Resultados das construtoras: Mitre (MTRE3) vê lucro crescer 46% no 2T26, enquanto Eztec (EZTC3) registra queda de 21%
A Mitre (MTRE3) registrou lucro líquido de R$ 15 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), alta anual de 46%. O resultado ficou em linha com as estimativas do BTG Pactual, segundo relatório divulgado na quinta-feira (6).
A receita líquida da construtora somou R$ 271 milhões, avanço de 5% na comparação anual e 7% acima da projeção do banco.
A dívida líquida encerrou o período em R$ 498 milhões, equivalente a 46% do patrimônio líquido da companhia.
O ROE (retorno sobre investimento) anualizado ficou em 6%, pressionado por despesas e participação de minoritários acima do esperado. Além disso, a Mitre registrou queima de caixa de R$ 12 milhões no trimestre.
O BTG mantém recomendação neutra para a construtora, diante do cenário desafiador para o segmento de média e alta renda e da alavancagem ainda superior à dos concorrentes.
O preço-alvo é de R$ 4,80, com potencial de valorização de 68,4%.
Destaques das construtoras: Eztec (EZTC3)
A Eztec (EZTC3) reportou lucro líquido de R$ 110 milhões no 2T26, queda anual de 21%. O resultado ficou em linha com a expectativa do BTG.
A receita líquida somou R$ 377 milhões, recuo de 16% ante o mesmo período de 2025, também em linha com a projeção do banco.
A geração de caixa livre foi o principal ponto negativo do trimestre, com R$ 22 milhões, bem abaixo da expectativa de R$ 100 milhões dos analistas.
Por outro lado, a empresa encerrou o período praticamente sem alavancagem, com caixa líquido de R$ 1 milhão. A margem bruta ficou em 41,9%, acima do esperado, favorecida pela venda de terreno no trimestre.
Para o BTG, o resultado não trouxe grandes surpresas, mas a visão para as ações segue positiva. O banco destaca que os papéis continuam negociados com desconto em relação ao valor patrimonial e ao lucro projetado, além do potencial de valorização com a futura comercialização do projeto Esther Towers.
A recomendação permanece de compra, com preço-alvo de R$ 21,00 por ação, indicando potencial de alta de 90,6%, sem considerar dividendos.
Eztec pelas lentes do Bradesco BBI
O Bradesco BBI adotou tom cauteloso sobre o resultado da Eztec. Segundo o banco, o lucro ficou abaixo de suas estimativas e do consenso de mercado sem considerar o ganho não recorrente com a venda de terreno em Praia Grande (SP).
A rentabilidade também foi um ponto de atenção. O ROE dos últimos 12 meses recuou para 9%, pressionado pelo aumento de 20,4% nas despesas administrativas na comparação anual, reflexo de maiores custos com acordos coletivos, promoções e expansão da estrutura da companhia.
Os distratos também pesaram na avaliação do BBI. O indicador atingiu 14,4% das vendas brutas no trimestre, sinalizando piora na qualidade da carteira e na dinâmica comercial.
Apesar da geração de caixa operacional positiva de R$ 23 milhões no período, excluindo dividendos, o banco avalia que os números ainda não foram suficientes para alterar sua percepção sobre a ação no curto prazo e mantém recomendação neutra.
*Sob supervisão de Renan Sousa