Internacional

“Não é aleatório”: timing do ataque ao Irã levanta leitura política de Trump, diz estrategista

28 fev 2026, 12:32 - atualizado em 28 fev 2026, 12:32
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(Imagem: REUTERS/Piroschka Van De Wouw)

O ataque dos Estados Unidos, em coordenação com Israel, contra o Irã no fim de semana reacendeu a tensão no Oriente Médio e já coloca o mercado em alerta para começar a semana. Mas, além da geopolítica e da segurança internacional, há uma leitura política doméstica por trás do movimento.

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Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o timing da ofensiva não é aleatório. O ataque foi realizado entre sexta e sábado, quando os mercados estão fechados.

“Trump faz de novo um ataque de sexta para sábado de madrugada. Ele é bem antenado ao mercado financeiro e espera o fim de semana para não afetar os preços imediatamente”, afirma.

Segundo Cruz, a decisão também ocorre em um momento de desgaste interno para o presidente americano. Nos últimos dias, o chefe da  Casa Branca enfrentava pressão relacionada ao caso Epstein, além de ruídos envolvendo a queda na popularidade.

Caso Epstein 

Sobre o caso Jeffrey Epstein, democratas acusaram o governo, na última semana, de promover “o maior encobrimento governamental da história moderna” após reportagens indicarem lacunas na divulgação dos chamados “Arquivos Epstein”.

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O Departamento de Justiça tornou públicas milhões de páginas ligadas ao financista, com base em uma lei de transparência aprovada no ano passado. No entanto, a National Public Radio, uma rede pública de rádio dos Estados Unidos, identificou a ausência de documentos relacionados a uma denúncia de agressão sexual feita em 2019 por uma mulher que também citou Trump.

Segundo os índices oficiais dos arquivos, o FBI teria realizado quatro entrevistas com a denunciante e produzido resumos e anotações. Porém, apenas um desses registros aparece na base de dados pública. Os demais não foram disponibilizados, segundo revisão feita pela emissora e confirmada por outros veículos.

Trump nega qualquer irregularidade e afirma que a divulgação dos documentos o isenta. Já parlamentares democratas do Comitê de Supervisão da Câmara acusam o Departamento de Justiça de ocultar material relevante e prometem abrir investigação paralela para exigir a entrega dos arquivos faltantes ao Congresso.

Pesquisa mostra preocupação com lucidez de Trump

Além da questão relacionado ao Caso Epstein, uma pesquisa nessa última semana também mexeu com o presidente norte-americano. O levantamento Reuters-Ipsos apontou que 61% dos americanos concordam que Trump “se tornou errático com a idade”. O dado chama atenção porque inclui 30% dos próprios republicanos. A taxa supera patamares registrados em momentos críticos do primeiro mandato, como após a invasão do Capitólio em 2021, quando os questionamentos não chegaram à maioria da população.

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A mesma pesquisa mostrou queda na percepção de que Trump é “mentalmente lúcido e capaz de lidar com desafios”: o índice recuou de 54% em setembro de 2023 para 45% atualmente.

Dados do Pew Research Center também apontam erosão dentro da própria base: a fatia de republicanos “muito confiantes” na capacidade mental de Trump caiu de 75% para 66% em um ano.

Embora os números ainda não atinjam os níveis observados com Joe Biden no fim de seu mandato, os indicadores mostram uma tendência de desgaste que começa a atravessar o eleitorado conservador — justamente em um momento em que o presidente busca reafirmar liderança e controle da narrativa.

Ajuste de narrativa

Na avaliação de Cruz, a ofensiva contra o Irã ajuda a reorganizar a narrativa política.

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“De tudo que teve negativo internamente recente, ele realinha os seus defensores. Aqueles que são mais ao centro passam a dizer que o problema não está aqui dentro, o inimigo está lá fora, é o Irã”, diz.

O deslocamento do foco do debate doméstico para uma ameaça externa tende a fortalecer a base política e reduzir a pressão sobre temas internos sensíveis.

Embora o mercado esteja atento aos impactos sobre o petróleo e à possibilidade de escalada militar na região, parte da explicação para o ataque pode estar no tabuleiro político de Washington.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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