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Momento de olhar para ação da Natura (NATU3) chegou, diz CEO; ‘é uma empresa com alta capacidade de gerar lucro’

17 mar 2026, 16:30 - atualizado em 17 mar 2026, 16:30
João Paulo Ferreira, CEO Natura
João Paulo Ferreira, CEO da Natura (Imagem: Divulgação)

A Natura (NATU3) é uma empresa com alta capacidade de gerar lucro, afirmou o CEO João Paulo Ferreira em coletiva com jornalistas realizada nesta terça-feira (17), após a companhia reverter o prejuízo na comparação anual e reportar lucro no quarto trimestre de 2025. 

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O balanço, divulgado na véspera, mostrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025. A companhia conseguiu reverter o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período de 2024, mesmo em um trimestre marcado por queda de receitas e impactos contábeis ligados à simplificação do grupo.

Vale recordar que a administração já esperava para esse trimestre a retomada saudável das operações no México e Argentina após a Onda 2 (processo de integração), além de medidas para contenção de despesas,  combinadas com o encerramento de gastos envolvidos no processo de reestruturação da companhia.

A Natura concluiu o ciclo de custos de transformação na América Latina, tendo concretizado a venda da Avon International. No fim de 2025, a companhia já tinha otimismo sobre um destravamento de valor para a companhia.

O CEO, João Paulo Ferreira, e a CFO da Natura, Silvia Vilas Boas, ponderam que houve uma leve queda de receitas no Brasil, com impacto de uma base menor e menos ativa de consultoras e baixa do consumo, em especial no Nordeste. Apesar disso, destacam a manutenção da liderança de mercado.

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O resultado ainda foi pressionado por uma provisão não recorrente de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop, sem efeito caixa. Excluindo esse impacto, o lucro das operações continuadas teria sido de R$ 620 milhões, avanço anual de R$ 321 milhões.

A receita líquida somou R$ 6,19 bilhões no trimestre, queda de 12,1% na comparação anual, refletindo principalmente a desaceleração no Brasil e os efeitos cambiais e de hiperinflação em mercados da América Hispânica, especialmente a Argentina.

O Ebitda recorrente atingiu R$ 978 milhões, avanço de 57,2% na comparação anual, sendo um dos pontos que mais agradou analistas. A margem ficou em 15,8%, expansão de cerca de 7 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024.

Desempenho das ações

As ações da Natura performam na ponta positiva do Ibovespa (IBOV) no pregão desta terça-feira (17), com o mercado reagindo positivamente aos números do quarto trimestre. Na máxima de hoje, a ação saltou 12%. No acumulado de 2026, o desempenho é positivo em 28%.

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Apesar disso, a companhia viu suas ações passarem por momentos negativos em meio à alavancagem da companhia e os impactos do processo de reestruturação que vem sendo executado desde 2022.

O CEO da companhia reconhece que a Natura precisou lidar com um cenário em que as decisões não levaram ao retorno esperado e tornou-se necessário recalcular a rota.

“Todos os investidores enxergam na Natura, na América Latina, uma potência. Mas nós tivemos que lidar com aquisições que não geraram retorno esperados. E decidimos, em 2022, retornar às origens. Foram três anos para fazer a venda da Aesop, da The Body Shop e retornar à nossa fortaleza dentro da América Latina”, disse João Paulo Ferreira.

De acordo com o executivo, os investidores estavam esperando este momento chegar para voltar a olhar para as ações da Natura com atratividade, e esse momento chegou.

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Para uma retomada concreta de compra das ações, o executivo reconhece que falta mostrar consistência na expansão de receita, de rentabilidade e de caixa, que ao longo dos últimos anos ficaram comprometidas por uma série de eventos não recorrentes.

“Agora estamos com a operação e o balanço completamente limpos. Então eu tenho bastante confiança que daqui para frente conseguiremos entregar muita consistência e o mercado vai nos considerar”, disse Ferreira.

Retomada da marca Avon

O ano de 2026 deve marcar a retomada da marca Avon. A ideia, de acordo com o João Paulo Ferreira, é que a marca desperte mais desejo e ofereça produtos mais premium, mas sem perder o foco em ser uma alternativa mais acessível às linhas da própria Natura.

O CEO destaca que no segundo semestre de 2025 a companhia observou um acirramento do cenário competitivo brasileiro, com a força de marcas independentes e importadas.

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“Portanto, já no final do ano passado, nós revisitamos nosso funil de lançamentos para poder nos posicionar ainda melhor frente aos desafios concorrenciais. Ocorrerão uma sequência de lançamentos a partir do segundo trimestre em diante, que farão com que estejamos melhor preparados para enfrentar a concorrência”, disse na coletiva.

A marca deve ter uma alta no seu preço-médio quando comparada com ela mesma, tendo em vista a tecnologia e inovações que vem sendo empregadas na repaginação da Avon. De acordo com o executivo, nas próximas semanas devem ocorrer lançamentos.

Esse reposicionamento, entre outros fatores, é uma forma de fazer frente à marcas nativas digitais e que surgem a partir de influenciadores digitais.

“O papel estratégico da Avon é manter alta atividade em cenários de restrição de renda, por qualquer que seja a razão. A Avon tem justamente o papel de ser mais acessível, mas ela precisava ser mais atrativa também. É isso que acontece a partir de agora com o relançamento”, diz o CEO.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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