Renda Fixa

‘O investidor ainda busca aquele mágico 1% ao mês’, diz analista da Empiricus sobre renda fixa

21 jan 2026, 12:46 - atualizado em 20 jan 2026, 17:03

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O investidor brasileiro segue atento à renda fixa em 2026, mesmo em um cenário de expectativa de cortes na Selic, que se manteve em 15% durante boa parte do ano passado e garantiu retornos de mais de 14%.

Segundo Laís Costa, analista de fundos e renda fixa da Empiricus, o investidor pessoa física ainda deve buscar aquele “mágico 1% ao mês”. Mas, mesmo com a perspectiva de queda nos juros, os níveis atuais ainda oferecem retorno atraente para aplicações conservadoras, destacou a analista durante o evento Onde Investir em 2026, do Seu Dinheiro, portal parceiro do Money Times.

“A gente ainda tem níveis muito altos [de taxa de juros], ainda que a gente tenha a projeção de um corte entre 200 e 300 pontos-base para este ano. A taxa por si só que traz essa atratividade, mas você tem também a questão da relação risco-retorno que a renda fixa traz”, afirma.

Segundo a analista, os títulos pós-fixados tendem a perder atratividade com o afrouxamento monetário. No entanto, com os juros ainda elevados, há uma compensação que resulta em uma volatilidade praticamente nula.

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Além disso, Costa aponta que os fundos de crédito apresentam uma rentabilidade relevante para 2026, mostrando que a classe de ativos continua sendo preferida pelo público que busca segurança e previsibilidade nos ganhos.

“Quando você olha o risco-retorno da carteira, ainda deve ser muito atrativo você carregar esses títulos de crédito e renda fixa na carteira durante este ano”, completa.

Frederico Catalan, portfolio manager do Opportunity, que também participou do evento, relembra que os ativos pré-fixados, seja em taxa nominal ou em taxa real, costumam performar bem quando o Banco Central inicia um ciclo de corte de juros.

“O fechamento em um ciclo de cortes é sempre um ciclo muito específico e, este, provavelmente, será o maior ciclo de cortes que a gente deve ver em 2026. O investidor vai ter um ganho do fechamento da curva. Talvez não consiga travar numa taxa tão alta, mas pode ter ganho no fechamento de curva”, afirma.

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E o IPCA+?

Ao longo de 2025, o Tesouro IPCA+, que remunera a inflação acrescida de uma taxa real, manteve juros reais acima de 7%, nível considerado historicamente elevado por especialistas.

Catalan avalia que o Tesouro IPCA+ segue oferecendo retorno real elevado, principalmente devido ao patamar ainda alto dos juros no Brasil e às incertezas políticas e econômicas associadas ao ano eleitoral.

Para o especialista, esse nível reflete tanto a manutenção de juros elevados quanto a cautela do mercado diante da indefinição sobre a política econômica do próximo governo.

À medida que a inflação converge para a meta e a economia se estabiliza, ele projeta que as taxas tendem a recuar gradualmente, aproximando-se da taxa neutra histórica, estimada entre 5% e 6%.

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Laís Costa acrescenta que o juro real elevado do Tesouro IPCA+ também é explicado por fatores de curto prazo. A inflação caiu mais rapidamente do que o mercado esperava, principalmente devido a choques externos, como a depreciação do dólar, enquanto o Banco Central manteve uma postura firme no cumprimento da meta.

Esse cenário elevou significativamente o juro real na ponta curta da curva. Já nos títulos de prazo mais longo, a analista destaca que a insegurança fiscal e o contexto eleitoral continuam pressionando as taxas, impedindo uma compressão mais intensa dos retornos.

Segundo ela, a visão para 2026 envolve uma disputa mais equilibrada entre pré-fixados e papéis indexados à inflação. Embora o IPCA+ costume apresentar uma relação risco-retorno mais favorável no longo prazo — por proteger o investidor em cenários de descontrole fiscal —, o momento atual torna os pré-fixados especialmente atrativos.

“Um ano em que você provavelmente vai ter um corte de juros mais agressivo do que o que está precificado no mercado tende a trazer uma rentabilidade melhor do que em um cenário de alta dos juros. Então, eu diria que esse ano deve ser melhor para os pré-fixados do que já foi no passado”, diz a analista.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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