‘O investidor ainda busca aquele mágico 1% ao mês’, diz analista da Empiricus sobre renda fixa
O investidor brasileiro segue atento à renda fixa em 2026, mesmo em um cenário de expectativa de cortes na Selic, que se manteve em 15% durante boa parte do ano passado e garantiu retornos de mais de 14%.
Segundo Laís Costa, analista de fundos e renda fixa da Empiricus, o investidor pessoa física ainda deve buscar aquele “mágico 1% ao mês”. Mas, mesmo com a perspectiva de queda nos juros, os níveis atuais ainda oferecem retorno atraente para aplicações conservadoras, destacou a analista durante o evento Onde Investir em 2026, do Seu Dinheiro, portal parceiro do Money Times.
“A gente ainda tem níveis muito altos [de taxa de juros], ainda que a gente tenha a projeção de um corte entre 200 e 300 pontos-base para este ano. A taxa por si só que traz essa atratividade, mas você tem também a questão da relação risco-retorno que a renda fixa traz”, afirma.
Segundo a analista, os títulos pós-fixados tendem a perder atratividade com o afrouxamento monetário. No entanto, com os juros ainda elevados, há uma compensação que resulta em uma volatilidade praticamente nula.
Além disso, Costa aponta que os fundos de crédito apresentam uma rentabilidade relevante para 2026, mostrando que a classe de ativos continua sendo preferida pelo público que busca segurança e previsibilidade nos ganhos.
“Quando você olha o risco-retorno da carteira, ainda deve ser muito atrativo você carregar esses títulos de crédito e renda fixa na carteira durante este ano”, completa.
Frederico Catalan, portfolio manager do Opportunity, que também participou do evento, relembra que os ativos pré-fixados, seja em taxa nominal ou em taxa real, costumam performar bem quando o Banco Central inicia um ciclo de corte de juros.
“O fechamento em um ciclo de cortes é sempre um ciclo muito específico e, este, provavelmente, será o maior ciclo de cortes que a gente deve ver em 2026. O investidor vai ter um ganho do fechamento da curva. Talvez não consiga travar numa taxa tão alta, mas pode ter ganho no fechamento de curva”, afirma.
E o IPCA+?
Ao longo de 2025, o Tesouro IPCA+, que remunera a inflação acrescida de uma taxa real, manteve juros reais acima de 7%, nível considerado historicamente elevado por especialistas.
Catalan avalia que o Tesouro IPCA+ segue oferecendo retorno real elevado, principalmente devido ao patamar ainda alto dos juros no Brasil e às incertezas políticas e econômicas associadas ao ano eleitoral.
Para o especialista, esse nível reflete tanto a manutenção de juros elevados quanto a cautela do mercado diante da indefinição sobre a política econômica do próximo governo.
À medida que a inflação converge para a meta e a economia se estabiliza, ele projeta que as taxas tendem a recuar gradualmente, aproximando-se da taxa neutra histórica, estimada entre 5% e 6%.
Laís Costa acrescenta que o juro real elevado do Tesouro IPCA+ também é explicado por fatores de curto prazo. A inflação caiu mais rapidamente do que o mercado esperava, principalmente devido a choques externos, como a depreciação do dólar, enquanto o Banco Central manteve uma postura firme no cumprimento da meta.
Esse cenário elevou significativamente o juro real na ponta curta da curva. Já nos títulos de prazo mais longo, a analista destaca que a insegurança fiscal e o contexto eleitoral continuam pressionando as taxas, impedindo uma compressão mais intensa dos retornos.
Segundo ela, a visão para 2026 envolve uma disputa mais equilibrada entre pré-fixados e papéis indexados à inflação. Embora o IPCA+ costume apresentar uma relação risco-retorno mais favorável no longo prazo — por proteger o investidor em cenários de descontrole fiscal —, o momento atual torna os pré-fixados especialmente atrativos.
“Um ano em que você provavelmente vai ter um corte de juros mais agressivo do que o que está precificado no mercado tende a trazer uma rentabilidade melhor do que em um cenário de alta dos juros. Então, eu diria que esse ano deve ser melhor para os pré-fixados do que já foi no passado”, diz a analista.