Moura Dubeux (MDNE3): Ações recuam 6% após balanço do 4T25; o que dizem os analistas?
As ações da construtora e incorporadora Moura Dubeux (MDNE3) reagem negativamente ao balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), divulgado na noite de quarta-feira (11). Apesar disso, entre analistas, a leitura é de que os números vieram sólidos.
Por volta das 13h30 (horário de Brasília), os papéis da companhia recuavam 6,4% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 30,63. Acompanhe a cotação em tempo real.
Na visão do analista Caio de Araujo, da Empiricus Research, os resultados, de forma geral, confirmam o bom momento operacional da Moura Dubeux, sustentado pelo modelo de condomínio e pela recente entrada em projetos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Entre outubro e dezembro passados, a companhia reportou lucro líquido de R$ 112 milhões, avanço de 149% em relação ao mesmo período de 2024. Já no acumulado de 2025, o montante chegou a R$ 420 milhões, crescimento de 67,4%.
A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 704 milhões no 4T25, alta anual de 91,6%, impulsionada, segundo Araújo, principalmente pelo modelo de condomínio.
A margem bruta ajustada foi de 33,7%, patamar dentro da faixa histórica da empresa, embora 9,3 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior — recuo explicado pelo formato de aquisição do terreno dos projetos reconhecidos no período.
Já o Ebitda ajustado alcançou R$ 138 milhões, crescimento de 159% na comparação anual, com margem de 19,6%, refletindo, de acordo com o analista, a expansão da receita e a diluição das despesas operacionais.
Desempenho operacional
No campo operacional, a companhia lançou três projetos no 4T25, totalizando R$ 988 milhões em valor geral de vendas (VGV) líquido —, mais que o dobro do volume registrado no mesmo período de 2024.
No acumulado do ano, os lançamentos atingiram cerca de R$ 4,6 bilhões, crescimento de 80,7%.
As vendas e adesões líquidas, por sua vez, somaram R$ 698 milhões entre outubro e dezembro, avanço de 34,1% na comparação anual.
“No acumulado de 2025, as vendas líquidas atingiram R$ 3,5 bilhões, aceleração de 47%, enquanto o VSO em 12 meses permaneceu elevado, em 51,7%, indicando boa liquidez do portfólio”, afirmou Araujo.
Segundo ele, as ações MDNE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus e negociam atualmente a aproximadamente 5,5 vezes os lucros projetados para 2026.
O que diz o Safra
Na mesma linha, o Banco Safra avaliou que a Moura Dubeux apresentou resultados trimestrais sólidos. A receita da companhia ficou 4% acima da estimativa do banco, enquanto o lucro líquido superou as expectativas em 5%.
Segundo a casa, o principal motor do desempenho foi o aumento das taxas de desenvolvimento de terrenos na divisão de condomínios, que fizeram com que a receita dessa área subisse 244% em um ano, chegando a R$ 482 milhões.
Outro destaque, de acordo com a instituição, foi o ROE (retorno sobre o patrimônio) anualizado de 29,5%, avanço de 6,6 pontos percentuais.
A incorporadora registrou consumo de caixa de R$ 28 milhões no 4T25, enquanto a alavancagem (dívida líquida sobre patrimônio) encerrou dezembro em 21,4%.
“No geral, mantemos nossa confiança no desempenho futuro da Moura, destacando seu pipeline de lançamentos diversificado, focado em segmentos mais defensivos, enquanto a empresa mantém os menores níveis de estoque entre seus pares listados, com cerca de 12 meses de vendas”, afirmou o Safra.
O banco também possui recomendação de compra para as ações da construtora, destacando que os papéis negociam a um múltiplo P/L de 5,6 vezes para 2026.