O samba de Lula e o preço do dólar
Quando a política chega ao Carnaval — festa inadiável, capaz de parar o brasileiro em qualquer circunstância — é sinal de que a coisa ficou séria. Nos últimos dias, não se falou em outra coisa senão no desfile da Acadêmicos de Niterói, a escola que homenageou o presidente Lula na avenida.
Homenagear políticos não é inédito: Getúlio Vargas, JK, Miguel Arraes, Mário Covas e Brizola já foram retratados na passarela. A diferença está no timing: nunca um presidente havia sido retratado durante o mandato, e menos ainda em ano de eleição.
Daí surgiu a polêmica. Com motivos. Que talvez passassem em brancas nuvens em um Brasil de 2012. Mas no Brasil pós-2013, tudo é política — para o bem e para o mal.
Na quarta-feira, a escola foi rebaixada à Série Ouro, o segundo escalão das escolas do Rio, e os opositores de Lula comemoraram, atribuindo a queda ao enredo ufanista. Mas não é bem isso.
Quem assistiu ao desfile percebeu diferenças claras: a Niterói não tinha a mesma estrutura nem a produção de suas concorrentes e cometeu uma meia-dúzia de outros deslizes na avenida. Além disso, não é de hoje que o Rio rebaixa, no ano seguinte, as escolas recém-promovidas ao Grupo Especial.
No fim, a questão que me fazia um professor de economia quando eu levava perguntas que ele considerava irrelevantes na sala de aula era: “Mas, meu querido, o que isso muda no preço do dólar?”. A resposta era sempre a mesma: nada.