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No ano do cavalo, a corrida dos frigoríficos e do produtor é pelas cotas e pelo ciclo do boi

20 fev 2026, 16:19 - atualizado em 20 fev 2026, 16:24
carne bovina china boi
A Abiec e o governo trabalham juntos para encontrar um mecanismo que organize as cotas de embarque, enquanto os preços do boi avançam. (iStock.com/shiota)

O Ano Novo Chinês 2026 marca o retorno do Cavalo de Fogo depois de 60 anos. Tendo começado no dia 17 de fevereiro, uma das suas interpretações mais conhecidas é de que o período simboliza ação decisiva — e essa leitura parece se encaixar no mercado do boi desde o início das cotas impostas pela China à carne bovina do Brasil, que passaram a valer na virada do ano e que agora encara uma verdadeira corrida.

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Apesar das conversas entre governo e Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) para adoção de possíveis mecanismos para organização de embarques, uma corrida entre frigoríficos para garantir espaço dentro da cota já está em curso. Essa é a avaliação de Fernando Iglesias, analista de proteína animal da Safras & Mercado.

“Os primeiros 20 dias de 2026 serviram para o mercado entender o funcionamento das cotas. A expectativa inicial era de que a China reduzisse compras de imediato, o que levou frigoríficos a diminuírem os abates. Mas houve uma corrida entre importadores chineses e exportadores brasileiros para assegurarem as maiores fatias da cota. Apenas em janeiro, o Brasil utilizou quase 11% do volume anual disponível”, afirma.

Segundo Iglesias, o movimento ocorre em um momento de clara inversão do ciclo pecuário. A oferta de animais está mais restrita, o abate de fêmeas caiu 9% em janeiro na comparação anual, e a demanda externa permanece aquecida — ainda que agora limitada pela cota chinesa.

O efeito imediato é um mercado firme, com o boi gordo e a reposição sustentados pela combinação de oferta enxuta e disputa por embarques. O indicador Cepea/Esalq do boi gordo acumula alta de 8,21% no ano, a R$ 345,40, enquanto o indicador do bezerro Cepea/Esalq (MS) avança 3,72% no mesmo período.

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A diversificação de mercados, principal agenda do Mapa em 2026, é vista como fundamental para reduzir a dependência da China.

A principal preocupação do mercado

Para Iglesias, o maior risco está na falta de organização da cota ao longo do ano. Caso governo e Abiec não consigam estruturar uma distribuição escalonada dos embarques, permitindo vendas ao longo de todo 2026, a cota pode se esgotar já em agosto ou setembro.

“Se isso ocorrer, o mercado do boi terá um último quadrimestre com exportações bem mais fracas que o habitual, o que pode provocar uma depressão de preços. Até lá, no entanto, a demanda aquecida tende a sustentar altas constantes”, explica.

Além disso, há risco jurídico: frigoríficos que se sintam prejudicados por eventual redistribuição podem judicializar a questão.

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“É um tema de alta complexidade, que envolve livre mercado e interferência nas exportações. E qualquer decisão do Brasil depende da anuência da China. Ainda há dúvidas sobre flexibilização ou eventual absorção de cotas não utilizadas por países como a Argentina”, acrescenta.

Já é hora de negociar o boi?

As projeções da Safras & Mercado indicam um teto próximo de R$ 370/arroba em 2026, patamar que dependeria de um novo fator altista para ser superado.

Iglesias recomenda que o produtor utilize instrumentos de hedge na B3 para travar margens, destacando que o câmbio mais apreciado limita altas mais agressivas.

“A B3 oferece boas oportunidades. O contrato maio (BGIK26) avança 1,19%, em torno de R$ 347. É importante garantir o resultado do ano. O cenário é construtivo até março, mas ainda muito imprevisível. Se houver efeito rebote nas exportações no segundo semestre, o mercado pode sentir de forma agressiva”, conclui.

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O 2025 do Brasil

A cota estabelecida para o Brasil foi de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026, com previsão de alta para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.

No entanto, o volume exportado de 2025 ficou muito acima disso: entre 1,65 milhão e 1,68 milhão de toneladas, com a China respondendo por 45% a 48% dos embarques totais.

Ao Money Times, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, reforçou que 2025 foi um ano fora da curva — historicamente, o Brasil exporta cerca de 1,2 milhão de toneladas para o país asiático.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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