Nem meio, nem 0,25 p.p.: XP prevê manutenção da Selic nesta quarta-feira (18); entenda os motivos
As apostas para a reunião desta quarta-feira (16) começaram a mudar. Se antes a expectativa era de um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) – com os mais otimistas projetando 0,75 p.p. – agora, parece que o vento mudou de direção. Com o cenário internacional fazendo pressão na inflação global, a XP Investimentos passou a acreditar em manutenção da Taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
“Nossa projeção anterior indicava um corte de 0,50 p.p.. A nosso ver, há mudanças e incertezas suficientes no cenário para justificar uma abordagem mais cautelosa de ‘esperar para ver’, sem comprometer a credibilidade da autoridade monetária”, destacou a casa em relatório recente.
O prolongamento da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã – e a alta no preço do petróleo – tem feito o mercado rever suas expectativas para a taxa de juros brasileira. No mercado de opções, a expectativa de um corte de 0,25 p.p. começou a entrar em cena na quinta-feira (12). Agora, foi a vez dos bancos e casas de análise revisitarem suas expectativas. Até o momento, a XP foi a mais conservadora.
Segundo o documento publicado mais cedo, os economistas da casa avaliam que apesar do comitê ter sinalizado que poderia dar início ao ciclo de flexibilização monetária, o panorama atual não é o “cenário esperado” para que o movimento se concretize.
O foco principal da análise da equipe gira em torno da inflação, peça-chave para que o Copom comece a cortar juros. Na avaliação deles, os recentes dados e as notícias pioraram o cenário e reforçam a expectativa da inflação acima da meta projetada pelo Banco Central de 3% – com 1,5 p.p de tolerância para cima e para baixo.
O que pesa na inflação
Parte da deterioração do cenário inflacionário vem justamente da disparada do petróleo. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, o barril do Brent saiu de níveis próximos a US$ 60 considerados nas projeções do Copom em janeiro para patamares próximos de US$ 100 nas últimas semanas.
Na prática, esse movimento pressiona a inflação por diferentes canais. O primeiro deles é direto: combustíveis mais caros tendem a elevar os preços nas bombas, o que impacta o IPCA. O segundo é indireto, já que o aumento do custo de energia e transporte acaba sendo repassado para outros bens e serviços da economia.
Para os economistas da XP, trata-se de um choque negativo de oferta relevante, justamente em um momento em que a economia brasileira opera com pouca ociosidade e inflação ainda acima da meta. Esse tipo de choque costuma deixar o BC mais cauteloso, já que pode gerar pressão inflacionária sem necessariamente estar associado a um excesso de demanda.
Com esse cenário, a casa projeta que as estimativas de inflação do próprio Banco Central devem subir na próxima rodada de projeções. A expectativa é que a previsão para o IPCA de 2026 avance de 3,4% para 3,8%, enquanto a estimativa para o terceiro trimestre de 2027 – atual horizonte relevante da política monetária – suba de 3,2% para 3,5%.
Outro ponto que preocupa é o comportamento das medidas de núcleo da inflação, que excluem itens mais voláteis. Após alguns meses de melhora, esses indicadores voltaram a acelerar no início do ano, sinalizando pressões inflacionárias mais persistentes na economia.
Se não agora, quando?
Nesse ambiente, a avaliação da XP é que iniciar o ciclo de cortes agora poderia enviar um sinal prematuro ao mercado. Por isso, a estratégia mais provável seria adiar o início da flexibilização para a reunião de abril, quando o Copom terá mais informações sobre a trajetória da inflação e sobre os desdobramentos do cenário internacional.
A equipe avalia que o cenário-base agora são de quatro cortes consecutivos de 0,50 p.p. a partir de abril, levando a taxa Selic para 13%. Após isso, esperam uma pausa para avaliação no segundo semestre devido ao efeito das eleições.
“O cenário considera uma redução das tensões geopolíticas, com preços do petróleo voltando para níveis entre 70 e 80 dólares o barril”, destacam.