Inteligência Artificial

O que diz o relatório que abalou as bolsas: a visão da desconhecida Citrini Research sobre o futuro da IA

24 fev 2026, 9:59 - atualizado em 24 fev 2026, 9:59
Imagem ilustrativa do impacto da IA nos empregos
Imagem ilustrativa do impacto da IA nos empregos (foto: iStock)

Um relatório recente de uma casa de análise pouco conhecida, a Citrini Research, procovou estrago nos mercados globais ao trazer uma análise inquietante sobre o futuro da inteligência artificial (IA) e seus efeitos na economia.

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No relatório, a Citrini alerta que o avanço da inteligência artificial pode transformar radicalmente o mercado de trabalho, o consumo e o sistema financeiro, com desdobramentos que já se refletem nas bolsas de valores.

Com o título “A Crise de Inteligência Global de 2028”, o documento não é uma previsão convencional, mas um exercício de simulação escrito do ponto de vista do futuro, detalhando como o otimismo desenfreado com a inteligência artificial pode, paradoxalmente, desencadear um colapso econômico sistêmico.

O chamado “AI scare trade” levou o S&P 500, principal índice da bolsa de Nova York, a cair mais de 1% no pregão desta segunda-feira (23).

O Money Times traz a seguir os principais pontos do extenso material da Citrini:

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O paradoxo do “PIB Fantasma”

O relatório descreve um período inicial de euforia entre 2025 e 2026, onde o S&P 500 poderia atingir níveis recordes até outubro. Ao mesmo tempo, as demissões entre trabalhadores com maiores salários foram celebradas como “expansão de margem”.

A Citrini argumenta, no entanto, que essa produtividade gerada por máquinas pode se tratar, na verdade, do que chamam de PIB Fantasma (Ghost GDP). Ou seja, uma riqueza que aparece nas contas nacionais, mas não circula na economia real.

“De todas as formas, a IA estava superando as expectativas, e o mercado era a IA. O único problema… a economia não era”, escreveu a Citrini, na visão do “analista do futuro”.

A análise aponta que, enquanto as empresas economizavam em custos trabalhistas, a velocidade do dinheiro despencou porque “máquinas não gastam dinheiro em bens de consumo”.

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Inteligência artificial e o fim do intermediário

Um dos pontos mais contundentes da Citrini Research é a destruição da camada de intermediação da economia. Setores que dependem da inércia humana ou da complexidade — como corretores de imóveis, consultoria financeira e até aplicativos de entrega —perderão a vantagem competitiva quando agentes de IA começarem a tomar decisões de compra 24 horas por dia, otimizando cada centavo.

Essa mudança não deve poupar nem o setor de pagamentos, com agentes de IA ignorando taxas de cartão de crédito em favor de stablecoins. Não por acaso, ações de empresas como Visa e Mastercard fecharam em forte queda nas bolsas ontem.

Do setor de software ao risco sistêmico

A crise da inteligência artificial, que começou no setor de software (SaaS), rapidamente deve se tornar sistêmica, de acordo com o texto da Citrini.

A ameaça hoje real é que os modelos por licença das empresas de software colapsem à medida que os clientes reduzam equipes. Mas essa seria apenas a ponta do iceberg, de acordo com a empresa de research.

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“As empresas incumbentes não resistiram [à tecnologia] porque não podiam se dar ao luxo de fazê-lo”. Elas cortaram pessoal para investir em IA, alimentando uma espiral negativa onde o desemprego de alta renda deve corroer a base de consumo.

A grande dúvida: uma nova crise imobiliária nos EUA?

Talvez a parte mais alarmante do relatório seja a análise do mercado imobiliário norte-americano, de US$ 13 trilhões. Diferente de 2008, quando a crise ocorreu no chamado “subprime”, em 2028 a crise pode atingir tomadores de empréstimos com scores de crédito excelentes. No cenário da Citrini, eles simplesmente perderam seus altos salários para a automação.

“Temos agora que fazer uma pergunta que parecia absurda apenas três anos atrás: as hipotecas prime são seguras?”

A análise sugere que o sistema financeiro, otimizado para um mundo de mentes humanas escassas, está tendo dificuldade para precificar um mundo onde a inteligência de máquina tornou-se abundante e barata.

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O impacto da inteligência artificial é real

Embora o cenário seja um exercício hipotético, o recado da Citrini Research para os investidores de hoje é claro: a produtividade da IA é real, mas o mecanismo de circulação dessa riqueza para o consumo humano está quebrado.

“Como investidores, ainda temos tempo para avaliar quanto de nossos portfólios é construído com base em suposições que não sobreviverão. Como sociedade, ainda temos tempo para sermos proativos.” Você pode ler a íntegra do estudo (em inglês) aqui.

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Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista
Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

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