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Mercado Livre (MELI34): Brasil é peça central para disparada de 200% do lucro anual

04 maio 2023, 17:20 - atualizado em 04 maio 2023, 17:20
Mercado Livre e-commerce
Mercado Live confirma ganhos de market share da Americanas em outro resultado surpreendente.

O Mercado Livre (MELI;MELI34) reportou os resultados trimestrais do primeiro trimestre de 2023 na noite de ontem. Confirmando a tendência de crescimento dos últimos balanços, a gigante do e-commerce voltou a superar as projeções de lucro e receita dos analistas.

Na comparação anual, a empresa registrou uma alta de 208,5% no lucro líquido, graças a um resultado operacional forte. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de US$ 340 milhões, anotando um crescimento de 145% contra igual etapa de 2022.

Na avaliação do Bank of America (BofA), o resultado forte no Ebitda da empresa mostra uma comunhão de  “melhor monetização da plataforma, contribuição de vendas com anúncios e eficiência logística e operacional”.

A receita da companhia subiu 35%, baseado em um aumento consolidado de vendas do market place de 31% e do ramo financeiro, contemplado pela MercadoPago, de 41%. Houve aumento do número de compradores únicos em toda a região, ajudando a impulsionar o volume de itens vendidos, que subiu cerca de 16% no primeiro trimestre.

A geração de caixa operacional se manteve forte no período, permitindo que a posição total crescesse US$ 859 milhões no primeiro trimestre do ano.

Apesar dos números impressionantes, a aversão no mercado de risco, espalhada pelo temor de mais uma falência bancária, ofusca o desempenho da ação nesta quinta-feira (4). Por volta das 16h30, o papel da empresa perdia 5% em dia de baixa na Nasdaq.

Brasil é peça central do modelo Meli de crescimento

Não é possível contar a história de como o Mercado Livre conseguiu triplicar o lucro em um ano sem mencionar o papel do mercado brasileiro.

O Mercado Livre superou a marca de 160 milhões de itens vendidos no país durante o período, impulsionando o crescimento do volume de vendas na maior parte das categorias.

Em nota ao público, a varejista justifica cita um “investimento constante e sólida execução, sobretudo em logística, que permitiram mais participação de mercado.”

Segundo medições do BofA, já foi possível medir um efeito de transferência de tráfego online benéfico ao Mercado Livre por ocasião da derrocada de uma das suas principais competidoras, a Americanas (AMER3). Entre março de 2022 e março de 2023, o número de visitas ao site da empresa controlada pelo trio 3G despencou 52%.

A projeção de crescimento no país exigiu que a empresa tomasse medidas de escalonamento da operação. Em março, o Meli comunicou um investimento de R$ 19 bilhões com foco na área logística para aumentar o número de entregas rápidas (modelo fulfillment).

Segundo comunicado da varejista, o segmento de entregas rápidas cresceu para 41% no país, o que lhe confere a liderança entre as competidoras do mercado.

O e-commerce também anunciou que irá contratar quase 6 mil funcionários, sendo aproximadamente 400 na área de tecnologia e produtos.

Mercado Livre dá recado às varejistas chinesas: ‘joguem com as regras’

Após os resultados, o vice-presidente sênior de estratégia e desenvolvimento corporativo, André Chaves, teceu comentários sobre a polêmica da tributação envolvendo varejistas chinesas, como Shopee e Shein.

Para o representante do Mercado Livre, “os jogadores tem que jogar de acordo com as regras. A grande questão aqui no fim das contas é, sendo a regra de 2022 ou de 2023, se outros agentes estavam jogando dentro das regras.”

No que diz respeito ao seu próprio negócio, a companhia alega que menos de 5% de suas vendas no Brasil são “realizadas por pessoas físicas, isentas de pagar tributos de acordo com o Código Tributário Nacional, ou por grandes redes que possuem seu próprio sistema automático de emissão de nota fiscal”.

* Com informações da Reuters

Estagiário
Jorge Fofano é estudante de jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. No Money Times, cobre os mercados acionários internacionais e de petróleo.
Jorge Fofano é estudante de jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. No Money Times, cobre os mercados acionários internacionais e de petróleo.