Guerra

O que é e como funciona o ‘Relógio do Juízo Final’ — e por que, segundo ele, o fim está cada vez mais próximo

28 jan 2026, 14:35 - atualizado em 28 jan 2026, 14:35
Relógio do Juízo Final foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o menor intervalo já registrado desde a criação do indicador simbólico. Relógio do Juízo Final - Imagem gerada por IA

O Relógio do Juízo Final — conhecido como Doomsday Clock — é um indicador simbólico criado para mostrar o quão perto a humanidade está de uma catástrofe global com potencial de extinção.

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Na terça-feira (27), o ponteiro foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o menor intervalo já registrado desde a criação do relógio. Segundo esse indicador, o mundo como o conhecemos nunca esteve tão próximo do fim.

A meia-noite representa o colapso da civilização humana. Quanto mais perto desse marco, maiores os riscos globais provocados pelas próprias ações do homem.

Quem decide o horário

A responsabilidade pelo relógio é do Bulletin of the Atomic Scientists, um grupo científico que reúne especialistas em segurança, clima e tecnologia.

Todos os anos, o conselho analisa o cenário internacional e decide se o ponteiro avança, recua ou permanece parado.

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Em 2023, o relógio havia sido ajustado para 89 segundos antes da meia-noite. À época, a guerra entra Rússia e Ucrânia completava um ano e Vladimir Putin colocava em xeque sua participação no último grande tratado de controle de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia, conhecido como New Start, que previa o mútuo monitoramento do arsenal nuclear dos países.

Desde então, segundo o grupo, entendimentos globais “conquistados com muito esforço” começaram a ruir, enfraquecendo a cooperação internacional necessária para conter riscos existenciais.

Relógio do Juízo Final - Reprodução
Relógio do Juízo Final – Reprodução

Quais ameaças entram na conta

Ao anunciar o novo ajuste, os cientistas citaram uma combinação de fatores que empurram o mundo para mais perto do limite:

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  • Risco de guerra nuclear, em meio à escalada de tensões entre potências;
  • Mudanças climáticas, com eventos extremos cada vez mais frequentes
  • Uso potencialmente indevido da biotecnologia;
  • Avanço acelerado da inteligência artificial sem controles adequados.

O grupo demonstrou preocupação com conflitos envolvendo países com armas nucleares, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, o confronto entre Índia e Paquistão em maio e as incertezas sobre a capacidade do Irã de desenvolver armamentos nucleares após ataques dos Estados Unidos e de Israel no ano passado.

Por que a cooperação importa

Para o conselho científico do Boletim, a fragmentação do mundo em uma lógica de “nós contra eles” aumenta o risco coletivo. “Se o mundo se fragmentar em uma abordagem de soma zero, cresce a probabilidade de todos perdermos”, afirmou Daniel Holz, presidente do conselho científico e de segurança do grupo, à agência de notícias Associated Press.

Para além da geopolítica, o aquecimento global também teve seu papel na decisão.

O Boletim destacou secas, ondas de calor e inundações cada vez mais intensas, além do fracasso das nações em adotar acordos eficazes para conter o avanço das emissões. Também foram mencionadas políticas que favorecem combustíveis fósseis em detrimento de energias renováveis.

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O relógio alerta, não prevê

Criado em 1947, o relógio não faz uma contagem literal do tempo. No fim da Guerra Fria, por exemplo, ele marcava 17 minutos para a meia-noite.

Nos últimos anos, diante de mudanças globais rápidas, os cientistas passaram a medir a distância em segundos, para refletir com mais precisão o grau de urgência.

Segundo o Boletim, o ponteiro até pode recuar — desde que líderes e países retomem a cooperação internacional e enfrentem de forma conjunta os riscos que ameaçam a própria sobrevivência humana.

Neste início de 2026, segundo o relógio, a humanidade está simbolicamente a apenas um minuto e 25 segundos do fim.

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