Economia

O mundo troca o medo da inflação pelo medo da recessão, avalia Inter

29 mar 2026, 15:02 - atualizado em 29 mar 2026, 11:33
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A escalada recente do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, reacendeu temores inflacionários globais. Mas o que começa a se desenhar no horizonte é uma mudança mais sutil e potencialmente mais perigosa, o risco de recessão.

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Relatório do Banco Inter mostra que o choque nos preços da commodity, que saltaram de cerca de US$ 67 para acima de US$ 100, altera o equilíbrio do cenário global. Em vez de provocar uma nova rodada de inflação persistente, como em episódios históricos, o impacto tende a ser mais concentrado sobre a atividade.

“A experiência histórica mostra que o impacto depende fortemente do contexto macroeconômico inicial”, destaca o banco no relatório .

Hoje, esse contexto é bem diferente do passado.

Ao contrário dos anos 1970 ou mesmo de 2022, quando a economia global operava com demanda aquecida e estímulos elevados, o momento atual é marcado por política monetária restritiva, consumo mais fraco e sinais de arrefecimento no mercado de trabalho, especialmente nos Estados Unidos.

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Nesse ambiente, o petróleo mais caro tende a funcionar menos como combustível inflacionário e mais como um freio.

“O principal canal de transmissão do aumento do petróleo tende a ser a redução de demanda real, elevando o risco de desaceleração ou recessão”, afirma o Inter.

Mudança de leitura aparece nas projeções para o Brasil

O banco revisou a expectativa de inflação para 2026 de 3,8% para 4,3%, refletindo o impacto da alta da commodity. Ainda assim, a instituição avalia que o choque deve ser temporário, com dissipação ao longo do segundo semestre.

“O aumento da inflação deve ter caráter transitório”, diz o relatório.

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Esse equilíbrio delicado entre inflação e crescimento coloca os bancos centrais em posição mais cautelosa. Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros por mais tempo, enquanto autoridades aguardam sinais mais claros sobre os efeitos do choque. Por aqui a expectativa é de que Banco Central reduza o ciclo de juros mais lentamente.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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