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O que esperar do resultado da Petrobras (PETR4): Analistas veem dividendos menores e pressão do Brent

05 mar 2026, 7:00 - atualizado em 04 mar 2026, 15:54
Imagem: Edição CanvaPro

As ações da Petrobras (PETR4) entram no radar do mercado nesta quinta-feira (5), já que a companhia divulga os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) após o fechamento do mercado. A expectativa entre analistas é de um trimestre mais fraco na comparação com o anterior, com recuo do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e dos dividendos.

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As projeções do mercado apontam para Ebitda entre US$ 10,5 bilhões e US$ 11,5 bilhões, com estimativa central próxima de US$ 11 bilhões, abaixo do observado no terceiro trimestre, quando o indicador ficou perto de US$ 11,7 bilhões.

Para o Santander, o Ebitda ajustado deve atingir cerca de US$ 11,2 bilhões, queda de aproximadamente 5% em relação ao trimestre anterior. “O trimestre deve mostrar resultados sequencialmente mais fracos, com Ebitda menor e dividendos reduzidos”, afirma a equipe, liderada por Yuri Pereira. “Mesmo com desempenho operacional sólido, esperamos aumento da alavancagem devido ao pagamento de dividendos acima da geração de caixa.”

Entre os fatores que pesam sobre o resultado está o comportamento do petróleo. No período, o Brent recuou cerca de 7%, para níveis próximos de US$ 63 por barril, o que tende a pressionar os números da área de exploração e produção (E&P).

Operação forte, mas preços não tanto

Do lado operacional, porém, a produção seguiu elevada. A Petrobras encerrou o quarto trimestre com produção média de 3,081 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), avanço de 18,6% na comparação anual. No acumulado do ano, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, crescimento de 11,1% frente a 2024.

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Na comparação com o terceiro trimestre, entretanto, houve queda de 1,1% na produção, refletindo paradas de manutenção e fatores operacionais típicos do período.

A estatal atribui o avanço anual principalmente ao aumento da capacidade de plataformas como Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, além da melhora da eficiência operacional, sobretudo em unidades da Bacia de Santos.

Na avaliação da XP Investimentos, os dados operacionais divulgados foram marginalmente positivos. A leve queda na produção já era esperada e estava incorporada nas estimativas para o trimestre.

Apesar dos volumes praticamente neutros, a casa também destaca que o relatório operacional pode trazer um viés positivo para os resultados. Isso porque os dados de vendas indicaram uma desestocagem relevante, de cerca de 178 mil barris por dia, o que tende a sustentar a geração de receita no período.

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“O relatório adiciona um potencial positivo ao resultado do trimestre, já que as vendas implicaram uma redução significativa dos estoques”, afirmou a equipe da XP.

No segmento de refino, transporte e comercialização (RTM), as vendas de combustíveis somaram 1,771 milhão de barris por dia, ligeiramente abaixo do terceiro trimestre por fatores sazonais, mas dentro do esperado pelos analistas.

Dividendos da Petrobras no radar

Com parte da questão operacional enderaçada, a atenção de investidores fica muito para a distribuição de dividendos. O consenso vinha trabalhando com valores próximos de US$ 1,7 bilhão, mas parte do mercado acredita que o montante pode ser menor.

O Goldman Sachs projeta cerca de US$ 1,3 bilhão em dividendos ordinários, equivalente a um rendimento próximo de 1% no trimestre, considerando a política da companhia de distribuir 45% do fluxo de caixa livre.

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Segundo o banco, a distribuição deve ser impactada por eventos pontuais, como o pagamento de US$ 1,3 bilhão relacionado ao leilão do pré-sal realizado no fim do ano passado e US$ 285 milhões ligados ao campo de Jubarte.

O Itaú BBA também vê pressão na geração de caixa e estima Ebitda de cerca de US$ 10,6 bilhões no trimestre. Nesse cenário, o banco projeta dividendos próximos de US$ 1,0 bilhão, com rendimento de cerca de 1,1%.

O BTG Pactual endossa, por fim, a visão de que a combinação entre queda do Brent, aceleração do capex e desembolsos extraordinários deve limitar a distribuição de proventos.

Segundo o banco, o Ebitda pode ficar próximo de US$ 11,25 bilhões, queda de cerca de 5% na comparação trimestral, enquanto os dividendos devem ficar perto de US$ 1,2 bilhão, abaixo das expectativas iniciais do mercado.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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