Cotações por TradingView
Cotações por TradingView

Navios à espera de açúcar do Brasil sinalizam demanda em alta

06/05/2020 - 8:40
Caminhões Transportes Logística
Até segunda-feira, a fila de navios sendo carregados ou à espera da matéria-prima no Porto de Santos havia aumentado 50% desde 30 de abril (Imagem: Reuters/Paulo Whitaker)

No Brasil, maior produtor global de açúcar, a fila de navios que aguardam para embarcar a commodity se torna cada vez mais longa, um sinal de positivo de que os maiores suprimentos já vinculados à expiração de um contrato futuro serão embarcados para consumidores no mundo todo.

Até segunda-feira, a fila de navios sendo carregados ou à espera da matéria-prima no Porto de Santos havia aumentado 50% desde 30 de abril, data de vencimento do contrato de açúcar bruto para entrega em maio na ICE Futures U.S., segundo dados da agência de navegação Williams.

O número subiu para 35 navios, que esperam embarcar 1,6 milhão de toneladas de açúcar destinados a países como Iraque, Bangladesh, Iêmen, Marrocos, China e Nigéria.

O prêmio de açúcar refinado em relação ao tipo bruto não processado subiu para o nível mais alto desde 2013, frequentemente um sinal de ganhos.

Na semana passada, o cenário era incerto, pois a Wilmar International, com sede em Cingapura, e a chinesa Cofco International, que geralmente abastecem mercados consumidores, combinaram para entregar um recorde de 2,26 milhões de toneladas do Brasil contra o contrato da ICE.

Os futuros mais ativos acumulam baixa de 20% neste ano, sob o impacto da pandemia de coronavírus na economia global.

Quando o comprador escolhe um navio rapidamente, isso normalmente “mostra que há demanda no destino final ou pelo menos ele quer que pareça que existe”, e os preços tendem a responder, disse em relatório Arnaldo Correa, sócio da Archer Consulting.

O prêmio do tipo refinado impulsiona a demanda por açúcar bruto, disse Michael McDougall, diretor-gerente da Paragon Global Markets, em Nova York.

A queda da produção na Tailândia e as projeções de exportações moderadas da Índia mostram que a América do Sul puxa os suprimentos, disse.

Com isso, a capacidade do Brasil de atender à demanda será “muito importante”, pois as usinas enfrentam problemas financeiros com a recente desvalorização dos preços e queda na demanda por etanol, disse. A alta do dólar em relação ao real torna as exportações mais competitivas, afirmou.

O consumo no Oriente Médio geralmente cresce durante o Ramadã, que dura 30 dias e termina em 23 de maio.

No entanto, o aumento das exportações de soja do Brasil pode congestionar os embarques, disse Bruno Lima, gestor de risco da INTL FCStone.

Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro?

Receba de segunda a sexta as principais notícias e análises. É grátis!

Última atualização por Rafael Borges - 06/05/2020 - 8:40