MBRF (MBRF3): BB Investimentos corta preço-alvo por incertezas para rentabilidade com China e Oriente Médio
O BB Investimentos reduziu o preço-alvo para a MBRF (MBRF3) de R$ 28,60 para R$ 26,20 e manteve a recomendação neutra para as ações.
Apesar do potencial de valorização em relação ao preço corrente, a avaliação é de que os riscos da tese de investimento têm pesado mais neste momento, diante das incertezas sobre o desempenho da receita e da rentabilidade. Entre os principais fatores estão questões setoriais ainda sem solução clara, como as salvaguardas chinesas para a carne bovina e os impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre custos logísticos e o abastecimento no Oriente Médio.
Os números de 2025 reportados pela companhia vieram em linha com as projeções divulgadas em setembro de 2025. A receita líquida da MBRF atingiu R$ 164 bilhões (+4,3% vs. estimativa), com contribuição positiva de todos os segmentos de negócios, especialmente da América do Sul, após a maturação dos investimentos em expansão de capacidade de abate e desossa realizados nos últimos anos.
Por outro lado, a rentabilidade operacional foi pressionada na comparação anual. A margem EBITDA ajustada recuou 1,1 ponto percentual, para 8,2% (+0,1 p.p. vs. estimativa), refletindo a piora no segmento da América do Norte — que enfrenta menor disponibilidade de animais prontos para abate — e na BRF, impactada pelos efeitos de um caso de gripe aviária registrado em maio de 2025 no Brasil.
Para 2026, o BB Investimentos projeta um cenário mais desafiador em todos os segmentos de negócios.
“Enquanto na América do Norte vislumbramos um ciclo pecuário ainda negativo, pressionando a rentabilidade, esperamos retração das margens operacionais na América do Sul com a virada do ciclo pecuário no Brasil e menor disponibilidade de gado pronto para abate”, afirma Georgia Jorge.
No caso da BRF, as perspectivas são de aumento da oferta no mercado, o que deve pressionar os preços diante de um eventual desequilíbrio com a demanda.
“Diante desse cenário, reduzimos nossas estimativas de receita em 4,9%, mas mantivemos a projeção de margem EBITDA ajustada, uma vez que parte dessas tendências já estava incorporada desde o segundo semestre de 2025”, acrescenta.
Em relação à alavancagem financeira, as projeções indicam estabilidade na relação dívida líquida/EBITDA ajustado ao fim de 2026, com melhora gradual nos anos seguintes, à medida que a rentabilidade se recupere para níveis mais elevados — especialmente na América do Norte, que responde por cerca de 45% da receita da companhia.