O recado do CEO do Santander (SANB11) sobre o caso Master
Como não poderia ser diferente, o caso Master — que extrapolou a quebra de um banco médio e se transformou em uma crise institucional — foi tema da conferência de resultados do Santander (SANB11) com jornalistas.
Em coletiva realizada nesta quinta-feira, o CEO do banco, Mario Leão, foi taxativo ao afirmar que o Brasil não pode aceitar que ‘um novo Banco Master volte a acontecer’.
A liquidação da instituição, decretada em novembro do ano passado, revelou um rombo de R$ 47 bilhões — cerca de um terço da liquidez do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), instrumento criado para preservar a estabilidade do sistema financeiro em casos de quebra de bancos.
Para recompor esse montante, os bancos terão de colocar a mão no bolso, o que abre espaço para que parte desse custo seja repassada aos consumidores, por meio de tarifas e spreads mais elevados. A grande questão agora é como essa recomposição será feita.
‘Não podemos antecipar nada do que está sendo discutido com o regulador e com o FGC. Esse diálogo é bastante frequente entre os grandes bancos, o FGC e o regulador. Estamos debatendo. Os bancos não são os únicos atores, mas participam ativamente dessas discussões. A expectativa é que algo seja definido nas próximas semanas ou meses’, afirmou o executivo.
Até desta quinta-feira, 29, já havia pago R$ 32,5 bilhões em garantias aos credores do Master. O volume representa 80% do montante a ser pago.
Em comunicado, o FGC afirmou ainda que 580 mil investidores já foram reembolsados, de um total de cerca de 800 mil. Segundo o fundo, cerca de 20 mil pedidos estão na etapa de processamento e aguardam ação do credor.
O FGC pede que os usuários mantenham as notificações do aplicativo para que sejam alertados caso surjam necessidades de atualização no processo.
O FGC ainda não deu início ao processo de reembolso dos investidores do Will Bank, que fazia parte do Master, mas teve a liquidação judicial imposta apenas na semana passada.
A estimativa é de que, neste caso, serão mobilizados R$ 6,3 bilhões em garantias. Os pagamentos só começam após o liquidante entregar ao FGC a base de credores.