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O fator Irã e os outros riscos para o ‘filme’ dos fertilizantes em 2026

15 jan 2026, 7:00 - atualizado em 14 jan 2026, 17:11
fertilizantes irã
(IStock.com/FotoDuets)

O “filme” dos fertilizantes em 2026 deve trazer alguns déjà-vus já vividos ao longo de 2025.

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Um deles é o preço elevado do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados e que hoje se encontra no maior patamar histórico.

Esse movimento é resultado da forte demanda industrial, já que o produto é utilizado, por exemplo, na fabricação de baterias de carros elétricos.

Outro ponto relevante são as restrições às exportações chinesas, que devem se manter em 2026, limitando a oferta tanto de fertilizantes fosfatados quanto de nitrogenados, o que ajuda a sustentar os preços.

Diante desse cenário, o produtor deve continuar substituindo fertilizantes mais concentrados, como a ureia e o MAP (fosfato monoamônico), por produtos de menor concentração de nutrientes, como o superfosfato simples (SSP) e o sulfato de amônio.

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“Essa tendência deve se manter em 2026, já que não há previsão de queda relevante nos preços do MAP e da ureia, que devem continuar sustentados ao longo do ano”, explica Maísa Romanello, analista de fertilizantes da Safras & Mercado, ao Money Times.

De acordo com Romanello, a China superou a Rússia nos embarques de fertilizantes para o Brasil em 2025 justamente pelo aumento das importações de sulfato de amônio, que cresceram cerca de 26% em relação a 2024.

“A Rússia seguiu como um parceiro muito importante, em segundo lugar, com volumes bem próximos aos da China. Essa liderança chinesa pode se repetir em 2026, mas tudo vai depender do mix de produtos importados. Se voltarmos a importar mais ureia, por exemplo, a Rússia pode retomar a posição de principal fornecedora”, afirma.

Como o Irã pode mexer com o mercado de fertilizantes?

Desde a safra 2021/22, a geopolítica passou a ter um papel central no mercado de fertilizantes, especialmente com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. O conflito levou os preços a patamares recordes diante das incertezas sobre a continuidade das exportações russas — um dos principais players globais do setor.

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Para 2026, o foco de atenção se volta para o Irã, que enfrenta uma onda de protestos contra o regime dos aiatolás que já contabiliza mais de 3.400 mortes.

O país é o terceiro maior produtor de gás natural do mundo, principal matéria-prima para fertilizantes nitrogenados como ureia, amônia, nitrato e sulfato de amônio. Além disso, o Irã fornece gás natural para países vizinhos que também são importantes produtores de ureia.

“Qualquer restrição na exportação de gás ou da própria ureia iraniana pode gerar mais um gargalo na oferta de nitrogenados, especialmente em um momento em que a China já restringe exportações”, explica Romanello.

Ela ressalta que o Irã não é um fornecedor dominante de ureia para o Brasil, mas possui alguma relevância no abastecimento.

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Segundo a analista, as taxações nos Estados Unidos também podem aumentar a disputa por volumes e encarecer ainda mais a ureia. “Há impactos indiretos sobre as commodities agrícolas, já que o Brasil exporta grãos para o Irã”, acrescenta.

No caso da Venezuela, que também vive um momento de instabilidade, Romanello observa que o país responde por cerca de 4% a 5% do fornecimento de ureia ao Brasil.

“Apesar de ser uma participação relativamente pequena, trata-se de um país vizinho, com facilidade logística. Qualquer problema na produção ou exportação venezuelana interrompe essa vantagem”, pontua.

Os principais riscos para o mercado

Entre os principais pontos de alerta para o mercado de fertilizantes em 2026, Romanello destaca:

  • Oscilações do dólar, em meio a um ano eleitoral que pode trazer maior volatilidade cambial;
  • Relação de troca entre grãos e insumos;
  • Políticas de cotas chinesas, que limitam quedas de preços e restringem a oferta global;
  • Tensões geopolíticas em regiões estratégicas para o mercado de fertilizantes.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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