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O que esperar para o S&P 500 em 2026?

26 jan 2026, 10:04 - atualizado em 26 jan 2026, 10:21
wall street Nasdaq S&P 500 Dow Jones EUA Estados Unidos
(Imagem: 400tmax/Getty Images Signature)

Iniciamos o ano no mercado norte-americano com o S&P 500 negociando a 22x lucros em 2026, um dos patamares mais elevados da história do índice, e entrando no quarto ano do ciclo de investimentos em inteligência artificial, que teve início com o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022.

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A pergunta que todo investidor deveria se fazer é: ainda há espaço para o S&P 500 performar mais? A resposta simples é: sim. Basta olhar para a história dos ciclos de alta (bull markets) do índice e para o cenário macroeconômico atual.

Qual a duração dos ciclos de alta (bull markets) nos EUA?

Ao analisarmos o período pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tivemos 12 ciclos de alta do S&P 500. O mais longo durou 12 anos, no final da década de 1980, e o mais curto ocorreu na década de 1960, com apenas dois anos de duração.

Ainda assim, a duração média desses ciclos é de 5,5 anos. Ou seja: apenas com base em dados históricos, ainda existe espaço para a continuidade do movimento, já que estamos entrando no quarto ano do ciclo.

A economia dos EUA segue sólida e reforça o otimismo com o S&P 500

Ao analisarmos os dados mais recentes da economia dos EUA, fica claro por que o mercado continua com viés construtivo para o S&P 500: a atividade econômica segue forte.

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O PIB do terceiro trimestre foi revisado para cima e agora mostra crescimento de +4,4% (trimestre sobre trimestre anualizado), com melhora principalmente em exportações e estoques — um sinal de que a economia ainda está aquecida.

Do lado do consumidor, o viés também é positivo. Mesmo com a taxa de poupança caindo para 3,5% em novembro (de 4% em setembro), o que vemos é um consumidor gastando mais e sustentando a economia — e isso tem muito a ver com o efeito renda: ativos financeiros em níveis elevados impulsionam o ritmo de consumo.

Já o mercado de trabalho parece estar mais “estagnado” do que fraco (no fire, no hire). Não é mais aquele ritmo acelerado de contratações de 2022/23, mas também não mostra sinais claros de recessão.

Ao analisarmos os pedidos iniciais de seguro-desemprego mais recentes, os dados vieram abaixo das expectativas do mercado na semana encerrada em 17 de janeiro. Em outras palavras, o mercado de trabalho desacelera, e isso é exatamente o tipo de cenário que costuma sustentar o otimismo com renda variável, devido à menor pressão inflacionária de salários.

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Suporte em 3 pilares: monetário, fiscal e financeiro

Além dos dados históricos de performance, não podemos ignorar o cenário construtivo para ativos de risco.

Na política monetária, o mercado precifica dois cortes adicionais de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) em 2026, com a taxa básica terminando o ano entre 3% e 2,25%.

Na política fiscal, destacamos os incentivos tributários do OBBBA (One Big Beautiful Bill Act), como depreciação acelerada para empresas e reembolsos de crédito para consumidores, que devem manter o consumo resiliente, além da desregulamentação financeira, com a redução da exigência de capital regulatório dos bancos — o que deve liberar crédito no sistema financeiro global.

Ciclo de investimentos em IA

Os hyperscalers são os grandes investidores globais no atual ciclo de investimentos em inteligência artificial: companhias com escala, balanços robustos e capacidade de investir dezenas de bilhões de dólares por ano para expandir data centers, redes e capacidade computacional.

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Nesse contexto, o investimento agregado dessas empresas atingiu US$ 237 bilhões em 2024 e, segundo o consenso de mercado, deve avançar para US$ 398 bilhões em 2025 (+68% na comparação anual), US$ 539 bilhões em 2026 (+36% na comparação anual) e US$ 629 bilhões em 2027 (+17% na comparação anual). É um ritmo impressionante.

Esses números incluem os investimentos de Amazon, Meta, Alphabet/Google, Microsoft e Oracle e, na prática, o mercado tem subestimado sistematicamente essa trajetória: nos últimos anos, as companhias revisaram planos de capex para cima de forma recorrente, reforçando a leitura de que a corrida por capacidade computacional segue forte — e que o ciclo de investimentos em IA ainda deve perdurar.

O S&P 500 entrega crescimento de lucros consistente?

Estamos em um período particular, no qual múltiplos de valuation tendem a permanecer elevados por precificarem um cenário construtivo à frente. E, claro, não podemos esquecer do forte crescimento de lucros esperado pelo consenso de mercado para o S&P 500 em 2026, próximo de 14% ao ano.

Só esse fator já deveria sustentar uma maior alocação em renda variável nos EUA, especialmente quando comparamos com as menores taxas de crescimento de lucros nos mercados desenvolvidos (Europa e Japão) e o maior nível de incerteza nos mercados emergentes.

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Mares calmos não fazem bons marinheiros

Existem riscos no horizonte? Sim. O aumento da incerteza geopolítica global, com a invasão da Venezuela pelos EUA e a possibilidade de aquisição da Groenlândia pelos EUA, deve ser monitorado pelos investidores.

Ainda assim, a verdade é que o mercado mantém o movimento de alta iniciado desde o lançamento do ChatGPT, independentemente do cenário geopolítico global (como a invasão da Rússia à Ucrânia), porque duas constantes desse período permanecem no S&P 500: a capacidade de inovação e de geração de lucros das suas empresas.

Em síntese, embora o S&P 500 entre em 2026 com valuations elevados, a combinação entre um ciclo de alta ainda em andamento, a solidez da economia americana, o suporte monetário e fiscal e a força do ciclo de investimentos em inteligência artificial sustenta uma visão construtiva para o índice. O crescimento esperado de lucros e a capacidade de inovação das empresas do S&P 500 tendem a compensar os riscos no horizonte e manter o mercado bem posicionado para seguir avançando.

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Analista de Ações Internacionais no BTG Pactual
Profissional com mais de 10 anos de experiência em Equity Research, Finanças Corporativas e Relações com Investidores, com trajetória em instituições de referência como BTG Pactual, Eleven Financial Research, Necton e EY. Atualmente atua como analista de Ações Internacionais no BTG Pactual, com foco em empresas globais e temas estruturais de tecnologia e IA. Certificado FMVA (CFI), CNPI (Apimec) e aprovado no CFA Level II.
Profissional com mais de 10 anos de experiência em Equity Research, Finanças Corporativas e Relações com Investidores, com trajetória em instituições de referência como BTG Pactual, Eleven Financial Research, Necton e EY. Atualmente atua como analista de Ações Internacionais no BTG Pactual, com foco em empresas globais e temas estruturais de tecnologia e IA. Certificado FMVA (CFI), CNPI (Apimec) e aprovado no CFA Level II.
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