MBRF (MBRF3): Por que o BB Investimentos decidiu rebaixar a recomendação para o papel
O BB Investimentos rebaixou a recomendação para MBRF (MBRF3) de compra para neutra, após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), avaliados como fracos, com deterioração da rentabilidade operacional e aumento da alavancagem financeira. A casa conta com preço-alvo de R$ 28,60 para a ação.
A MBRF reportou lucro líquido de R$ 91 milhões no período, queda expressiva em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando havia registrado R$ 2,6 bilhões. Segundo o banco, o resultado foi pressionado pelo avanço das despesas financeiras e pelos custos relacionados à reestruturação e ao processo de fusão. Desconsiderando operações descontinuadas, o lucro do 4T25 teria sido de R$ 1,1 bilhão.
Na avaliação do BB Investimentos, todos os segmentos da companhia apresentaram queda de rentabilidade operacional, embora as margens nas operações da América do Sul e da BRF ainda permaneçam em níveis considerados saudáveis. Ainda assim, o desempenho consolidado de 2025 indicou consumo de caixa livre e deterioração dos indicadores financeiros.
A alavancagem também foi destaque negativo. O endividamento bruto avançou 12% na comparação anual, somando R$ 68 bilhões ao final de 2025, com cerca de 20% concentrados no curto prazo. Já a dívida líquida atingiu R$ 43 bilhões, equivalente a 3,3 vezes o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses — acima das 2,5 vezes registradas anteriormente.
No fluxo de caixa, a companhia gerou R$ 3,6 bilhões operacionalmente no trimestre, mas os investimentos de R$ 2,2 bilhões e as despesas financeiras de R$ 1,5 bilhão levaram a um consumo de caixa de R$ 63 milhões no período.
As ações da MBRF acumulam queda de cerca de 15% no ano até 18 de março, refletindo preocupações com o cenário setorial. Entre os principais riscos estão a dinâmica de oferta e demanda de aves, possíveis salvaguardas chinesas à carne bovina brasileira e tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
Apesar de reconhecer que a companhia possui fundamentos que podem mitigar parte desses impactos, o BB Investimentos optou por adotar uma postura mais cautelosa no curto prazo, aguardando a incorporação dos resultados recentes e a revisão de premissas macroeconômicas.