Política

Moreira Franco diz que Brasil segue sem enfrentar problema fiscal: ‘Gasta mais do que tem’

14 jun 2026, 18:00 - atualizado em 15 jun 2026, 12:07
Moreira Franco,

O ex-ministro e ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco afirmou que o Brasil continua sem enfrentar o principal problema econômico do país: o desequilíbrio entre receitas e despesas públicas. Em entrevista ao podcast Market Makers, que foi ao ar neste domingo (14), o político avaliou que o debate econômico mudou pouco nas últimas décadas e que o país segue “rodando em torno do mesmo ponto”.

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“Na questão econômica, o Brasil gasta mais do que tem, mais do que pode. Então, permanentemente é uma crise sobre crise, com a inflação pressionando e a luta contra a inflação sendo objeto de preocupação e formulação de alternativas”, disse.

Segundo Moreira, diferentes governos apresentaram propostas para lidar com o problema, mas sem atacar a causa estrutural. “Há muita conversa, muitas propostas, mas não se enfrenta o problema. E o problema é igualzinho para você, para mim, para a sociedade inteira e para o governo sobretudo. Não pode se gastar mais do que se tem, do que se ganha, do que se produz.”

Na avaliação do ex-ministro, o desequilíbrio fiscal corrói os avanços institucionais conquistados após a redemocratização e ajuda a explicar a recorrência de crises econômicas no país.

“O processo de redemocratização foi uma luta bonita, mobilizadora, mas a questão econômica foi corroendo todo esse esforço institucional, político e constitucional. Nós ficamos rodando em torno do mesmo ponto”, afirmou.

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Transição entre FHC e Lula foi exemplo

Ao longo da entrevista, Moreira Franco citou a transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva como um dos momentos mais bem-sucedidos da política brasileira recente.

Segundo ele, apesar da polarização eleitoral da época, houve diálogo entre integrantes das equipes econômicas antes da posse, o que ajudou a preservar a confiança dos agentes econômicos.

“A mudança do governo Fernando Henrique para o primeiro governo Lula surpreendeu todo mundo. As pessoas achavam que seria um perrengue, mas não foi. Houve compreensão de que a questão econômica precisava ser enfrentada”, disse.

Para o ex-ministro, o primeiro mandato de Lula conseguiu preservar a estabilidade econômica herdada do governo anterior, contribuindo para a redução da inflação e para a recuperação da confiança.

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Temer e o ajuste fiscal

Moreira também elogiou a gestão de Michel Temer, da qual participou como ministro e coordenador do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Segundo ele, o principal mérito do governo foi colocar a reorganização das contas públicas no centro da agenda econômica.

“O grande esforço do governo do presidente Temer foi exatamente esse: organizar as finanças do país. O cidadão precisa saber quanto vale o seu trabalho e confiar na moeda. Conseguimos avanços incríveis naquele período”, afirmou.

O ex-ministro ainda destacou o documento “Ponte para o Futuro”, elaborado pelo MDB antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, como uma tentativa de apresentar uma agenda econômica clara para o país.

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Correios não precisam ser públicos

Ao comentar o debate sobre privatizações, Moreira Franco afirmou que a discussão costuma ser contaminada por disputas ideológicas e defendeu que a análise deve ser feita a partir da eficiência dos serviços prestados à população.

“Isso de dizer que, se privatiza, é de direita, e se não privatiza, é de esquerda, é uma bobagem”, afirmou.

Questionado especificamente sobre os Correios, ele disse que a estatal não precisa necessariamente permanecer sob controle do governo.

“Correio necessariamente não precisa ser público. É uma bobagem monumental isso. Precisa ser eficiente, eficaz, fazer com que a comunicação se dê de maneira produtiva”, declarou.

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Para o ex-ministro, qualquer processo de privatização deve ter como objetivo melhorar a qualidade dos serviços, e não atender interesses políticos ou de grupos específicos.

“Você privatiza desde que seja com seriedade. Não dá para fazer privatização para atender determinadas demandas de pessoas, grupos, amigos ou aliados. Tem que ser para melhorar a qualidade do serviço”, disse.

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