N5X entra com pedidos no BC e CVM para se tornar 1ª bolsa de energia do Brasil
A N5X submeteu pedidos ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para se tornar a primeira bolsa para negociação de contratos futuros de energia elétrica do Brasil, um projeto apoiado por grandes geradores de energia que pode sair do papel em 12 a 24 meses, disse à Reuters a CEO Dri Barbosa.
A iniciativa, gestada desde 2023, avança para se materializar em um momento crítico para o mercado de comercialização de energia, que movimenta valores bilionários em operações bilaterais, sem uma contraparte central, o que impõe riscos elevados às empresas.
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A última quebradeira de comercializadoras no ano passado motivou a saída desse mercado de importantes players, como CPFL e CTG Brasil, mostrou uma reportagem da Reuters.
Joint venture entre um fundo apoiado pela B3 e a Nodal Exchange, bolsa de derivativos da alemã European Energy Exchange (EEX), a N5X já opera no Brasil uma plataforma para negociações de contratos com entrega física de energia, mas entende que o mercado e a liquidez só aumentarão com a oferta de contratos futuros e a chegada de uma “clearing” que dará garantia às operações.
A empresa ingressou com pedido na CVM para ofertar futuros de energia e no Banco Central para a instituição da contraparte central. Os prazos para obtenção das aprovações tendem a ser diferentes, mas a N5X aguardará ambas para iniciar as operações.
A criação de uma bolsa promete reconfigurar a comercialização de energia no Brasil, que hoje ocorre por meio de transações difusas e não organizadas, muitas vezes por telefone ou WhatsApp. Quem busca mais segurança geralmente recorre à plataforma do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), que negocia contratos físicos de energia e também derivativos, mas estes últimos com baixa liquidez.
Na visão da CEO da N5X, o mercado gradualmente migrará dos contratos de energia física para os futuros, podendo chegar a ser um mercado tão líquido como o da Alemanha, “hub” da Europa para hedge de energia.
“O fato de o Brasil ter uma descontratação (de energia) no mercado regulado, e esse volume migrar para o mercado livre, se faz necessário que as geradoras tenham uma solução de hedge perfeito. Porque o que se tem hoje não é isso, quando você se coloca numa relação bilateral que tem o risco de a contraparte não honrar o contrato, deixa de ser um hedge perfeito”, aponta.
“A Alemanha tem um múltiplo de 12,6 vezes a negociação de contratos futuros em relação ao consumo no ano. No Brasil a gente fala entre 4 e 5,5 vezes no bilateral, já tem um giro relevante.”
A N5X estima que a bolsa brasileira de energia poderá atingir, nos primeiros anos, mais de 1.000 TWh negociados anualmente em futuros. Esse volume de energia é superior ao consumo anual do Brasil, de 630 TWh, e também da Alemanha, de 460 TWh, apontou a CEO.
O Brasil é o sexto maior mercado consumidor global de energia, segundo a empresa.
O projeto da N5X prevê que os agentes poderão optar pela liquidação por entrega simbólica de energia, mediante registro do contrato de comercialização junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mantendo a conexão entre o mercado de derivativos e o mercado de curto prazo físico de energia.
Apoio dos grandes geradores
A criação de uma bolsa tem sido publicamente apoiada por grandes geradores, como Axia (ex-Eletrobras), Casa dos Ventos e Eneva, que dependem das vendas de energia para garantir previsibilidade de receitas, se proteger de riscos das variações de preços, entre outros.
Vários geradores pararam de operar junto a comercializadoras menores depois dos últimos calotes no ano passado, devido à falta de visibilidade sobre a qualidade de crédito dessas empresas.
Sobre as críticas, vindas principalmente das comercializadoras, de que a bolsa de energia limitaria o número de participantes no mercado, dado o fôlego financeiro exigido para depósitos de garantias, a CEO da N5X avalia que essa dinâmica é necessária para uma evolução do mercado.
“Você pode, sim, operar na N5X, desde que você tenha garantias suficientes para operar aquele portfólio… Ao longo do tempo ele vai poder trabalhar essas posições (vendido ou comprado) para ficar dentro das garantias que tem, vão ter oportunidades ali para trabalhar.”
“As comercializadoras são super importantes porque são elas que dão liquidez para o mercado. Se a N5X já tivesse no ar, elas poderiam estar na bolsa, aportar garantias e dar liquidez”, acrescentou.