Entrevista

‘Não é uma aventura, não é algo que começou ontem’, diz CFO da Riachuelo sobre resultados históricos

23 fev 2026, 7:00 - atualizado em 20 fev 2026, 16:35
Miguel Cafruni - Riachuelo
(Imagem: Divulgação)

A Riachuelo (RIAA3) defende que o seu desempenho no quarto trimestre de 2025 foi fruto de uma trajetória de transformação, decisões ponderadas e potencialização das vocações. “Não é uma aventura, não é algo que começou ontem”, disse Miguel Cafruni, CFO da varejista, em entrevista ao Money Times.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para recapitular, a varejista reportou um lucro líquido consolidado de R$ 321,9 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), um avanço de 28,8% na comparação anual.

No acumulado de 2025, a Riachuelo registrou o melhor ano da série histórica, com lucro líquido acumulado de R$ 512,1 milhões e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorde de R$ 1,8 bilhão no ano.

No quarto trimestre de 2025, o Ebitda consolidado atingiu R$ 659,8 milhões, com margem Ebitda consolidada de 20,6%, avanço de 1,9 ponto percentual ante o mesmo período em 2024. É o nível mais alto dos últimos cinco anos.

Segundo Cafruni, o desempenho é fruto de uma combinação de foco, disciplina e clareza estratégica, ao mesmo tempo em que a companhia prioriza o ganho de margens.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Esse ano [de 2025] consolida mais um passo da transformação que iniciamos em 2023, com a vinda do André [CEO]. Temos alguns pilares muito potentes dessa transformação. O mais claro é que não é uma transformação que estamos dando cavalo de pau ou reescrevendo a companhia. Muito pelo contrário”, pondera o executivo

De acordo com o CFO, três potências são base e ganham o foco da companhia: marca, fábrica própria e um braço financeiro, com a Midway.

O executivo destaca que a companhia traçou estratégias para explorar cada uma dessas potências, apoiada em clareza sobre onde a marca pode chegar, o que pode entregar e de forma que a cadeia pode operar entregando mais margem bruta.

“Estamos só no começo. Ainda temos muito para extrair e fazer e temos clareza disso. Seguimos muito disciplinados e com muito pé no chão, porque temos muita confiança de que a gente está nos primeiros passos dessa jornada”, disse ao Money Times.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O que vem pela frente?

Para 2026, a Riachuelo está com a expansão de lojas no radar. Em um ano voltado para  expansão, a ambição é de abrir entre 15 e 20 lojas.

Em 2024, o CFO recorda que houve a abertura de apenas uma Riachuelo, localizada em Cascavel, no Paraná. Já em 2025, oito novas lojas foram abertas.

“Fizemos um estudo profundo, a nível Brasil, para identificar onde cabe uma Riachuelo […] Vimos um potencial de 150 a 200 lojas. Isso numa ambição, não é para amanhã e não é para o próximo ano, mas é ao longo dessa transformação e dessa trajetória”, diz.

Segundo Cafruni, ainda há muito o que capturar e foco em aperfeiçoar o modelo operacional na fábrica, localizada no Rio Grande do Norte.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do lado da financeira, o foco está em expandi-la cada vez mais para além do apoio ao consumo no varejo, buscando consolidá-la com outros produtos que eventualmente gerem até mais retorno do que o próprio consumer finance.

O ‘segredo’ para navegar na Selic

Taxa básica de juros (Selic) elevada é um fator comumente classificado como negativo para o varejo. Apesar disso, a Riachuelo entregou um resultado lido como sólido por analistas mesmo com o atual nível de 15%.

Há alguns meses, o Itaú BBA publicou relatório com a principal conclusão de que a Riachuelo tinha muito mais “alpha” do que “beta”, ou seja, que alavancas internas de geração de valor (bottom-up) poderiam se traduzir em retornos bem acima da média e de forma composta.

Cafruni contou que a Riachuelo opta por conduzir o negócio respeitando certas premissas de responsabilidade, que preveem diligência e consistência no que a companhia se propõe a fazer.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O executivo reconhece que com a queda da Selic, há um alívio no endividamento das famílias e um alívio no consumo, mas chama atenção para a companhia já navegar em um cenário de juros elevados há algum tempo e, ainda assim, entregar resultado.

“A gente vem conseguindo por dez trimestres consecutivos crescer e venda, por nove consecutivos crescer em cima de margem bruta, mais que dobramos o lucro em relação ao ano passado […] Mas não é porque estamos com bons resultados que vamos ‘animar’ mais e mudar nossa disciplina e maneira de operar”, coloca.

Cafruni é enfático ao pontuar que a companhia não tem a menor intenção de navegar entre altos e baixos. A ordem é constância.

Apesar de saudar o início iminente início da flexibilização, o diretor financeiro pontua que a postura da companhia será de observar e entender como irá refletir na companhia para, só então, mudar o olhar interno para os juros. Ele recorda o fim de 2024, quando existia uma expectativa de Selic abaixo de dois dígitos em 2025 e o cenário que se concretizou foi justamente o dos juros em 15%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“O que não queremos é aquele ciclo de bonança e depois de tristeza, bonança e tristeza. Para nós, isso não é uma maneira de operar. Nem passa pela nossa cabeça um cenário de operar desse jeito. Não abrimos mão dessa consistênci”, afirma.

Se o macro melhorar, o CFO afirma que a Riachuelo está preparada para melhorar também. No entanto, se o macro se mantiver estável, a companhia também espera se manter estável, o que, segundo Cafruni, significa continuar com bom resultado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar