Microsoft (MSFT34): Ações despencam após resultado apesar de computação em nuvem dentro do esperado
A Microsoft (MSFT34) entregou nesta quarta-feira (28) um resultado trimestral praticamente dentro do esperado, mas a reação do mercado foi negativa. As ações da companhia, no entanto, caem mais de 7% no pós-mercado, refletindo a crescente cautela dos investidores com o ritmo de retorno dos pesados investimentos em inteligência artificial.
No segundo trimestre fiscal, encerrado em dezembro, a receita total da gigante de tecnologia somou US$ 81,3 bilhões, alta de 17% na comparação anual. O número veio levemente acima da previsão média do mercado, de US$ 80,27 bilhões, segundo dados da LSEG.
O desempenho da divisão de computação em nuvem — principal motor da empresa atualmente — também ficou em linha com as estimativas. A receita do Azure cresceu 39% no período, contra uma projeção média de 38,8%, de acordo com a Visible Alpha.
Ainda assim, o avanço foi insuficiente para animar investidores, que passaram a questionar se a atual onda de gastos com IA está, de fato, se traduzindo em ganhos financeiros mais robustos.
A Microsoft superou as estimativas de receita em todos os trimestres dos últimos dois anos, com um desvio médio positivo de 1,9%. No trimestre anterior, a companhia havia reportado US$ 77,7 bilhões em receita, crescimento de 18,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que elevou as expectativas para os resultados mais recentes.
Antes da divulgação, analistas projetavam uma alta de 15,3% na receita anual, para cerca de US$ 80,3 bilhões, além de um lucro ajustado por ação (EPS) de US$ 3,92. Na divulgação anterior, o lucro por ação havia sido de US$ 3,72.
Apesar do histórico consistente, o foco do mercado mudou. Se antes a discussão girava em torno da resiliência dos resultados, agora o debate migra para a capacidade de reaceleração do crescimento, especialmente no Azure.
Comentários da administração sobre monetização dos investimentos em IA, nível de capex e sustentabilidade das margens passaram a ser observados com lupa, em um momento em que investidores estão menos tolerantes à estratégia de “gastar agora, lucrar depois”.
A Microsoft largou na frente na corrida da inteligência artificial ao apostar cedo na OpenAI, cuja tecnologia hoje está integrada a produtos como o M365 Copilot. No entanto, o cenário competitivo ficou mais desafiador. A boa recepção do modelo Gemini, do Google, e o avanço de agentes autônomos como o Claude Cowork, da Anthropic, levantaram preocupações tanto sobre os negócios de IA quanto sobre as tradicionais ofertas de software da empresa.
Além disso, alguns analistas alertam para o impacto financeiro indireto da OpenAI. A Microsoft detém cerca de 27% da empresa, e as perdas crescentes da startup podem pressionar as despesas da big tech à medida que sua fatia desses prejuízos seja reconhecida nos balanços.
*Com Reuters