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McDonald’s ou Starbucks: Qual dessas ações é melhor ter em carteira?

30/09/2019 - 14:15
Últimos resultados do McDonald’s evidenciam a retomada da empresa (Imagem: Daniel Acker/Bloomberg)

Depois de um poderoso rali no último ano, as duas maiores ações do setor de alimentos nos EUA, a Starbucks (SBUX) e o McDonald’s (MCD), estão mostrando alguns sinais de pico.

No mês passado, o desempenho de ambos os papéis ficou abaixo do Índice S&P 500, com a Starbucks se desvalorizando 9% e o McDonald’s caindo mais de 3%.

Esse sinal de fraqueza ocorre depois de uma grande corrida nos últimos cinco anos, quando essas redes de restaurantes recompensaram seus investidores com ganhos extraordinários. Em ambos os casos, os investidores mais do que duplicaram seus retornos, incluindo dividendos.

Seus ganhos igualmente impressionantes tornam um pouco mais complicado para os investidores decidirem em qual dessas duas ações vale a pena investir nos próximos cinco anos. Apresentamos a seguir alguns fatores a serem levados em consideração.

Crescimento do McDonald’s impulsionado pela tecnologia

Os últimos resultados do McDonald’s evidenciam que a retomada da empresa, impulsionada pela tecnologia, está progredindo em ritmo acelerado.

No trimestre encerrado em junho, a rede de fast-food registrou seu crescimento mais rápido de vendas mundiais em sete anos. Iniciativas como o café da manhã durante todo o dia, que inclui o McMuffin, além de novos produtos, como as tiras de doughnuts, estão ajudando a trazer de volta os clientes.

Gráfico McDonald's
Gráfico McDonald’s

Isso ocorre no momento em que a empresa está investindo pesado em novas tecnologias para competir com novos disruptores e atrair clientes jovens aficionados à tecnologia, que estão diminuindo suas visitas aos restaurantes e usando serviços de entregas, como o Uber Eats (UBER).

Em suas últimas iniciativas tecnológicas, a dona dos Arcos de Ouro está testando equipamentos de cozinha automatizados e pedidos ativados por voz em seus drive-throughs. Em março, o McDonald’s adquiriu a startup de inteligência artificial Dynamic Yield, sediada em Nova York e Tel Aviv, por US$ 300 milhões. Essa foi a maior aquisição do grupo em 20 anos.

A tecnologia da Dynamic Yield está ajudando a reconhecer as necessidades dos clientes com base nas compras passadas e outros fatores. Isso impulsionou as vendas de itens como bebidas e batatas fritas em restaurantes que usam a tecnologia, de acordo com o CEO da empresa, Steve Easterbrook.

Os sólidos dividendos do MCD são outra razão para que investidores de longo prazo mantenham o papel em suas carteiras. Depois de elevar seus proventos em 8% no início deste mês, o McDonald’s agora paga proventos trimestrais de US$ 1,25 por ação. Essa foi a 43ª alta consecutiva nos dividendos anuais da empresa.

Starbucks diminui o ritmo depois de um forte rali

As ações da rede de cafeterias que vende os populares Frappuccinos e Pumpkin Spiced Lattes também caíram mais de 11% desde a máxima histórica atingida em 26 de julho. Elas fecharam a US$ 88,37 na sexta-feira.

Seu ciclo de baixa começou quando o diretor financeiro da empresa, Pat Grismer, alertou que a companhia esperava que o lucro por ação em 2020 ficasse abaixo do seu “modelo atual de crescimento de 10%”.

Grismer declarou que os benefícios tributários não recorrentes realizados no ano fiscal de 2019 serão um poderoso vento contrário para o crescimento dos resultados no próximo ano. Ele também disse que as recompras de ações de cerca de US$ 2 bilhões feitas pela companhia no ano fiscal de 2019 não serão repetidas em 2020 para respaldar suas ações.

Gráfico Starbucks
Gráfico Starbucks

Nos últimos trimestres, a Starbucks vem elevando seus resultados acima das expectativas. Para o trimestre finalizado em junho, a Starbucks registrou seu crescimento mais rápido de vendas mundiais em três anos, auxiliado pelos fortes ganhos na China e nos EUA.

A rede sediada em Seattle divulgou um robusto aumento de 6% em vendas nas mesmas lojas em todo o mundo, o maior desde 2016 e bem acima dos 4,2% projetados pela Consensus Metrix.

Pelo lado da estratégia, a Starbucks continua no caminho certo, na medida em que a rede ganha fãs de cafés não só em seus mercados domésticos, mas também na China, um país que assumiu o centro do palco em sua estratégia de crescimento.

No ano passado, o número de clientes do seu programa de fidelidade cresceu consideravelmente, alcançando 17,2 milhões de membros ativos nos EUA, uma alta de 14% na comparação anual. O resultado dessas iniciativas, aliado a medidas de cortes de custos na cadeia de fornecimento, está permitindo que o forte crescimento da Starbucks continue.

Assim como o McDonald’s, a fabricante de cafés também é uma confiável geradora de renda para seus investidores.

Raramente encontramos uma ação que renda mais de 2% e ofereça um crescimento tão impressionante de dividendos. Nos últimos cinco anos, a Starbucks apresentou um crescimento médio de dividendos por ação de quase 24% e, com um payout ratio de cerca de 50%, não parece que o ritmo de retorno financeiro vai desacelerar no curto prazo.

Conclusão

Recomendamos tanto o McDonald’s quanto a Starbucks para investidores de longo prazo. Ambos os papéis geraram retornos extraordinários nos últimos cinco anos, e não há qualquer razão para acreditar que essas gigantes perderão seu brilho nos próximos cinco anos. Uma melhor estratégia, em nossa visão, seria ter exposições iguais em ambas as ações e mantê-las em carteira.

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Última atualização por Valter Outeiro da Silveira - 30/09/2019 - 14:29