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O que a parceria com Oncoclínicas e Fleury representa para a Porto e por que o negócio ainda levanta dúvidas no mercado

31 mar 2026, 7:05 - atualizado em 30 mar 2026, 16:03
oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

O setor de oncologia pode ganhar em breve um novo e poderoso operador. Fleury (FLRY3), Porto Seguro (PSSA3) e Oncoclínicas (ONCO3) estão em negociação para criar uma empresa que reuniria os ativos clínicos ligados ao tratamento do câncer hoje sob o guarda-chuva da Oncoclínicas.

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O início das tratativas foi anunciado pela Porto e a Oncoclínicas no último dia 15, com a entrada do Fleury na jogada no dia 23. Caso seja concretizado o negócio, a “NewCo” anunciada poderá redesenhar o posicionamento das três companhias num setor em expansão e em acelerada consolidação.

Os analistas têm dúvidas sobre como se daria a migração de contratos da Oncoclínicas com as operadoras de saúde e ainda há muita incertezas sobre o valor implícito do negócio. Ou seja, não está claro o quanto a operação está assumindo que a empresa vale. Além disso, também há pouca previsibilidade em relação à geração de caixa dentro da nova estrutura.

“Apesar do potencial estratégico, a operação ainda está em fase preliminar e depende de uma série de condições, incluindo auditoria, aprovação de órgãos reguladores e assinatura de contratos definitivos. Até o momento, não há obrigação formal de conclusão do negócio, o que mantém o cenário aberto”, avalia o analista de investimentos na VG Research, Milton Rabelo.

A Oncoclínicas vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business. Recentemente, inclusive, a companhia anunciou que está em discussões com seus credores financeiros.

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O que o JPMorgan achou das negociações

Em relatório, o JPMorgan afirmou que vê o negócio como bom para a Porto, estrategicamente interessante para o Fleury, mas ainda repleto de incógnitas para a Oncoclínicas.

O banco afirma ver o negócio como uma reestruturação de balanço da ONCO3. A entrada de dois sócios estratégicos melhora a visibilidade operacional, mas o banco alerta que o valor residual para o acionista dependeria de quais passivos ficariam na NewCo e quais permaneceriam na holding. Essas informações ainda não foram definidas.

Para o Fleury, o banco enxerga o movimento como coerente dentro de sua estratégia de expansão em oncologia, gerando um salto de escala relevante. Porém, o comprometimento de capital é considerado relativamente alto.

Como contrapartida do negócio, Fleury e Porto teriam de realizar um aporte conjunto de R$ 500 milhões por meio de uma holding, que assumiria o controle da nova empresa, com remuneração atrelada a 110% do CDI e prazo de até 48 meses. Dessa forma, a Oncoclínicas transferiria para a nova companhia suas operações clínicas e parte relevante de seu passivo, podendo atingir R$ 2,5 bilhões.

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O JP Morgan avalia que os R$ 500 milhões de aporte equivalem a 6% do market cap do Fleury ou 20% do seu caixa no 4T25.

Para a Porto, o banco tem uma leitura de que a estratégica faz sentido, pois reforça um parceiro no ecossistema de saúde, fomenta concorrência e busca retorno financeiro. A leitura é de que a entrada do Fleury como parceiro operacional reduz o risco de execução e dá intensidade de capital em relação a uma estrutura independente.

Por outro lado, o banco nota que houve poucas menções a eventuais mudanças na joint venture já existente entre a Porto e a Oncoclínicas, na qual a seguradora detém 40% de participação econômica.

A visão do Itaú BBA

Na avaliação do Itaú BBA, o racional industrial da operação é claro: o Fleury avança em um segmento mais complexo, de crescimento estrutural e com potencial de melhorar sua posição dentro da cadeia de saúde. Ainda assim, a falta de definições sobre os termos finais impede uma leitura mais entusiasmada no curto prazo.

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“À primeira vista, a transação parece estrategicamente consistente com a ambição da Fleury de expandir sua presença em segmentos de maior complexidade e crescimento mais acelerado, como oncologia”, diz o time do Itaú BBA, liderado por Vinicius Figueiredo.

Para o BBA, porém, o principal ponto de atenção está na execução. O banco pondera que a conclusão da diligência e o alinhamento entre as partes ainda serão determinantes para a viabilidade do negócio. Em outras palavras, a tese estratégica existe, mas o desenho final ainda precisa mostrar que para em pé.

“A execução das negociações provavelmente será um fator-chave a monitorar, já que ainda há várias frentes em aberto e o sucesso da operação depende do alinhamento entre os envolvidos”, diz o Itaú BBA.

O banco também chama atenção para um risco operacional importante. A migração das clínicas oncológicas para uma nova companhia pode exigir novos credenciamentos com operadoras de saúde e até colocar em xeque contratos de exclusividade hoje mantidos pela Oncoclínicas.

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“Esse processo pode ser desafiador em um ambiente mais duro para o setor de saúde, especialmente se houver necessidade de renegociar credenciamentos e acordos já existentes”, diz o Itaú BBA.

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