Coluna
Imóvel Times

Mesmo com Selic a 15%, mercado imobiliário não para

27 jul 2025, 13:00
fundos imobiliários - istock mercado imóveis
Construção civil mantém fôlego mesmo com juros altos, sustentada por demanda habitacional e crédito subsidiado. (Imagem: iStock/ Vertigo3d)

Com a Selic batendo em 15% ao ano, muitos setores da economia pisam no freio. O crédito encarece, o consumo desacelera e a confiança cai. Mas há um setor que, mesmo diante das tempestades, continua de pé: o mercado imobiliário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar do custo elevado do dinheiro e do aperto nos orçamentos familiares, a construção civil no Brasil segue resistindo — e, em alguns segmentos, cresce. Afinal, o país ainda tem um déficit habitacional próximo de 7 milhões de moradias e uma demanda latente que não se dissipa, mesmo em tempos duros.

A construção civil como base da economia

A construção civil é um dos motores da economia brasileira. Responde por cerca de 6% do PIB e emprega, direta e indiretamente, milhões de trabalhadores.

Seu impacto é transversal: movimenta indústrias de cimento, aço, cerâmica, logística, arquitetura, design e serviços financeiros. É por isso que os governos costumam olhar com atenção para o setor em momentos de instabilidade, visto que investir em habitação e infraestrutura é uma forma de aquecer o cenário econômico como um todo.

Além disso, a área é estratégica por atender a uma demanda fundamental da sociedade: moradia. Com a população urbana crescente, o Brasil segue precisando construir — e rápido.

Os efeitos dos juros altos no setor

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Todavia, o cenário atual é desafiador. A taxa Selic pressiona tanto os consumidores quanto as empresas. No financiamento habitacional, significa encarecimento das parcelas, maior exigência de entrada e menos acesso ao crédito.

Hoje, no Sistema Financeiro da Habitação, as taxas estão na faixa de TR + 10,99% a 11,49% ao ano, enquanto, no Sistema Financeiro Imobiliário, elas chegam a TR + 12% a.a. Isso afasta as famílias da classe média que estão na fronteira da capacidade de pagamento.

Com isso, a base de compradores encolhe, as vendas desaceleram e as incorporadoras são forçadas a oferecer condições promocionais para manter o ritmo. E não para por aí: os custos também subiram. A mão de obra acumula alta de quase 10% nos últimos 12 meses, e os materiais de construção já ultrapassaram 6% de inflação até março de 2025.

Os juros altos aumentam o custo de capital para as empresas. Linhas de crédito para obras, aquisição de terrenos e capital de giro ficam mais caras, dificultando a vida de construtoras regionais ou de pequeno porte, que dependem de bancos comerciais.

Por que o imóvel continua sendo um ativo desejado?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mesmo com todas as dificuldades, o brasileiro continua buscando o imóvel como forma de investimento e segurança. E isso tem explicações culturais e econômicas.

O “tijolo” carrega um valor simbólico no Brasil: é herança, patrimônio, segurança para o futuro. Em momentos de volatilidade na bolsa ou de incerteza com a renda fixa, muitos preferem investir em algo tangível, que pode ser usado, alugado ou deixado como legado.

Além disso, o imóvel é visto como proteção contra a inflação. Mesmo que a rentabilidade aparente seja menor no curto prazo, ele preserva valor ao longo dos anos, sobretudo em regiões urbanas com alta demanda.

Investir em imóveis é uma ideia que pode até ser controversa, mas nunca ultrapassada — especialmente para quem busca segurança patrimonial em um cenário de incerteza econômica.

Como as empresas estão reagindo e inovando

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Diante do cenário macro desafiador, as construtoras estão se reinventando. Algumas das principais estratégias adotadas priorizam produtos econômicos, com unidades menores, mais acessíveis e adaptadas ao perfil do MCMV.

Junto disso, há a automação e o crédito digital, com o uso de tecnologias para agilizar a análise de crédito, personalizar ofertas e reduzir custos de venda, além da gestão de despesas, a partir da renegociação com fornecedores e de novos modelos de obra.

E, claro, ganha atenção a exploração da Faixa 4 do MCMV, que permite financiamentos de imóveis de até R$ 500 mil por até 35 anos, com taxa de 10,5% ao ano fixos — abaixo das linhas tradicionais do mercado.

Os números recentes ajudam a explicar essa resiliência. Segundo dados atualizados do FGTS (base maio/2025), os volumes de financiamento seguem crescendo no país, mesmo com o crédito mais caro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O setor espera movimentar R$ 126,27 bilhões em imóveis novos ao longo do ano, o que representa um aumento de 29,68% em valor na comparação com 2024. Em termos de unidades, corresponde a 479.699 moradias financiadas, um avanço de 10,88%.

Quando somamos imóveis novos e usados, o total projetado chega a R$ 143,63 bilhões — crescimento de 18,35% — distribuídos em 606.172 unidades financiadas (+2,72%). Os dados reforçam que, mesmo com juros altos, o crédito habitacional segue aquecido, sustentado em peso pelos programas com apoio do FGTS.

O setor que constrói futuro

Mesmo com os juros altos, o mercado imobiliário brasileiro segue relevante. A demanda estrutural por moradia, somada ao apoio de políticas públicas e à capacidade de adaptação das empresas, mantém o setor vivo.

Construtoras que investem em eficiência, tecnologia e entendem o seu público continuam vendendo. E, para muitas famílias — especialmente da Faixa 4 do MCMV — ainda é possível financiar com condições acessíveis e realizar o sonho da casa própria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Afinal, juros sobem e descem, mas o déficit habitacional, a necessidade de moradia e o desejo de segurança patrimonial permanecem. Enquanto houver chão, haverá construção. E, enquanto houver sonho, haverá imóvel para realizá-lo.

 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Eduarda Tolentino é sócia e presidente da BRZ Empreendimentos. Ela é especialista em assuntos ligados a empreendedorismo feminino, liderança feminina no setor de construção civil, empreendimentos, construções, moradia, moradia popular, entre outros. Formada em Direito e pós-graduada em Direito Empresarial, Eduarda iniciou sua atuação na BRZ Empreendimentos como coordenadora do departamento jurídico e em 2015 tornou-se sócia e diretora comercial. Desde 2020, é sócia e CEO e em outubro de 2022 tornou-se também presidente do Conselho de Administração da companhia. Mãe de três filhos, atua pela equidade de gênero no mercado da construção civil, mais mulheres em cargos de liderança e, à frente da BRZ, para que mais famílias tenham acesso à moradia.
Linkedin
Eduarda Tolentino é sócia e presidente da BRZ Empreendimentos. Ela é especialista em assuntos ligados a empreendedorismo feminino, liderança feminina no setor de construção civil, empreendimentos, construções, moradia, moradia popular, entre outros. Formada em Direito e pós-graduada em Direito Empresarial, Eduarda iniciou sua atuação na BRZ Empreendimentos como coordenadora do departamento jurídico e em 2015 tornou-se sócia e diretora comercial. Desde 2020, é sócia e CEO e em outubro de 2022 tornou-se também presidente do Conselho de Administração da companhia. Mãe de três filhos, atua pela equidade de gênero no mercado da construção civil, mais mulheres em cargos de liderança e, à frente da BRZ, para que mais famílias tenham acesso à moradia.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar