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O que a equipe do Terraço Econômico leu em 2018?

30/12/2018 - 11:02

Por Terraço Econômico

Há certas coisas que, via de regra, fazem parte da tradição de todo fim de ano. Vão desde o especial do Roberto Carlos e a piada do pavê, até a ceia de Natal e os fogos de Reveillon. Mas claro, além disso, o que não pode faltar, são as indicações dos melhores livros/artigos lidos pela equipe do Terraço durante o ano que passou!

Para 2018, as leituras foram bem diversificadas, algo que junto com a tradição de final de ano, também não é nenhuma novidade. Dado que mesmo sendo um espaço de discussão predominantemente econômica – o que por si só já oferece um leque quase inesgotável para ser explorado – o Terraço vai MUITO além disso, abrangendo temas mais entrelaçados a política, a história do Brasil e as relações internacionais.

Sendo assim, sem mais delongas vamos para as indicações.

Observação: as recomendações foram escritas pelos próprios membros e, deste modo, expressam as opiniões dos mesmos.

Eduardo Scovino

Gene: uma história íntima – Siddhartha Mukherjee

Vamos começar com o início de tudo: os genes!

Vencedor do badalado Prêmio Pulitzer de não-ficção de 2011, este livro consegue conectar a evolução dos estudos a respeito do Gene, com marcos da história da humanidade – coisas que a  princípio – não possuem muita ligação. Mukherjee consegue explicar, com extrema clareza e didática, os primeiros passos de cada teoria, as frustrações dos cientistas de cada época, as descobertas acidentais e, claro, sobre o que provavelmente nos aguarda em poucos anos.

É incrível a ligação entre o avanço dos estudos sobre mutação genética e os sucessos de bilheteria de Hollywood. É impressionante as ligações que Mukherjee faz com histórias aclamadas, como Quarteto Fantástico, Homem Aranha, Hulk e tantos outros.

Também é surpreendente quando Mukherjee explica acontecimentos notórios do século XX como o Nazismo e a União Soviética sob a ótica dos genes. Depois que passei por esse capítulo, passei a entender que as aulas de Nazismo e Segunda Guerra devessem ser dadas com um professor de História e um de Biologia na mesma sala.

Recomendo a todos que gostam de ciência e procuram entender um pouco sobre como o estudo de estruturas tão pequenas podem saltar à nossa realidade com tanta frequência.

Victor Candido

A Man on the Moon – Andrew Chaikin

É bem provável que você saiba, que o primeiro homem a pousar na lua disse, assim que pisou em solo lunar: “Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”. Mas provavelmente não deve ser do seu conhecimento, que o terceiro homem a pisar na lua, na missão Apollo 12, disse: “whoooopie” ao pular do último degrau do módulo lunar em direção ao solo lunar. Ou que na missão Apollo 15, levaram um carro para lua.

Todos fatos incríveis que fizeram parte do maior esforço científico da história: a viagem do homem da Terra até à Lua. O verdadeiro surrealismo que se tornou realidade. Pouco se conhece das demais missões lunares e da epopéia que foi o esforço de se dominar a tecnologia para ir e voltar em segurança ao nosso astro vizinho. Nos limitamos a saber que nós (humanidade) já fomos até lá.

O livro A Man on The Moon, de Andrew Chaikin. E para quem não curte livros, o seriado da HBO, de 1998, From the Earth to the Moon, que é baseado no livro e produzido por Tom Hanks, que viveu o protagonista Jim Lovell no filme Apollo 13. Essas obras se conectam e contam a história de como a humanidade, com seu espírito explorador, pode fazer coisas incríveis.

Ao contrário de Neil Armstrong, que virou símbolo do programa espacial americano, existiram 400.000 pessoas envolvidas no esforço de colocar um homem até o final da década de 60 na lua. Em 1962, em um discurso na Universidade de Rice, o então Presidente John Kennedy, disse: we choose to go to the moon, e colocou a meta de fazerem isso antes do final da década, ou seja, a NASA tinha 8 anos para alcançar a ambiciosa meta. Naquele momento a NASA tinha 15 minutos de voo espacial tripulado. Para ir à Lua precisaria de centenas da horas a mais, de tecnologia e materiais que ainda nem existiam e que teriam que ser inventados.

Entre 1967 e 1969, missões tão importantes quanto o próprio pouso lunar aconteceram: como o voo incrível da Apollo 8 que foi até a órbita lunar e circulou algumas vezes a lua, mostrando que era possível ir até lá e voltar com segurança, no natal de 1968 a Apollo 8 transmitiu ao vivo da Lua, para o mundo todo, via televisão. Com a figura cinza da lua no centro da imagem, os três astronautas: Frank Borman, Jim Lovell e William Anders leram o livro gênesis da bíblia. A missão foi um sucesso retumbante, o próximo passo era pousar na lua.

O livro de Chaikin é uma janela para uma história surreal, um surrealismo real. E nos faz lembrar que a humanidade pode sim fazer o que quiser, basta ter um objetivo claro e mobilização para tal.

Arthur Solow

Um homem, um rabino – Henry Sobel

A partir da mobilização de vários indivíduos com um objetivo bem definido, é possível fazer coisas incríveis. Mas alguns homens em especial, conseguem obter grande destaque de maneira individual, mesmo aqueles que possuem uma trajetória marcada por imperfeições e que estejam longe da unanimidade.

Em relação a esses homens, sempre há uma história oculta, mas que gostamos de julgar antes mesmo de conhecê-la com detalhes. É o caso do Rabino Henry Sobel, por muitas vezes lembrado apenas pelo fatídico episódio do furto das gravatas em Miami, ocorrido em março/2007. Mas sua história pela democracia e pelo povo judeu no Brasil se sobrepõe com sobras sobre o episódio das gravatas e se misturam com a própria história política brasileira.

Sobel é reconhecido pelo seu sotaque forte, pelas frases curtas e pelo seu trabalho de décadas à frente da Congregação Israelita Paulista (CIP), sediada no Bairro da Bela Cintra, São Paulo. Mas uma história chama a atenção: após a morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, Sobel duvidou publicamente da versão dos militares, que argumentavam que Herzog havia tirado a própria vida. Com isso, determinou o enterro do jornalista em região comum do cemitério, e não em localidade afastada, devido às leis específicas do judaísmo. Além disso, desafiou o regime ao celebrar um culto ecumênico na Praça da Sé dias depois, juntamente com o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Mas sua dedicação ao judaísmo e a CIP trouxe marcas duradouras em sua vida privada: a própria família (esposa e filha) reclamavam constantemente de sua ausência em casa. Henry Sobel sequer é unanimidade – longe disso – dentro da comunidade judaica, por suas posições tidas como reformistas, mas sua história é importante para lembrarmos que nossos erros e decisões moldam quem nós somos e que nossa atuação ativa pode mudar a vida de muitas pessoas e do país que vivemos.

Caio Augusto

Ah, como era boa a ditadura… A história dos últimos anos da ditadura militar nas charges da Folha de São Paulo – Luiz Gê

Se a história de pessoas guarda diversos pontos conflitantes, com a história de eventos políticos e sociais, não é diferente. Como teria dito o economista Pedro Malan, “no Brasil até o passado é incerto”.

Um dos momentos que mais marcaram a história brasileira – e ainda marcam – foi o período militar. Após os movimentos de rua de 2013 e todas as repercussões políticas deles advindos, pudemos observar alguns grupos conclamando a volta dos militares do poder, tal qual ocorria na ditadura.

Assustado e inconformado com esse tipo de manifestação pela volta da ditadura militar, Luiz Gê, chargista que observou e externou em seus trabalhos os anos finais do regime, decidiu reunir em um livro muito do que produziu entre 1981 e 1984.

Diferentemente de muitas obras que focam em aspectos como a supressão de liberdades políticas e de discurso, essa obra se direciona essencialmente ao que acontecia nos campos da economia e da política naquela época. Inflação em níveis altíssimos, desabastecimento, o início de uma série de planos econômicos mal-sucedidos e angústias relacionadas com os últimos anos do período militar estão todas presentes.

Talvez as impressões mais marcantes da obra sejam duas: primeiramente, para quem viveu e acompanhou a economia nos anos finais da ditadura brasileira, a impressão era de que diuturnamente o país iria acabar; em segundo lugar, para quem não teve essa vivência, mesmo a atual situação complexa do Brasil (com uma situação fiscal grave a ser encaminhada) parece absolutamente tranquila e de fácil lida perto do que pudemos observar naquela época.

Lucas Adriano

The “São Paulo Mystery”: The role of the criminal organization PCC in reducing the homicide in 2000s – Marcelo Justus, Daniel Ricardo de Castro Cerqueira, Tulio Kahn e Gustavo Carvalho Moreira

Bem incerto são determinados efeitos acarretados em toda sociedade, supostamente atribuídos a certos grupos.

Assim, o artigo aborda o aparente “mistério” que permeia o sucesso na redução da taxa de homicídios no estado de São Paulo, a partir dos anos 2000. Como possível fator determinante para essa redução, foi analisada a atuação do PCC, organização criminosa que se fortaleceu justamente nesse período, de diminuição no número de homicídios em São Paulo.

Será que o crescimento do PCC, teria de alguma forma monopolizado o crime, impondo um maior regramento nas ações criminosas? Ou terá havido algum acordo implícito entre a organização e as forças de segurança do estado? Questões como essas são levantadas no artigo, que faz relações acerca da possibilidade de um grupo à margem da lei, ter a abrangência e a organização suficientes para poder impactar o estado mais rico do Brasil.

Mesmo com todo o poder e sofisticação operacional do PCC, este não teria sido responsável direto pela redução dos homicídios em São Paulo. Apesar de ter sido constatado pelo trabalho, que a atuação da organização teria ligação dentre outras coisas, com a diminuição de certos crimes, como o de abuso sexual, dentro das penitenciárias paulistas.

O artigo é extremamente interessante, seja devido a robustez dos métodos econométricos que são empregados, como pela seriedade e pelo extremo conhecimento técnico de seus autores, acerca do tema criminalidade. Fora que, a proxy utilizada, a atuação de uma organização criminosa como fator relacionado com a redução da taxa de homicídios, raramente é discutida, de maneira séria e embasada pelo menos.

Rachel de Sá

O Inverno do Mundo, Kenn Follett

Em relação a incertezas, poder se dedicar ao estudo de um grande livro, também é uma delas.

Mas promessa é dívida, e nesse caso felizmente. Como prometido ao final de 2017, dediquei grande parte de meu 2018 imersa nas 910 páginas do segundo livro da trilogia do filósofo e escritor Britânico, Kenn Follett.

Seguindo a segunda geração de famílias distintas, mas entrelaçadas pelo emaranhado histórico europeu de meados do século XX, o livro se inicia na Segunda Guerra Mundial e avança às negociações da Liga das Nações e novelas diplomáticas daquilo que será a base da economia e política globais que antecedem o longo período da Guerra Fria. A riqueza de detalhes históricos continua a impressionar o leitor, construindo personagens que vão de jovens alemães frustrados com as mentiras de uma Guerra que já perdeu o sentido, à cabos do exército norte-americano em Pearl Harbor e marinheiros da histórica batalha de Midway, e ingênuos pesquisadores russos na construção do que viria a ser a bomba atômica.

Ao terminar o livro, a única dúvida que fica é: a Guerra Fria será tão interessante assim para meu 2019?

Arthur Lula Mota

Autoregressive Neural Network Processes – Sebastian Dietz (2010)

Diferente dos meus colegas do Terraço, vou optar por indicar uma leitura técnica: uma tese de doutorado. Esse trabalho é bastante interessante por apresentar novas metodologias para trabalhar com séries de tempo e fazer projeções. Sebastian, ao longo das 194 paginas nos introduz ao mundo das redes neurais e como estabelecer relações com os modelos clássicos autorregressivos, colapsando nos modelos conhecidos como AR-NN (Autoregressive Neural Newtork).

Esses modelos podem apresentam performance melhor do que os tradicionais ARIMA por trabalhar com maior desempenho em situações de processos não lineares, saindo daquele mundo bem-comportado que estudantes de econometria (por exemplo) são inseridos no início de sua formação. Outro ponto positivo dessa tese é nos acostumar ainda mais com aplicações de redes neurais e suas funções chamadas de neurônios, um ferramental que tem crescido nos últimos anos, acompanhando o potencial computacional e a facilidade de aprendizagem.

A elegante apresentação de modelos univariados e multivariados nos abre novos caminhos para estudar fenômenos interessantes, sobretudo na economia, com modelos que envolvem cointegração (os NN-VEC), combinando relações lineares de longo prazo e ajuste não lineares. Por fim, encerra com aplicação dessas metodologias para a predição de algumas variáveis que envolvem a indústria automobilística alemã e sua relação com a demanda no mercado americano, e a taxa de câmbio USD/EUR – sobretudo avaliando o período da crise mundial.

Em suma, é um livro técnico para aqueles que desejam trabalhar com projeções, por exemplo, e gostam de conhecer novas metodologias.

Pedro Lula Mota

Os Mercadores da Noite – Ivan Sant’anna

O céu vai anoitecendo, e já vamos rumo a última indicação de livro.

Ivan Sant’anna é uma daquelas figuras únicas do mercado financeiro brasileiro. Formado em mercado de capitais pela New York University, foi operador de mercado durante 40 longo anos, tanto na Bolsa do Rio, Nova Iorque como Chicago, além sócio de um banco. Foram anos de navegação nos revoltosos mares dos mercado, enfrentados os mais variados tipos de situações: como crises, especulações, quebra de países, mudança de regimes, mercado em alta, ganhando e perdendo muito dinheiro, isso em uma época onde a tecnologia e digitalização ainda eram muito incipientes.

Pois bem, Ivan decide então mudar de carreira e se dedicar a um antigo sonho, o de ser escritor.  Se tornou autor de diversos livros desde os anos 90, sendo o Os Mercadores da Noite um de seus maiores clássicos. O livro é um ficção, uma novela do mercado financeiro em forma de thriller eletrizante, ao melhor estilo frenético das mesas de operações. A história versa sobre os mercadores da noite, operadores que estudavam os mercados na calada da noite de domingo, planejando suas megaoperações, analisando variáveis econômicas como moedas, grãos, juros, ações e etc.

O livro conta a história de dois grandes especuladores dos mercados globais, Julius Clarence, megaespeculador de Wall Street, e seu rival, Clive Maugh, administrador de grandes fortunas do Banco Centro Europeu de Lausanne, o temível Sindicato. O conflito entre esses gigantes dá origem a um colapso do mercado financeiro mundial.

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Última atualização por Gustavo Kahil - 30/12/2018 - 0:10

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