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Natura (NTCO3): JP Morgan rebaixa ação após surpresas negativas no 4T24; o que preocupa analistas?

17 mar 2025, 9:25 - atualizado em 17 mar 2025, 9:25
natura
O JP Morgam cortou a recomendação para as ações da Natura após os resultados do 4T24 (Imagem: Divulgação)

Após os resultados do quarto trimestre de 2024 da Natura (NTCO3) surpreenderem negativamente, o JP Morgan rebaixou as ações de compra para neutra, com um preço-alvo de R$ 11.

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Na sexta-feira (14), em reação ao balanço, NTCO3 viveu um dia para esquecer, com uma queda de 30% no Ibovespa (IBOV).

“Um movimento tão selvagem e raramente visto para uma empresa com um balanço patrimonial saudável nos leva a reavaliar nossa tese e entender o que foi negligenciado, especialmente devido ao recente aumento do interesse nas ações”, avalia a equipe de analistas liderada por Joseph Giordano.

Os analistas do banco reconhecem que uma volatilidade dos lucros em meio a movimento e integrações é natural, uma vez que esses movimentos não contam com uma linearidade. Nesse sentido, a Natura está em processo de definir o futuro da Avon Internacional, além da implementação do Onda 2 (processo de integração entre as marcas Natura e Avon na América Latina).

No entanto, o JP Morgan destaca que as tendências eram positivas nas principais operações da América Latina, com indicativos de melhorias contínuas. Portanto, testemunhar uma perda de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de mais de 30% devido à margem bruta e despesas é “frustrante”.

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“Essa frustração é agravada pelo fato de já estarmos excluindo eventos pontuais, que parecem cada vez mais recorrentes —encargos semelhantes foram observados nos anos fiscais de 2023 e 2024, com comentários indicando que estes devem permanecer elevados também em 2025”, ponderam os analistas.

O que esperar da Natura?

O JP Morgan coloca que a companhia contava com confiança da administração construída em torno de uma entrega sólida dentro de sua estratégia de simplificação e desalavancagem dos negócios e melhorias iniciais nos resultados, além da execução da empresa em seu negócio principal.

Contudo, com direcionadores perdidos e eventos pontuais recorrentes, os analistas veem a confiança de execução estabelecida com o mercado sendo minada. “Isso levanta questões sobre as tendências de melhoria de margem na América Latina e ajustes de resultados, enquanto obscurece a visibilidade de médio/longo prazo”, colocam.

No geral, a tese permanece um tanto inalterada, segundo o JP Morgan, com uma potencial “vaca leiteira” (boa pagadora de dividendos) emergindo da América Latina após a integração das operações da Avon América Latina na estrutura da Natura e potencial alienação das operações da Avon Internacional. Continuamos a acreditar que esta última deve ser abordada em breve.

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“No entanto, o negócio principal da América Latina, não apresentando um desempenho tão saudável quanto o esperado, dilui a tese de curto prazo de uma sólida ‘vaca leiteira'”, avaliam.

Além disso, ao revisitar o modelo, o JP Morgan reduziu sua estimativa de lucro por ação ajustado em aproximadamente 30%, refletindo tendências de margem bruta mais fracas e despesas mais altas.

O balanço do 4T24

A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 438,5 milhões referente ao quarto trimestre de 2024 (4T24). A cifra representa uma redução de 83,5% na linha, em comparação com prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões no mesmo período de 2023.

Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciação) ficou negativo em R$ 139,6 milhões entre outubro e dezembro, ante Ebitda positivo de R$ 466 milhões no mesmo período de 2023.

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Já o Ebitda recorrente foi de R$ 703,3 milhões no período. A margem Ebitda foi de 9,1%, redução de 70 pontos-base na base anual.

Segundo a companhia, o Ebitda recorrente foi mais do que compensado pelos ajustes não operacionais de -R$ 843 milhões relacionados principalmente ao suporte da Natura &Co à Avon Products Inc. (API) no contexto do Chapter 11 (recuperação judicial nos Estado Unidos) e a investimentos em integração da Onda 2, além de -R$ 114 milhões de operações descontinuadas.

receita líquida consolidada somou R$ 7,7 bilhões, um avanço de 16,1% em relação ao mesmo período de 2024.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas.
lorena.matos@moneytimes.com.br
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