Nubank bancão? Com ‘ok’ de CEO do Itaú (ITUB4), roxinho se filia à Febraban
O Nubank (NU) se filiou ao Febraban (Federação Brasileira de Bancos). O movimento do roxinho ocorre em meio ao pedido de licença bancária do Banco Central.
Segundo a nota, o ‘ok’ partiu de recomendação favorável de Milton Maluhy Filho, conselheiro diretor da Febraban e CEO do Itaú (ITUB4), que foi aprovada por unanimidade.
A medida chama atenção, sobretudo, pelos atritos recentes entre a fintech e os bancões. Em dezembro do ano passado, as duas entidades trocaram ataques. A disputa era para saber quem pagava mais imposto no Brasil.
De qualquer forma, para o CEO da Febraban, Isaac Sidney, “a iniciativa do Nubank é muito bem-vinda”.
“Isso demonstra seu interesse em participar ativamente dos espaços de diálogo e de articulação institucional da indústria e, ao mesmo tempo, evidencia a valorização, por parte da Febraban, da pluralidade, do debate qualificado e da construção setorial de soluções em um ambiente representativo e diverso”.
Já a Livia Chanes, CEO do Nubank no Brasil, realça a importância da parceria institucional com a Febraban.
O que levou o Nubank a se filiar?
De acordo com o Nubank, a medida reforça o seu plano em curso para a obtenção de licença bancária.
Ademais, segundo o roxinho, a filiação amplia e fortalece a atuação institucional do Nubank, que seguirá participando ativamente de outras entidades setoriais, como Zetta, ABBC e ANBIMA, “contribuindo para as agendas de competitividade, inovação e sustentabilidade do sistema financeiro”.
Já a Febraban diz que ao abrigar instituições comprometidas com esses princípios, a Febraban fortalece sua missão de promover, de forma conjunta e coordenada, um sistema financeiro sólido.
“A decisão da Febraban de acolher o Nubank como associada está alinhada ao seu compromisso permanente com a pluralidade de visões da indústria financeira brasileira”.
Fintechs versus bancões
A medida também pode marcar um apaziguamento da relação entre as fintechs e os bancos tradicionais.
De um lado, os neobancos sempre criticaram as altas tarifas do sistema financeiro, enquanto os bancões citavam questões regulatórias, argumentando que as fintechs pagavam menos impostos do que os grandes bancos.
“O Nubank pratica o dobro de taxas de juros dos grandes bancos, tem inadimplência de três a sete vezes maior e níveis bem superiores de lucratividade, mas zero investimento em atendimento presencial ou programas sociais”, disse a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em post no LinkedIn na ocasião.
Mas essa não foi a única troca de farpas.
Em 2021, o Nubank participou da criação da Zetta, associação que reúne empresas de tecnologia e serviços financeiros, como o Mercado Pago.
A entidade foi criada justamente para representar os interesses das fintechs em debates regulatórios, funcionando, na prática, como um contraponto à Febraban.
A rivalidade ficou mais evidente naquele mesmo ano, quando houve uma troca pública de críticas entre as entidades.
Após um estudo divulgado pela Zetta questionar tarifas dos grandes bancos, a Febraban respondeu dizendo que o Nubank cobrava juros mais altos no rotativo do cartão de crédito do que a média dos bancos tradicionais.
O Nubank rebateu afirmando que a federação tentava desviar o debate sobre tarifas bancárias.