uma demanda resiliente — e, em alguns casos, até mais forte — na região, segundo os CEOs da MBRF (MBRF3), Minerva Foods (BEEF3) e JBS (JBSS32).
Apesar dos desafios logísticos e do encarecimento do frete, o consenso entre os executivos é que o atual cenário tem sido absorvido pelo mercado, sustentado por uma demanda firme por alimentos — especialmente em regiões dependentes de importação.
No caso da MBRF, o CEO Miguel Gularte destacou que a companhia conseguiu mitigar impactos operacionais graças a um planejamento prévio.
Segundo ele, estoques já haviam sido posicionados estrategicamente no Oriente Médio e na Ásia desde 2024, inicialmente como resposta a questões sanitárias, como os casos de doença de Newcastle em 2024 e a gripe aviária no ano passado, o que acabou funcionando como uma proteção diante da guerra.
Apesar do aumento relevante nos custos logísticos — especialmente com a criação de “taxas de guerra” no frete marítimo —, a empresa conseguiu repassar essas despesas aos clientes.
“Os custos foram compartilhados de forma transparente, sem resistência, em um ambiente de demanda aquecida”, afirmou. Segundo o executivo, não há, até o momento, disrupções relevantes no fluxo de entregas.