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O fim do orelhão: Anatel manda retirar telefones públicos das ruas a partir de 2026

19 jan 2026, 14:39 - atualizado em 19 jan 2026, 14:39
Imagem: Agencia Brasil/Victor Jucá/Divulgação
Imagem: Agencia Brasil/Victor Jucá/Divulgação

Durante décadas, ele esteve ali: na esquina, na praça, em frente ao bar ou ao lado do ponto de ônibus. Agora, vai sair de cena de vez. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou o recolhimento definitivo dos últimos orelhões ainda espalhados pelo país, encerrando oficialmente um dos capítulos mais icônicos da história da telefonia no Brasil. 

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A decisão faz parte do cronograma oficial da Anatel. Com a popularização do celular, dos aplicativos de mensagem e das ligações por internet, os telefones públicos perderam função, manutenção e sentido econômico. 

A história do orelhão

“De repente – notaram? – a rua melhorou em São Paulo, com o aparecimento do telefone-capacete.” Foi assim que Carlos Drummond de Andrade reportou o surgimento do Orelhão no cenário brasileiro, em sua crônica “Amenidades da Rua”. 

Criado em 1971, o Orelhão recebeu vários apelidos, como tulipa e capacete de astronauta, porém o nome técnico na CTB era Chu II, em homenagem a sua criadora Chu Ming Silveira. 

Na época, Chu chefiava o Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira e assumiu o desafio de criar um protetor para telefones públicos que reunisse funcionalidade e beleza. 

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A inauguração para o público veio apenas em janeiro de 1972, quando orelhões foram instalados no Rio de Janeiro, no dia 20, e em São Paulo, no dia 25. 

Agora, quase 54 anos depois, os telefônicos públicos estão vivendo seus últimos dias nas ruas brasileiras. 

Quando o telefone era território neutro

Antes da geolocalização, dos históricos de chamadas em nuvem e das notificações em tempo real, o orelhão oferecia algo raro: uma ligação sem rastros pessoais imediatos. Não por acaso, virou personagem recorrente do cinema. Cada ligação é um risco calculado, cada ficha depositada carrega tensão. 

Em “O Agente Secreto”, filme com direção de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura como protagonista, o telefone público aparece como parte do imaginário da espionagem clássica: aquele mundo em que informação circulava por códigos, encontros rápidos e chamadas curtas, feitas longe de casa. 

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O orelhão não era só cenário: era ferramenta narrativa. 

Hollywood também entendia isso. Em “Donnie Brasco”, o personagem de Johnny Depp, um agente infiltrado na máfia, usava telefones públicos como quem troca de pele. 

A decisão da Anatel

A decisão da Anatel acontece porque terminam as concessões do serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pelos aparelhos. Assim, a OiAlgarClaro, Sercomtel e Telefônica não são mais obrigadas a manter telefones fixos e orelhões nas ruas. 

A estimativa é que cerca de 30 mil orelhões sejam removidos ao longo deste ano, principalmente em áreas centrais, corredores comerciais e avenidas de grande circulação. 

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Apesar da retirada dos orelhões, a Anatel avalia que o serviço ainda pode ser necessário em pontos específicos do país, como regiões rurais, áreas remotas e comunidades indígenas. 

Além disso, as empresas de telefonia devem fazer investimentos em redes de banda larga ou móveis. 

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Repórter
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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