Mercado de crédito privado tem muito espaço para crescer no Brasil e problemas recentes são marginais, diz gestor da Jive Mauá
Problemas recentes com papéis emitidos por empresas como Braskem e Ambipar, além de CDBs do Banco Master, deixaram clientes estressados e, muitas vezes, em situação de atrito com seus assessores de investimentos, segundo Leone Cabral, sócio-fundador e diretor institucional da Blue3 Investimentos, que falou em evento da empresa para assessores neste sábado (7), em Ribeirão Preto (SP).
Segundo ele, é nesses momentos de estresse, porém, que surgem as grandes oportunidades. “É no estresse que se faz dinheiro de verdade”, afirmou, após lembrar que atuou como assessor de investimentos por 18 anos.
Cabral questionou, então, Samer Serham, sócio e CIO da Jive Mauá, sobre essas oportunidades. Serham lembrou que, há muitos anos, o mercado de capitais de renda fixa e crédito privado no Brasil era muito restrito e as emissões de debêntures incentivadas, na época, se limitavam à Vale e à Petrobras, na casa de menos de R$ 100 bilhões por ano.
“É um mercado que cresceu muito naturalmente”, afirmou. “Problemas marginais vão acontecer, mas eles precisam entender o que é um todo desse mercado”, disse, acrescentando que hoje esse mercado gira em torno de R$ 4 trilhões a R$ 5 trilhões por ano.
E ainda há muito espaço para crescer, na visão do gestor, tanto no mercado líquido quanto no estruturado. “Para chegar perto do que é um país desenvolvido, que é ter 1x a 1,5x o PIB em crédito, a gente está muito, muito, muito, muito longe.”
Mercado de CRIs sem saturação, para CEO da XP Asset
Leone Cabral, da Blue3 Investimentos, questionou Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, especificamente sobre o segmento de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). “A demanda é crescente”, disse ele, apontando que alguns assessores temem que este mercado esteja saturado. “Está saturado ou tem muita oportunidade ainda?”, questionou.
Para Bousquet, não há saturação no mercado de CRIs. Ele explicou que o mercado imobiliário no Brasil historicamente teve como fonte de financiamento o sistema de poupança e o financiamento habitacional. Porém, nos últimos anos, os poupadores têm buscado opções mais atrativas que a poupança.
“E o que tem acontecido nos últimos anos? Até muito em função de vocês [referindo-se aos assessores], o volume de investimentos em poupança tem caído a uma média de R$ 50 bilhões por ano.”
Em contrapartida, apontou, o volume médio de emissão de CRIs nos últimos quatro anos tem crescido R$ 40 bilhões a R$ 60 bilhões por ano.
“Então, tem saturação de CRIs? Não, muito pelo contrário. Os CRIs estão simplesmente substituindo o funding que viria da poupança, e de uma maneira muito mais bem estruturada, porque você está oferecendo casamento de prazo.”
* A jornalista viajou a convite da Blue3 Investimentos.