Moura Dubeux (MDNE3) recua quase 7% após anúncio de oferta de ações; veja riscos e oportunidades
As ações da incorporadora Moura Dubeux (MDNE3) recuam forte na bolsa de valores nesta quarta-feira (14) e figuram entre os destaques negativos da sessão.
Por volta das 12h10 (horário de Brasília), os papéis da companhia caíam aproximadamente 6,6%, negociados a R$ 24,18. Acompanhe o tempo real.
O movimento ocorre após a empresa anunciar que avalia uma oferta primária de ações com tamanho inicial de R$ 250 milhões, mas que poderia chegar a R$ 500 milhões.
Na avaliação do Safra, a operação tende a gerar cautela no curto prazo, o que ajuda a explicar o recuo na bolsa, especialmente por envolver uma diluição relevante em um momento em que o papel da incorporadora negocia a múltiplos comprimidos, em torno de 4,5 vezes o lucro.
Segundo os cálculos do banco, considerando o último preço de fechamento da ação, de R$ 25,90, a emissão no cenário base envolveria cerca de 9,7 milhões de novos papéis, o que representaria uma diluição de aproximadamente 10,2%. No caso de aumento total da oferta, esse percentual subiria para 18,6%.
Vale ressaltar, porém, que os acionistas controladores sinalizaram intenção de participar da operação com até R$ 90 milhões, o equivalente a cerca de 36% da oferta base.
Destinação dos recursos
De acordo com o Safra, a expectativa é que os recursos captados sejam direcionados principalmente para apoiar e acelerar o crescimento da marca Única, divisão da incorporadora voltada ao segmento de baixa renda.
Em outubro de 2025, a Moura Dubeux já havia demonstrado o objetivo de avançar no nicho de moradias populares ao anunciar uma joint venture com a Direcional (DIRR3). A oferta, portanto, poderia financiar os projetos da parceria.
Na visão do banco, a captação também pode servir para dar suporte ao pagamento antecipado de dividendos já anunciados, que somam cerca de R$ 352 milhões, com R$ 50 milhões distribuídos trimestralmente até 2027, além de reforçar o caixa para fins corporativos gerais, aumentando a flexibilidade financeira.
Os detalhes da alocação, no entanto, ainda não foram formalmente definidos pela empresa e devem ser divulgados após o lançamento oficial da oferta.
Pontos positivos
Embora a emissão possa gerar uma diluição de até 19% para os atuais acionistas, o Safra vê a iniciativa como positiva do ponto de vista estratégico, já que, após os dividendos anunciados, o patrimônio líquido da companhia deve encerrar 2025 em cerca de R$ 1,5 bilhão, nível considerado limitado diante da escala atual do negócio.
“Nesse contexto, a emissão poderia sustentar um novo ciclo de crescimento, com os lançamentos se estabilizando em aproximadamente R$ 5 bilhões, ante os atuais cerca de R$ 4 bilhões”, diz a instituição.
A casa ainda projeta que, em um cenário em que os controladores não participem da oferta, o free float poderia subir de 64,1% para 67,4%, o que tende a melhorar a liquidez dos papéis no mercado.