MRV (MRVE3) cai 6% após prévia do 1T25; analistas citam geração de caixa mais fraca no Brasil
As ações da MRV&Co (MRVE3) recuavam 6,2% nesta terça-feira (7), a R$7,45, após a divulgação da prévia operacional do primeiro trimestre, com analistas destacando uma leitura mista dos números, marcada por geração de caixa mais fraca no Brasil e contribuição relevante da venda de ativos nos Estados Unidos.
Na avaliação do Bradesco BBI, divulgada antes da abertura do mercado, a transferência de clientes para a Caixa frustrou a expectativa de geração líquida levemente positiva no período, além de uma velocidade de vendas mais fraca que o esperado. Ainda assim, o banco destacou que a geração de caixa bruta permaneceu positiva.
A transferência de clientes para a Caixa ocorre quando compradores passam do pagamento direto à construtora para o financiamento bancário, momento em que o banco quita o saldo do imóvel e gera entrada de caixa para a MRV.
Por outro lado, a continuidade das vendas de ativos da Resia contribuiu para a geração de caixa consolidada, fator considerado relevante para o cumprimento de covenants e para a percepção de risco do balanço, disse o banco.
O Bradesco BBI manteve recomendação de compra para a ação e ressaltou que a MRV negocia atualmente a cerca de 0,7 vez o valor patrimonial, com expectativa de melhora gradual dos resultados ao longo dos próximos trimestres.
Caixa pressionado por juros nos EUA
A Genial Investimentos também avaliou que o trimestre trouxe avanços consistentes, com crescimento das vendas no Brasil e melhora na geração de caixa. A casa pondera que o caixa ajustado ainda segue pressionado pelos juros elevados dos projetos nos Estados Unidos.
Para a Genial, as mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida, com ampliação das faixas de renda e dos tetos dos imóveis, devem impulsionar a demanda nos próximos trimestres. A companhia, segundo a casa, segue focada na desalavancagem do balanço e na redução dos riscos associados à operação americana.
Já o BTG Pactual classificou os números como mistos, com lançamentos e vendas sólidos, mas fluxo de caixa livre mais fraco no Brasil. O banco destacou que a operação brasileira registrou consumo de caixa no trimestre, impactado pela sazonalidade do período e pela concentração das vendas em março, o que reduziu a transferência de clientes para bancos.
Por outro lado, a Resia apresentou geração de caixa relevante, impulsionada pela venda de projetos e terrenos, além de avanços na pré-locação de empreendimentos, disse o banco.
Ainda assim, o BTG ressalta que o foco dos investidores segue na geração de caixa livre, o que pode pressionar a leitura de curto prazo, apesar da recomendação de compra e do potencial de valorização com a normalização dos resultados.
O desempenho da MRV
A MRV&Co registrou geração de caixa de R$ 387 milhões no primeiro trimestre, impulsionada pela venda de ativos nos Estados Unidos e pelo desempenho da incorporação no Brasil.
A MRV Incorporação gerou R$ 96 milhões no período, revertendo consumo de caixa de um ano antes. Após ajustes – , entre eles a exclusão da cessão de carteira e a mudança de critério de pagamento da Caixa Econômica Federal, em que o depósito do valor das unidades repassadas só é feito após o registro em cartório -, houve consumo de R$ 24,2 milhões.
O valor represado na Conta Transitória da Caixa caiu R$ 46,6 milhões.
A Resia, nos EUA, gerou US$ 67 milhões com venda de ativos, enquanto Urba e Luggo consumiram R$ 28,5 milhões e R$ 14,8 milhões, respectivamente.
As vendas líquidas da MRV Incorporação somaram R$ 2,47 bilhões, alta anual de 13,9%, com lançamentos de R$ 2,9 bilhões. Segundo o CFO Ricardo Paixão, a companhia reforçou lançamentos para aproveitar as mudanças no Minha Casa, Minha Vida, que devem elevar a capacidade de compra e sustentar a expansão das vendas.