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Nissan estuda mudanças em aliança costurada por Ghosn

16 nov 2020, 15:20 - atualizado em 16 nov 2020, 15:20
Carlos Goshn, ex-presidente da Renault Nissan
A Nissan está preocupada com o fato de que levará mais tempo para a empresa se recuperar da crise causada pela pandemia (Imgem: Reuters/Mohamed Azakir)

Dois anos após a impressionante prisão de Carlos Ghosn devido a uma suposta conduta financeira irregular, discussões em andamento na Nissan Motor poderiam reformular fundamentalmente a maior aliança automobilística do mundo e desfazer uma parte importante do legado de seu ex-presidente do conselho.

A montadora estuda maneiras de vender parte ou toda sua participação de 34% na Mitsubishi Motors, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

A Nissan está preocupada com o fato de que levará mais tempo para a empresa se recuperar da crise causada pela pandemia, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas. Uma venda poderia ser o primeiro passo para uma revisão mais ampla da aliança de três vias que também inclui a Renault, disseram.

“Não há planos de mudar a estrutura de capital com a Mitsubishi”, disse a Nissan em comunicado. A Mitsubishi Motors disse em comunicado que não houve discussões para revisar sua relação de capital e que a montadora “continuará a colaborar dentro da aliança”. Um representante da Renault não quis comentar.

Quando Ghosn resgatou a Mitsubishi Motors em 2016 com um investimento de US$ 2,3 bilhões e um convite para a aliança, não demorou muito para se gabar da “nova força na indústria automobilística global”. Ghosn tinha planos ainda maiores – criar uma holding para um império automobilístico capaz de destronar a Toyota e a Volkswagen como maiores fabricantes mundiais de automóveis.

Tudo isso mudou em 19 de novembro de 2018, quando Ghosn e o ex-diretor da Nissan Greg Kelly foram presos em Tóquio e acusados de não divulgar a exata remuneração do ex-presidente do conselho. Ambos negaram irregularidades. Depois disso, outras acusações indicaram que Ghosn teria usado ativos da empresa de maneira inadequada, o que ele também negou.

O caos se apoderou da aliança. Os partidários de Ghosn tiveram que sair enquanto executivos da Nissan e da Renault disputavam o controle para preencher o vácuo de poder.

Havia um profundo ressentimento em relação à montadora francesa, que foi mantida fora do circuito porque insiders da Nissan passaram meses trabalhando com promotores japoneses para orquestrar a demissão do poderoso executivo.

Ghosn foi libertado, preso novamente e solto sob fiança outra vez em 2019. Ele escapou do julgamento com uma ousada fuga em dezembro daquele ano em um jato particular e seguiu para o Líbano. O golpe duplo da queda da demanda automotiva global e da pandemia eliminaram mais de US$ 44 bilhões do valor de mercado combinado dos três parceiros da aliança.

“A melhor coisa é acabar com a aliança”, disse o analista da Tokyo Tokai Research, Seiji Sugiura, um crítico frequente da parceria. “Elas deveriam se tornar uma empresa, ou se dividir.”

Uma variável incerta para a Nissan é encontrar um comprador, de acordo com pessoas a par das deliberações. A montadora poderia vender a fatia para uma das empresas do grupo, como a Mitsubishi Corp., que já detém 20% da Mitsubishi Motors. Encontrar outro comprador ou recorrer ao mercado aberto também são opções. Nada foi decidido, disseram as pessoas.

Uma venda levantaria uma quantia relativamente modesta. A participação valia cerca de US$ 950 milhões no fechamento do pregão da semana passada, menos da metade do que a Nissan pagou há quatro anos.

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