Mercado Livre (MELI34): Ações caem 10% após balanço mostrar pressão nas margens; analistas veem oportunidade de compra
Os BDRs do Mercado Livre (MELI34) tem queda expressiva no pregão desta quarta-feira (25), após a companhia reportar seu balanço do quarto trimestre de 2025, que mostrou crescimento sólido, mas com o custo da expansão pressionando as margens.
Vale lembrar que as ações da companhia são listadas na bolsa americana Nasdaq sob o ticker MELI. As negociações na B3 ocorrem pelo código MELI34, que representa o BDR, ou seja, o certificado de valor mobiliário emitido e negociado no Brasil que representa as ações da empresa listada no exterior.
A gigante argentina do e-commerce teve lucro líquido de US$ 559 milhões no trimestre de outubro ao fim de dezembro. Analistas consultados pela LSEG estimavam um lucro de US$ 587 milhões.
A cifra representa uma queda de 12,5% no lucro líquido do quarto trimestre, ficando abaixo das projeções de analistas, diante do impacto de investimentos em crédito e logística, enquanto a receita superou estimativas, impulsionada por Brasil e México.
O lucro operacional, ou lucro antes de juros e impostos (Ebit), subiu cerca de 8%, para US$ 889 milhões, próximo às estimativas de US$ 891 milhões. A margem Ebit caiu para 10,1%, ante 13,5% no ano anterior.
Por volta de 13h20 (horário de Brasília), as ações MELI34 caíam 10,39%, a R$ 74,38. Já no Nasdaq, as ações MELI caíam 9,81%, cotadas a US$ 1.734,00. Acompanhe o tempo real.
Na visão do Itaú BBA, o balanço é positivo e mostra o Mercado Livre fazendo o que precisa ser feito, mesmo que isso signifique sacrificar as margens de curto prazo.
“Não é segredo que o Meli está passando por uma fase única em sua história, intensificando os investimentos para defender (e expandir) sua liderança no comércio brasileiro. A estratégia está claramente funcionando”, ponderam os analistas.
O BBA destaca que o GMV (Volume Bruto de Mercadorias) no Brasil – um dos principais indicadores de sucesso estratégico – continuou a acelerar, crescendo 35% em base anual no quarto trimestre, apesar de um cenário macroeconômico consideravelmente mais desafiador.
Como resultado, o GMV da MELI no Brasil cresceu 32% em reais em 2025, contra um crescimento estimado do mercado de aproximadamente 20%, um ganho de participação significativo sobre uma base já sólida em 2024, conforme o BBA.
O lado negativo, no entanto é que esse crescimento vem acompanhado de uma maior pressão sobre as margens no curto prazo devido aos elevados níveis de investimento. “Como já vimos diversas vezes em sua história, a MELI está mais uma vez sacrificando a rentabilidade de curto prazo para reforçar suas vantagens competitivas. Esta é a decisão correta”.
Para os analistas os aumentos nas taxas de comissão implementados no início de 2026 (principalmente pela Shopee) já indicam que a fase mais intensa do ciclo de investimentos ficou para trás.
“Se as ações caírem ainda mais devido ao Ebit abaixo do esperado no quarto trimestre, vemos isso como uma boa oportunidade de compra”, diz o BBA.
Pressão nas margens
Analistas do Bradesco BBI destacam que a companhia reportou forte crescimento de receita, mas acompanhado de pressões relevantes de despesas, o que trouxe margens abaixo do esperado. Embora os resultados reforcem a solidez estrutural do ecossistema, os analistas colocam que, no curto prazo, o mercado deve se concentrar no custo dessa expansão, o que pode levar a revisões negativas de lucro por ação.
“A mensagem da companhia permanece consistente: priorizar geração de valor de longo prazo em vez de maximizar margens no curto prazo, estratégia respaldada pelo histórico bem-sucedido de alocação de capital e monetização do ecossistema”, dizem os analistas.
O BBI considera racional a escolha de reforçar investimentos em aquisição, retenção e ampliação de mercado, especialmente à medida que tais esforços mostram retorno em engajamento, aumento de frequência, maior penetração de categorias e consolidação competitiva.
“Assim, apesar do impacto pontual nas margens, mantemos a visão estrutural positiva sobre o caso, entendendo que o custo de crescimento atual prepara o terreno para criação de valor sustentável ao longo dos próximos anos”.
Resultados mistos
Para a XP Investimentos, o balanço do quarto trimestre mostrou resultados mistos, com forte desempenho de receita, mas Ebit (lucro antes de juros e impotos) abaixo das expectativas devido a maiores despesas de marketing e provisões.
“O crescimento da linha de receita permaneceu sólido, com aceleração no Brasil e no México e desaceleração prevista na Argentina, enquanto a margem Ebit foi pressionada pelos investimentos estratégicos de longo prazo da companhia, como marketing, frete grátis, 1P, CBT e expansão do crédito.”, ponderam os analistas.
A casa aponta que o Mercado Livre apresentou métricas operacionais que reforçam a visão de que a estratégia está no caminho correto, como maior frequência de compra, aumento da retenção de usuários, menores custos de envio (-11% no ano), aceleração do crescimento de assinantes MELI+ e níveis recorde de baixa inadimplência.
“Destacamos também que cerca de 2/3 do desvio negativo de Ebit veio de maiores provisões decorrentes da aceleração da carteira de crédito, o que vemos como um efeito negativo de curto prazo, porém sustentado por métricas saudáveis. Mantemos recomendação de Compra“, diz a XP.
*Com informações da Reuters