O obstáculo que obriga Trump a encerrar conflito no Irã, segundo gestor da Nomura Asset
Apesar de o conflito no Irã já entrar na quinta semana, grande parte do mercado ainda aposta numa resolução rápida. É a visão de Brett Collins, gerente de portfólio de crédito do banco Nomura.
“Uma resolução rápida é o nosso cenário-base. Acreditamos que a economia global consegue suportar um curto período de preços elevados do petróleo sem impactos severos em crescimento e inflação. Mas existe, claro, o risco de que a guerra se prolongue”, afirmou Collins durante o painel sobre crédito corporativo na Global Managers Conference 2026, promovida pela BTG Pactual Asset Management.
Para ele, o maior risco aos títulos corporativos hoje é o cenário macroeconômico, marcado pela pressão sobre os preços do petróleo, inflação e juros globais.
Collins também comenta que parte do risco geopolítico atual tem origem nas ações do presidente Donald Trump. Embora muitas pareçam imprevisíveis, segundo o gestor, elas seguem uma lógica: “Se você entende como ele atua, suas ações se tornam mais previsíveis”.
Em seu segundo mandato, Trump sabe que tem apenas quatro anos para “reescrever as regras da economia global” em favor dos Estados Unidos, o que explica a intensidade de suas medidas.
O gerente de crédito explica que Trump aplica uma técnica clássica de negociação chamada ancoragem: “Primeiro ele define uma posição ultrajante favorável a ele, depois oferece concessões até chegar a um acordo”.
Collins cita como exemplo as tarifas comerciais: Trump começou falando em 100% de taxas sobre a China, mas o valor final ficou próximo de 10%.
No caso do Irã, embora exista o risco de prolongamento do conflito, Collins acredita que o presidente tem incentivo para buscar uma solução rápida. Ele cita George Friedman, analista político: “Para prever as ações de um político, não basta ouvir o que ele diz ou estudar suas intenções; é preciso analisar suas limitações”.
A maior limitação de Trump atualmente são as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. Caso os republicanos percam o controle de uma das casas do Congresso, haveria forte disrupção: leis poderiam ser barradas, investigações conduzidas e até um possível processo de impeachment.
Para Collins, o principal impacto da guerra sobre os norte-americanos está no custo de vida. A alta prolongada do petróleo pressiona a inflação e reduz o poder de compra da população.
“O Ocidente consegue lidar com petróleo a US$ 100 o barril por algum tempo, mas se em outubro o gás custar US$ 5 o galão, os republicanos têm grandes chances de perder a eleição”, concluiu.