Moura Dubeux (MDNE3) tem 4T25 acima do esperado; é hora de comprar?
A Moura Dubeux (MDNE3) divulgou resultados operacionais considerados “bons” no quarto trimestre de 2025 (4T25), de acordo com analistas da XP Investimentos, com números que superaram as expectativas em várias frentes.
A corretora, que tem uma visão positiva para a companhia, manteve recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 31. O valor representa uma potencial valorização de cerca de 28% em relação à cotação atual, de R$ 24,22. Acompanhe o tempo real.
Os destaques do 4T25
Entre outubro e dezembro, os lançamentos líquidos com participação da incorporadora somaram R$ 998 milhões, uma alta de 115% em relação ao ano anterior e 66% acima da projeção interna da XP.
Esse volume incluiu três projetos de condomínios, com destaque para o Infinity Recife, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 385 milhões, Casa Macedo, com R$ 328 milhões, e Mood Club, com R$ 276 milhões.
As vendas líquidas também se destacaram no período, totalizando R$ 698 milhões, um crescimento de 34% em relação ao 4T24 e 5% superior às estimativas da corretora.
“A Moura Dubeux continua demonstrando forte absorção de projetos de condomínios de alto padrão, impulsionando números elevados de lançamentos e vendas. Isso reforça o domínio da companhia em suas principais regiões operacionais, beneficiando-se da forte demanda do mercado”, disse a XP em relatório.
“Esperamos que esses elevados níveis de lançamentos e adesões de condomínios sejam os principais impulsionadores do reconhecimento de receitas nos próximos trimestres, sustentando o momentum de lucros”, acrescentou.
A incorporadora reportou consumo de caixa de R$ 28 milhões no 4T25, menor que o consumo de R$ 77 milhões registrado no 3T25 e ligeiramente abaixo da expectativa da corretora, de R$ 29 milhões.
Visão do Safra
Por sua vez, o Safra avaliou que a companhia apresentou resultados operacionais “sólidos” entre outubro e dezembro, destacando que, diante do elevado volume de obras, a queima de caixa foi até moderada.
Em relatório, o banco ressaltou que, apesar de mais um ciclo robusto de lançamentos — que levou a empresa a fechar 2025 com recorde histórico de R$ 4,6 bilhões —, o estoque da Moura Dubeux segue em torno de 12 meses de vendas, o menor entre as incorporadoras de média e alta renda listadas na bolsa.
A instituição afirmou que mantém a confiança no desempenho futuro da incorporadora, apoiado por um pipeline diversificado, com foco em segmentos mais defensivos e exposição crescente ao mercado de moradias populares.
O Safra também tem recomendação de compra para MDNE3, com avaliação considerada atrativa de 4,4 vezes o lucro (P/L) estimado para 2026. O preço-alvo é de R$ 39, o que implica um potencial de valorização de cerca de 51%.
Ações em queda
Apesar dos números operacionais positivos, as ações da Moura Dubeux recuam forte na bolsa nesta quarta-feira (14) e figuram entre os destaques negativos do pregão. Por volta das 14h40 (horário de Brasília), os papéis caíam aproximadamente 6,1%.
O movimento ocorre após a empresa anunciar que avalia uma oferta primária de ações com tamanho inicial de R$ 250 milhões, mas que pode chegar a R$ 500 milhões.
Segundo o próprio Safra, a operação tende a gerar cautela no curto prazo, especialmente por envolver uma diluição relevante para os acionistas.
De acordo com os cálculos da instituição, considerando o último preço de fechamento, de R$ 25,90, a emissão representaria uma diluição aproximada de 10,2%. Em um cenário de aumento total da oferta, esse percentual poderia subir para 18,6%.
Foco no Minha Casa, Minha Vida
A expectativa do banco, que vê a iniciativa como positiva do ponto de vista estratégico, é que os recursos captados sejam direcionados principalmente para apoiar e acelerar o crescimento da marca Única, divisão da incorporadora voltada ao segmento de baixa renda.
Em outubro de 2025, a Moura Dubeux já havia demonstrado o objetivo de avançar no nicho de moradias populares ao anunciar uma joint venture com a Direcional (DIRR3) para atuar na Faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) nas principais capitais do Nordeste. A oferta, portanto, poderia financiar os projetos da parceria.
“A emissão pode sustentar um novo ciclo de crescimento da Moura, com os lançamentos se estabilizando em torno de R$ 5 bilhões, ante os atuais cerca de R$ 4 bilhões”, projetou o Safra.
Da mesma forma, a XP avalia que os recursos podem ser usados tanto para acelerar a expansão quanto para ampliar a flexibilidade financeira da companhia.
Aumento da liquidez
Apesar da queda desta quarta-feira (14), as ações da Moura Dubeux acumulam valorização de 134% nos últimos 12 meses. Ainda assim, o papel enfrenta liquidez limitada, inferior a de pares do setor.
Nesse sentido, a oferta também poderia ter como objetivo aumentar o volume médio diário negociado, hoje em torno de R$ 30 milhões, além de atrair novos investidores, inclusive estrangeiros.