Missão Artemis 2: O que os astronautas vão fazer na Lua após 53 anos da última missão
Mais de cinquenta anos após a última missão Apollo, a Nasa está prestes a enviar novamente astronautas rumo à Lua. A missão está prevista para decolar em 8 de fevereiro e marcará o primeiro voo tripulado do programa Artemis.
A Artemis 2 não irá plantar bandeiras nem deixar marcas no solo lunar. Seu propósito, segundo a Nasa, vai além de simplesmente “retornar à Lua”.
A agência espacial dos Estados Unidos busca estabelecer uma presença humana de longo prazo no espaço profundo, testar novas tecnologias, conduzir pesquisas científicas e utilizar a Lua como ponto de apoio para futuras missões a Marte.
O que é a missão Artemis
O programa Artemis é a iniciativa de exploração lunar da Nasa que pretende levar seres humanos de volta à Lua pela primeira vez desde o último pouso tripulado, em dezembro de 1972. Mais do que revisitar o satélite, a meta é criar uma presença humana sustentável em território lunar.
Não se trata, portanto, de um simples “passeio lunar”, mas de um projeto de longo prazo voltado à construção de infraestrutura, como naves, foguetes, sistemas de comunicação, protocolos operacionais e logística.
As missões do programa Artemis fazem parte da estratégia da Nasa para a criação da Lunar Gateway, uma estação espacial em órbita da Lua que servirá como base para astronautas viverem, trabalharem e se prepararem para futuras viagens a Marte.
A primeira fase do programa, a Artemis I, foi lançada em novembro de 2022 e consistiu no envio de uma cápsula sem tripulação, destinada a testar o foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial) da Nasa.
Um voo de cerca de dez dias ao redor da Lua
Agora, a missão Artemis 2 levará quatro astronautas na cápsula Orion, lançada pelo foguete SLS. Durante aproximadamente dez dias, a tripulação fará um sobrevoo completo da Lua e irá:
- Testar os sistemas de suporte à vida, como fornecimento de oxigênio, controle térmico e remoção de gás carbônico, em condições reais de espaço profundo;
- Avaliar a navegação e o controle da Orion, incluindo manobras, ajustes de trajetória e resposta a comandos manuais;
- Verificar as comunicações de longa distância, essenciais para missões futuras que permanecerão dias ou até semanas longe da Terra;
- Coletar dados médicos, acompanhando como o corpo humano reage a períodos prolongados fora do “escudo” magnético do planeta.
Quem vai a bordo da Orion
A tripulação foi cuidadosamente selecionada para esse momento histórico:
- Reid Wiseman, comandante da missão
- Victor Glover, piloto
- Christina Koch, especialista da missão
- Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, também como especialista

No dia 23 de janeiro, os astronautas iniciaram o período de quarentena, um protocolo de estabilização da saúde que garante que não contraiam doenças antes do lançamento.
Como é o foguete que vai à Lua
O SLS foi apresentado pela Nasa em 17 de janeiro. Com 98 metros de altura, é mais alto que o Big Ben. O foguete é formado por:
- Um estágio central movido a hidrogênio e oxigênio líquidos
- Quatro motores RS-25, os mesmos utilizados nos antigos ônibus espaciais
- Dois propulsores laterais de combustível sólido, responsáveis pela maior parte do empuxo inicial

Segundo a Nasa, o SLS é o único foguete capaz de transportar astronautas, carga e a cápsula Orion diretamente até a Lua em um único lançamento, embora esse tipo de missão tenha um custo elevado.
Quanto custa a missão Artemis 2
De acordo com a Planetary Society, o custo do SLS desde o início do desenvolvimento até o primeiro voo é estimado em cerca de US$ 23,8 bilhões. A cápsula Orion, por sua vez, já consumiu aproximadamente US$ 20,4 bilhões.
Uma auditoria do Escritório do Inspetor-Geral da Nasa estimou que o programa Artemis como um todo — incluindo o desenvolvimento do SLS, da Orion e da infraestrutura de lançamento — alcançou US$ 93 bilhões até 2025.
A viagem pode ser adiada?
A data de lançamento já sofreu um adiamento de dois dias, o que faz com que a decolagem mais cedo possível seja em 8 de fevereiro.
O atraso ocorreu devido a uma forte onda de frio na Flórida, que postergou o ensaio geral. Esse teste, realizado quatro dias antes do lançamento, simula a contagem regressiva para identificar eventuais falhas ou imprevistos.
A Nasa adota critérios meteorológicos rigorosos, levando em conta temperatura, ventos, precipitação, raios, cobertura de nuvens e outros fatores determinantes para a segurança do voo.
O ensaio geral com combustível líquido começou ontem (2) e deve durar dois dias.
Caso o lançamento de 8 de fevereiro seja novamente adiado, a missão poderá ocorrer nas seguintes datas:
- 10 e 11 de fevereiro
- 6, 7, 8, 9 e 11 de março
- 1, 3, 4, 5, 6 e 30 de abril