Money Picks

Mercado Livre, PicPay e Nubank em queda: oportunidade ou sinal de alerta?

02 mar 2026, 8:00 - atualizado em 02 mar 2026, 8:22

Nesta semana, a jornalista Juliana Caveiro apresenta o Money Picks com as ações brasileiras listadas na bolsa americana que entraram no modo desvalorização. É hora de vender ou comprar?

1 – Mercado Livre (MELI34)

Os BDRs do Mercado Livre recuaram após o balanço do quarto trimestre de 2025 mostrar lucro líquido de US$ 559 milhões, queda anual de 12,5% e abaixo do esperado. O Ebit veio praticamente em linha, mas a margem operacional caiu de 13,5% para 10,1%, o que pesou na reação negativa do mercado.

Por outro lado, a receita surpreendeu positivamente, com forte desempenho no Brasil e no México. O GMV cresceu 35% no Brasil no trimestre e 32% no acumulado do ano em reais, acima da média do mercado, indicando ganho de participação. A empresa segue expandindo marketing, logística, frete grátis e carteira de crédito, o que elevou provisões e pressionou o resultado operacional.

Para o  Itaú BBA, a estratégia faz sentido no momento de defesa e expansão de liderança. Bradesco BBI e XP Investimentos reconhecem a pressão de curto prazo, mas mantêm visão construtiva. A companhia troca margem por escala, apostando que o fortalecimento do ecossistema hoje sustente lucros maiores no futuro.

2 – PicPay (PICS)

O PicPay estreou na bolsa americana com forte demanda e preço no topo da faixa, mas as ações acumulam queda de cerca de 18% desde o IPO. A frustração veio da ausência de uma reprecificação rápida, comum em algumas teses de tecnologia, em meio ao mau humor global com empresas do setor.

Apesar disso, o Citi iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 28, enxergando potencial de alta relevante. A tese está centrada na expansão da carteira de crédito, que ainda tem apenas 0,5% de participação no mercado de pessoas físicas. O banco projeta crescimento de lucro, ROE de 20% em 2026 e 31% em 2027, apoiado por alavancagem operacional e diversificação de receitas.

O desafio está na execução. A expansão do crédito exige controle rigoroso da inadimplência e equilíbrio entre crescimento e risco. Parte dos investidores que apostava em valorização rápida pode ter saído, aumentando a volatilidade. No fim, o case divide opiniões entre potencial de expansão e sensibilidade ao risco de crédito.

3 –   Nubank (NU/ROXO34)

Os BDRs do Nubank caíram mais de 7% em dois dias, refletindo temores de que a inteligência artificial possa reduzir vantagens competitivas no setor financeiro. O movimento colocou o banco entre os piores desempenhos financeiros da América Latina em 2026, em meio ao debate sobre disrupção tecnológica.

O Itaú BBA, porém, discorda da visão pessimista. O banco projeta resultados fortes no quarto trimestre, com destaque para indicadores operacionais e ROE robusto. Na avaliação dos analistas, a IA não nivela automaticamente o jogo.O diferencial está na capacidade de aplicar a tecnologia com cultura orientada a dados e execução rápida.

Nesse contexto, o Nubank pode ser beneficiado por sua estrutura digital integrada e grande base de dados. Para o BBA, empresas que já nasceram tecnológicas tendem a extrair mais valor da IA. Assim, a queda recente pode representar oportunidade, mantendo-se a recomendação de compra.

4 – Bônus: Vivo (VIVT3

A Vivo foi destacada pela Empiricus Research como uma das ações mais promissoras para quem busca dividendos. Após anos de crescimento limitado no setor de telecom, a empresa aproveitou novas frentes como fibra ótica e 5G, investindo pesadamente — o que reduziu temporariamente geração de caixa e proventos.

Agora, os resultados começam a aparecer. O balanço do 4º trimestre de 2025 mostrou forte geração de caixa, com destaque para o avanço do Ebitda, menor capex e redução do capital de giro. O fluxo de caixa livre apresentou salto relevante, fortalecendo a capacidade de remuneração aos acionistas.

A Empiricus estima dividend yield de cerca de 6,3% para 2026 e destaca que as ações negociam a aproximadamente 5,5 vezes valor da firma sobre Ebitda, indicando potencial de valorização. Com isso, a Vivo integra a carteira recomendada da casa para quem busca renda consistente na bolsa brasileira.

O Money Picks vai ao ar toda segunda-feira com as melhores indicações de compra e venda de ações para a semana. Acompanhe todas as edições no canal do YouTube do Money Times.

*Com supervisão de Juliana Américo

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Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
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