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O que é um IPO? Entenda como funciona a estreia de uma empresa na Bolsa

03/05/2021 - 16:27

É impossível acessar qualquer página, noticiário ou blog de economia e não encontrar a sigla IPO. Vinda do inglês, ela significa Oferta Pública Inicial (Initial Public Offering), e é um dos eventos mais importantes para os investidores.

Neste guia, vamos explicar o que é um IPO, como ele funciona, e o porquê dos investidores olharem tão de perto para esses momentos. Assim, você vai poder tirar todas as suas dúvidas, e saber se a participação é indicada para você ou não. Confira:

O que é um IPO?

Uma Initial Public Offering— Oferta Pública Inicial— é um processo no qual uma empresa abre seu capital pela primeira vez, recebendo sócios por meio de uma oferta de ações no mercado. Isso abre a possibilidade de qualquer pessoa investir nela, tornando-se acionista. Ela se transforma em uma companhia de capital aberto, e seus papéis serão negociados no pregão da B3- a Bolsa de Valores.

Vale dizer que uma empresa de capital aberto é aquela que, de acordo com a legislação brasileira, pode ter seus valores mobiliários— ações, títulos de créditos representativos de empréstimo e notas promissórias— negociadas de forma pública.

Algumas empresas brasileiras que fizeram IPOs e hoje são de capital aberto que podem ser citadas são a Petrobras (PETR3 ou PETR4), a Vale (VALE3), o Itaú (ITUB4 ou ITUB3) e o Bradesco (BBBC4 ou BBDC3) (confira a lista de Ofertas Públicas atualizadas aqui). No Brasil, as ofertas públicas iniciais são muito grandes, podendo atingir centenas de milhões de reais. Por essa razão, as empresas que realizaram IPOs geralmente são aquelas que já tem uma maturidade avançada em seus negócios.

Apesar disso, já existem algumas iniciativas que têm a intenção de fomentar o acesso a capital de empresas médias, permitindo com que elas façam um caminho de abertura gradual.

Como funciona um IPO? Confira o passo a passo

Fazer um IPO pode demorar até 3 anos e pode custar mais de R$2 milhões em taxas e despesas. Ele não acontece de uma hora para a outra, então, separamos as principais etapas do processo:

Planejamento

Primeiro, é necessário montar uma equipe de IPO, com uma pessoa responsável por ser gerente do projeto. A equipe consiste em banqueiros de investimento, advogados, contadores e especialistas da CVM no Brasil.

Equipe formada, está na hora de juntar as informações financeiras requeridas. O planejamento e preparação da empresa geralmente é a etapa mais longa do processo. 

São definidas todas as características da operação: o volume de recursos que serão captados, a composição das ações que serão oferecidas ao mercado, a valoração da companhia. Algumas empresas também buscam uma nova gestão e um novo conselho de administração para conduzir a nova empresa pública.

A legislação também exige que a empresa apresente três anos de balanços auditados. Se a companhia já tinha por hábito submeter seus resultados ao exame minucioso por uma empresa externa e independente, essa etapa fica mais fácil. Caso não, pode ser necessário esperar esse período inteiro para ter os números certos em mãos.

Roadshow

Depois de montada a estrutura, está na hora da divulgação. Roadshow é o nome das reuniões de apresentação da empresa e a da oferta para o mercado. Realizados pelas instituições financeiras que assessoram a operação, esses encontros contam com analistas, potenciais investidores e corretoras.

Os principais executivos—incluindo o presidente da empresa—geralmente participam do roadshow. É um processo que dura algumas semanas e conta com várias reuniões diárias, podendo acontecer dentro ou fora do país.

Essas reuniões servem para despertar interesse na empresa e em suas ações, e os executivos respondem todas as dúvidas que o público possa ter para deixá-los mais interessados e confortáveis de investir em suas ações.

Registro, Listagem e Prospecto

Essa é a parte mais burocrática de um IPO. Primeiro, é necessário solicitar o registro de companhia aberta junto à CVM. As empresas também solicitam autorização para realizar uma venda de suas ações ao público e sua listagem na B3, a bolsa brasileira. 

Nesse processo, a companhia pode escolher em qual segmento querem ser listadas na Bolsa. São cinco: Nível 1, Nível 2, Novo Mercado, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2, e em cada um as informações, estruturas, tipo e quantidade de ações vendidas são diferentes.

O prospecto tem centenas de páginas, e é o documento mais importante do IPO. Ele precisa seguir uma formatação pré-determinada, e traz informações tanto sobre a empresa quanto sobre a oferta em si. Aparecem no documento, por exemplo: planos da companhia, dados sobre a situação do mercado em que atua, riscos do negócio, seu quadro administrativo, etc.

Reserva e Bookbuilding

Enquanto os grandes investidores já demonstraram interesse em investir na companhia por meio dos roadshows, esse é o momento para os investidores não-institucionais realizarem suas reservas. É necessário enviar, dentro do prazo de alguns dias, quantas ações da nova empresa gostariam de adquirir.

O bookbuilding é um mecanismo que considera a quantidade e o valor que os investidores institucionais querem adquirir. Isso acontece para que a empresa possa fixar um preço que condiz com as expectativas dos investidores.

Depois desse longo processo, finalmente a companhia pode fazer sua estreia na Bolsa de Valores.

Tipos de IPOs

Existem dois tipos de Ofertas Públicas Iniciais: a Oferta Primária ou Secundária. 

Oferta Primária

De acordo com a B3, a Oferta Primária é aquela que acontece quando é realizada a emissão de novas ações/cotas de fundos de investimento que serão ofertadas ao mercado, com ingresso de recursos no próprio emissor da oferta. Na distribuição primária, a empresa emite e vende novas ações ao mercado. Nesse caso, o vendedor é a própria companhia, então os recursos obtidos são canalizados para a própria empresa.

Oferta Secundária

A Oferta Secundária, por sua vez, acontece quando são ofertadas ações e cotas de fundos de investimento já existentes, de modo que os recursos não serão aportados na empresa ou fundo, mas serão direcionados aos acionistas vendedores.

Quais empresas podem realizar uma Oferta Pública Inicial?

Existe uma série de regras para uma empresa poder realizar um IPO. A principal delas é que ela precisa estar juridicamente constituída como uma S/A (Sociedade Anônima), onde seu capital é dividido em ações.

Ainda é necessário emitir relatórios relacionados ao financeiro da empresa, aspectos fiscais e da própria estrutura societária.

Por que as empresas fazem IPOS?

Ter acesso a um bom capital é um dos principais motivos pelos quais as empresas realizam IPOs. Para ser acionista da empresa, torna-se necessário comprar os papéis na Bolsa, o que traz um caixa significativo para a companhia. Às vezes, é justamente isso que ela precisa para expandir, internacionalizar, comprar outras empresas e até pagar dívidas.

Outra vantagem é a liquidez que é dada aos sócios e acionistas. Isso significa que é dada a possibilidade de vender esses papéis a outros investidores no mercado, recebendo dinheiro em troca. Sem ter a empresa listada na Bolsa, a sua venda se transforma em um processo longo e demorado.

Por fim, sua imagem. Ao se transformar em uma empresa de capital aberto, a empresa precisa elevar drasticamente o nível de transparência sobre suas operações e resultados. Isso para que os acionistas e potenciais investidores possam ter acesso a todas as informações da empresa, antes de decidir se investirão nela ou não.

Esse processo acaba dando mais credibilidade à companhia, dado que os resultados estão muito mais acessíveis, e também traz reconhecimento público, pois a mídia e os investidores passam a acompanhá-la mais de perto.

Como investir em IPOs?

Primeiro, é necessário abrir uma conta em uma corretora. Elas fazem a intermediação entre você e a B3, e também são responsáveis pela distribuição das ações vendidas durante os IPOs. Se você está pensando em investir em alguma oferta específica, preste atenção em quais corretoras oferecerão o serviço.

Depois, fique de olho! Os sites da CVM, B3 e até das próprias corretoras divulgam empresas que estão realizando IPOs. Não tome nenhuma decisão precipitada: leia os documentos, estude a companhia, analise o momento financeiro, tanto no geral quanto para o seu bolso. É importante saber cada detalhe para não se arrepender depois.

Quando decidir qual IPO quer investir, basta fazer um pedido de reserva, aquele que foi explicado anteriormente. Você precisa indicar o volume de ações que pretende investir e quanto pretende pagar por elas. Encaminhe o pedido, junto a outros documentos necessários, e espere as próximas etapas. Alguns casos, é necessário fazer um depósito prévio para garantir a participação.

Por fim, quando a hora chegar, é necessário que você transfira para sua conta o valor que será informado assim que o processo de bookbuilding acabar. Agora é só acompanhar as negociações no pregão da B3, como você faria com qualquer outra ação.

Quais as vantagens e desvantagens de investir em um IPO?

Vantagens de investir em um IPO

A primeira e mais óbvia vantagem é a valorização. No dia da oferta, é possível que as ações aumentem rapidamente de preço, e você consegue lucrar significativamente ao vendê-las. Um IPO de sucesso pode gerar cada vez mais valor aos seus acionistas, com suas ações aumentando conforme o tempo.

Os dividendos também são uma vantagem muito importante. As empresas, ao fazerem um IPO, prometem pagar 25% dos seus lucros em forma de proventos (mas há companhias que pagam valores maiores, dependendo da política de dividendos adotada).

Além disso, um IPO é uma nova oportunidade. O mercado de investimentos no Brasil ainda é pequeno quando comparado a outros mercados lá fora. Isso dá poucas alternativas para o capital render: por isso, um IPO pode ser uma nova oportunidade para o investidor.

Desvantagens de investir em um IPO

Apesar do IPO ser bastante atrativo para os investidores, existem alguns pontos negativos. O primeiro é o momento do IPO. Muitas empresas escolhem realizar a oferta em tempos de bull market— quando o mercado está em queda e tem expectativa de cair ainda mais.

A ideia é que, nesses momentos, os investidores tendem a aceitar qualquer oferta com mais facilidade. Então, é comum que algumas ações já saiam caras desde o primeiro dia.

Claro, existem alguns IPOs que são negócios pouco vantajosos. Nem todas as empresas fazem um IPO para evoluir, crescer e prosperar: algumas só o fazem para se financiar. É necessário ler o prospecto da empresa, saber o que ela deseja fazer com o dinheiro captado, antes de tomar qualquer decisão de investimento. 

Você poderá fugir das empresas que não pretendem fazer bom uso e trazer bons resultados aos seus acionistas dessa maneira.

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Última atualização por Sofia Kercher - 08/06/2021 - 17:56

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