Mundo em guerra: como a geopolítica está movimentando bilhões e gerando uma nova oportunidade de investimento
Nos últimos anos, o ambiente geopolítico tornou-se mais instável. A guerra na Ucrânia, as tensões no Oriente Médio e na Ásia e a disputa entre Estados Unidos e China deixaram claro que os países estão mais preocupados com segurança e autonomia.
Isso acabou levando a um forte aumento nos gastos militares. Em 2025, o mundo gastou cerca de US$ 2,6 trilhões com defesa, o que equivale a 2,5% de tudo o que é produzido globalmente. Esse gasto também é bastante concentrado: apenas cinco países (EUA, China, Rússia, Alemanha e Índia) representam mais da metade desse total.
Os Estados Unidos continuam liderando em termos absolutos. O orçamento militar deve chegar a US$ 980 bilhões em 2025 e pode atingir US$ 1,5 trilhão até 2027. Ainda assim, esse nível permanece abaixo da média histórica do país, o que indica que há espaço para novos aumentos.

Na Europa, a guerra também mudou completamente o panorama dos investimentos regionais. Países que vinham reduzindo seus investimentos militares agora estão fazendo o oposto. A Alemanha é um bom exemplo, pois pretende gastar cerca de € 82,7 bilhões em defesa em 2026, além de um pacote adicional de € 100 bilhões para modernizar suas Forças Armadas.
Esse aumento de gastos naturalmente beneficia as empresas do setor. Em 2024, o faturamento das companhias de defesa atingiu US$ 922 bilhões. Os lucros também avançaram, passando de US$ 75 bilhões para US$ 84 bilhões em 2025.
E o mais importante é que os pedidos e encomendas de aeronaves seguem fortes. As empresas estão recebendo mais pedidos do que conseguem entregar, o que aumenta a visibilidade de receita para os próximos anos.
Nesse contexto, o mercado já começou a pagar preços mais elevados para refletir esse movimento. Um exemplo é o ETF de defesa nos Estados Unidos, o ITA (BDR: BAER39), que reúne várias empresas do setor e subiu cerca de 88% desde o começo de 2024, aproximadamente o dobro do S&P 500 para o mesmo período.
Nesse veículo de investimento, estão grandes fabricantes de aviões, equipamentos militares e sistemas de defesa que são líderes globais.

Mas nem tudo é positivo. O setor é muito dependente do cenário global. Se houver mudanças nas prioridades dos governos, os investimentos podem cair. Além disso, existem desafios na produção, como a falta de componentes e a dependência de matérias-primas estratégicas, como terras raras, que são dominadas pela China.
No geral, o que estamos vendo é o início de um novo ciclo global de investimentos em segurança e defesa, com características estruturais. A combinação de tensões geopolíticas e avanços tecnológicos está impulsionando esse movimento.
Para os investidores, isso representa uma nova oportunidade de investimento em empresas tradicionais e também em companhias modernas e disruptivas.