Natura (NATU3) reverte prejuízo e lucra R$ 186 milhões no quarto trimestre
A Natura (NATU3) registrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período de 2024, mesmo em um trimestre marcado por queda de receitas e impactos contábeis ligados à simplificação do grupo.
O resultado ainda foi pressionado por uma provisão não recorrente de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop, sem efeito caixa. Excluindo esse impacto, o lucro das operações continuadas teria sido de R$ 620 milhões, avanço anual de R$ 321 milhões.
A receita líquida somou R$ 6,19 bilhões no trimestre, queda de 12,1% na comparação anual, refletindo principalmente a desaceleração no Brasil e os efeitos cambiais e de hiperinflação em mercados da América Hispânica, especialmente a Argentina.
Segundo a companhia, a queda também está ligada à reestruturação operacional e à integração das marcas Natura e Avon em mercados-chave.
“A desaceleração das receitas refletiu principalmente o desempenho mais fraco no Brasil e as instabilidades relacionadas à integração das marcas na Argentina, além de pressões cambiais e do impacto da hiperinflação”, afirmou a Natura, no documento publicado na noite desta segunda-feira (16).
Mesmo com a pressão no topo da linha, a rentabilidade apresentou melhora. O Ebitda recorrente atingiu R$ 978 milhões, avanço de 57,2% na comparação anual, com margem de 15,8%, expansão de cerca de 7 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024.
A companhia atribui o ganho de rentabilidade principalmente a eficiências operacionais e redução de despesas. “A expansão da margem reflete ganhos nas despesas com vendas, gerais e administrativas, impulsionados pelas eficiências da integração entre Natura e Avon, reduções táticas de custos e ajustes estratégicos na remuneração variável”, disse a empresa.
Também houve melhora na estrutura de custos. As despesas com vendas caíram 20,5% no trimestre, refletindo a queda da receita e otimizações comerciais, enquanto as despesas gerais e administrativas recuaram 20%, beneficiadas por eficiências da integração das operações e pela redução das despesas corporativas da antiga holding.
Natura vê Brasil desacelerar
No Brasil, a receita líquida recuou 4,8% no quarto trimestre, para R$ 3,77 bilhões, impactada pela queda na atividade das consultoras e pelo desempenho mais fraco da marca Avon.
“A ligeira queda da marca Natura reflete principalmente a redução no número e na atividade das consultoras menos produtivas, enquanto a Avon ainda enfrenta pressões enquanto aguarda a tração do relançamento iniciado em março”, disse a companhia. Em meio a uma reestruturação, a empresa limpou parte do seu quadro de colaboradores.
Por outro lado, canais digitais e varejo no Brasil continuaram crescendo. As vendas digitais avançaram 24,5% no trimestre, impulsionadas por iniciativas como live commerce e pela digitalização da base de consultoras.
Já na América Hispânica, a receita caiu 21,5%, para R$ 2,42 bilhões, refletindo principalmente o impacto da hiperinflação e da desvalorização cambial na Argentina, além das instabilidades operacionais decorrentes da integração entre Natura e Avon na região.
Resultado financeiro e alavancagem
O resultado financeiro líquido da Natura foi negativo em R$ 128 milhões no trimestre, deterioração frente ao ganho de R$ 28 milhões no mesmo período de 2024.
A piora refletiu principalmente o aumento das despesas financeiras, que somaram R$ 156 milhões, em linha com a alta do CDI no período.
Ao final de dezembro, a dívida líquida da companhia era de R$ 3,5 bilhões, queda de R$ 567 milhões em relação ao trimestre anterior, impulsionada pela geração de caixa sazonal típica do final do ano.
Com isso, a alavancagem caiu para 1,57 vez dívida líquida/EBITDA, ou 1,31 vez ao excluir efeitos não recorrentes, permanecendo dentro da faixa considerada ideal pela companhia.