Novo presidente do Fed: Trump escolhe Kevin Warsh para substituir Jerome Powell
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a escolha do ex-diretor do Federal Reserve Kevin Warsh para comandar o banco central norte-americano.
Em suas redes sociais, Trump afirmou que conhece Warsh há muito tempo e que não tem dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed.
Warsh substituirá Jerome Powell, que deixará o cargo em maio. O presidente vem pressionando Powell por cortes mais agressivos nos juros, enquanto a inflação segue elevada e o mercado de trabalho mostra sinais de enfraquecimento.
Nesta semana, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros de referência no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, pausando o afrouxamento monetário.
Além de Warsh, entre os principais nomes para o posto estavam o executivo da BlackRock Rick Rieder; o atual diretor do banco central americano Christopher Waller; e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett.
Segundo Trump, houve muita especulação sobre a escolha de Hassett e que ele seria um ótimo presidente do Fed, mas está fazendo um trabalho excepcional na Casa Branca.
Quem é Kevin Warsh
Kevin Warsh foi diretor do Federal Reserve e integrou o Conselho de Governadores entre 2006 e 2011, período que incluiu a crise financeira de 2008, os resgates a instituições bancárias e o início de políticas não convencionais de estímulo, como o afrouxamento quantitativo.
Durante seu mandato, Warsh participou diretamente das negociações entre o Tesouro, o Fed e grandes bancos, atuando como um operador técnico com trânsito em Washington e em Wall Street. Após deixar o cargo, manteve envolvimento com círculos financeiros e acadêmicos e ocupou posições em conselhos corporativos e think tanks.
Nos últimos anos, ele passou a criticar publicamente algumas práticas do Fed, como o tamanho do balanço e a manutenção prolongada de políticas monetárias expansionistas. Warsh defende o chamado “aperto quantitativo” e propõe mudanças no arcabouço que orienta decisões de juros, comunicação e atuação nos mercados, apontando que parte das distorções de preços e da perda de credibilidade seria resultado de decisões do próprio banco central.
Politicamente, Warsh passou a se alinhar com Donald Trump, defendendo pontos da agenda econômica do governo, incluindo críticas à condução do Fed sob Powell e maior tolerância a políticas comerciais mais protecionistas.