O grande gargalo do agronegócio visto como oportunidade pelo BNDES
A infraestrutura é um problema estrutural do agronegócio e do Brasil como um todo. Ainda assim, o setor que move a economia consegue competir e entregar valor. Para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), esse grande gargalo é, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade.
“Entre 2015 e 2021, os investimentos em infraestrutura caíram 20% no Brasil. Temos dimensões continentais e enormes dificuldades para escoar grãos e minério. Em 2023, o investimento em infraestrutura cresceu 20% e, em 2024, quase 15%. Os aportes avançaram mesmo em um cenário de taxa de juros muito elevada”, afirmou Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Clima do BNDES.
As declarações foram feitas durante um painel sobre grãos e infraestrutura, no segundo dia do Latin America Investment Conference, evento promovido pelo UBS, em São Paulo.
Segundo Costa, tanto governos de direita quanto de esquerda compreenderam a importância do capital privado no financiamento da infraestrutura. Ela destacou que o Brasil tem avançado nas concessões e conseguido atrair volumes crescentes de investimentos privados, especialmente por meio de leilões, com a participação de players nacionais e estrangeiros.
“A nossa lei de concessões tem pouco mais de 30 anos e o mundo entendeu que amadurecemos esse marco regulatório. Conseguimos reequilibrar, junto ao ministro Renan Filho, projetos de rodovias que estavam desequilibrados, o que destravou R$ 120 bilhões em investimentos. Hoje, temos o maior programa de concessões rodoviárias do mundo”, disse.
E o agronegócio?
A diretora de infraestrutura do BNDES ressaltou o papel do banco na ampliação de 400 quilômetros da BR-163, uma demanda histórica do Mato Grosso, principal estado produtor do país.
“O BNDES é fundamental para a infraestrutura do Brasil. Nossa carteira soma R$ 350 bilhões em financiamentos para o setor, e o agronegócio se beneficia diretamente desses investimentos”, afirmou.
Para Costa, o principal risco em projetos de infraestrutura ocorre quando há um bom projeto e recursos disponíveis, mas a estruturação é feita de forma inadequada.
“Os projetos não quebram porque o valor é negativo, mas por falta de funding ao longo do tempo. Temos trabalhado para garantir que isso não seja um problema na operação. Existe, sim, uma carência de infraestrutura no Brasil, mas enxergamos isso como uma oportunidade, porque infraestrutura só é construída quando a demanda já está posta. O BNDES não atua apenas como estruturador, mas também como financiador”, concluiu.