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Oncoclínicas (ONCO3): Conselho desfeito, pressão financeira e duas propostas na mesa; o que está em jogo na companhia?

08 abr 2026, 7:26 - atualizado em 08 abr 2026, 7:17
oncoclínicas
Oncoclinicas, empresas com ações na Bolsa (Divulgação)

A Oncoclínicas (ONCO3) voltou aos holofotes do noticiário corporativo após uma espécie de efeito dominó desfazer todo o atual conselho de administração da companhia.

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O então presidente do conselho, Marcelo Gasparino, renunciou ao cargo de membro do colegiado. Devido à sua eleição ter ocorrido por voto múltiplo, a renúncia dele exige uma reformulação de todo o conselho.

Isso ocorre porque o mecanismo de voto múltiplo prevê que cada acionista receba um número de votos proporcional às suas ações multiplicado pelo número de vagas no conselho. A partir disso, acionistas minoritários conseguem eleger representantes.

No entanto, quando o mecanismo é utilizado, o corpo de membros eleito é visto como um bloco único eleito dentro da proporcionalidade do voto múltiplo. A lei ligada ao mecanismo prevê a possibilidade de destituição geral quando há uma renúncia.

Neste cenário, a companhia irá deliberar a eleição de novos membros do conselho em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 30 de abril.

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Em reação à notícia, divulgada ao mercado na terça-feira (6), as ações chegaram a uma alta superior a 14%, cotada a R$ 1,64.



O especialista em investimentos do grupo Axia Investing, Felipe Sant’Anna, destaca que os alarmes da Oncoclínicas estão soando quando se trata de caixa, com a empresa postergando tratamentos devido à falta de dinheiro e previsibilidade.

[As mudanças do conselho] eram uma imposição dos fundos e possíveis financiadores que podem aliviar o caixa de curto prazo e manter a empresa rodando. […] A movimentação do mercado é um suspiro em meio à uma situação delicada”.

Olhando em um cenário mais amplo, Sant’Anna chama atenção para o desempenho negativo da companhia nos últimos anos, pontuando que, apesar do movimento positivo à notícia, trata-se de uma ação cotada na casa de R$ 1.

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“Por isso, qualquer oscilação mínima já vai mostrar nominalmente um valor que chama atenção. Não é um bom humor do mercado”, pondera.

Em meio à necessidade de reformular o conselho. Há duas possíveis chapas no momento. Uma das delas é indicada pela Mak Capital, detentora de 6,305% do capital votante da companhia:

  • Mateus Affonso Bandeira;
  • Ademar Vidal Neto;
  • Marcos Grodetzky;
  • Raul Rosenthal Ladeira de Matos.

Já a chapa da administração da Oncoclínicas conta com os nomes de:

  • Bruno Lemos Ferrari;
  • Carlos Gil Moreira Ferreira;
  • Eduardo Soares do Couto Filho;
  • Marcel Cecchi Vieira;
  • Marcelo Curti;
  • Marcos Grodetzky; e
  • Raul Rosenthal Ladeira de Matos.

Os problemas na Oncoclínicas

A Oncoclínicas está há algum tempo no radar devido aos problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal-sucedida. Em meio à investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

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Nascida há 15 anos em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.

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Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

De acordo com fontes ouvidas pelo Valor Econômico, existe preocupação sobre atrasos nos tratamentos, com cerca de 3 mil pacientes enfrentando adiamento de procedimento em cerca de uma semana. Em casos mais graves, há transferência para hospitais parceiros, que sofrem com a limitação para o recebimento de mais pacientes.

Conforme a apuração, esse cenário decorre de dificuldades para bancar a compra de medicamentos.

No último balanço divulgado pela companhia, referente ao terceiro trimestre de 2025, a dívida ultrapassava os R$ 4 bilhões. O balanço referente ao quarto trimestre de 2025 estava inicialmente previsto para o dia 30 de março, mas houve adiamento para 9 de abril.

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A empresa chegou a comunicar ao mercado que estaria em conversa com seus credores. Além disso, convocou assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda, que será apurada no balanço referente ao ano de 2025.

Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda pode ser utilizado em contratos de dívida como uma forma de segurança sobre a estrutura da empresa.

Dessa maneira, a Oncoclínicas busca uma autorização prévia para não cumprir o limite do indicador, caso seja ultrapassado nos resultados de 2025, sinalizando que a alavancagem pode ter aumentado e há pressão financeira de curto prazo.

As propostas na mesa

Em meio aos problemas que enfrenta, a Oncoclínicas conta com duas propostas na mesa que podem dar um fôlego para a companhia.

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Recentemente, houve o anúncio ao mercado de que o acionista MAK Capital Fund LP está interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões na companhia. Na visão do JP Morgan, a proposta evidencia ainda mais a necessidade de capital de curto prazo da companhia.

A proposta, no entanto, não é a única na mesa, uma vez que a Oncoclínicas e a Porto (PSSA3) já haviam firmado um term sheet (termo de natureza preliminar e não vinculante) para negociar uma potencial constituição de uma nova empresa (NewCo).

O Fleury (FLRY3) também entrou na jogada, tendo aderido ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas.

No caso da MAK Capital, o aporte estaria condicionado à convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre cinco tópicos.

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O primeiro é a informação e discussão sobre a situação econômico-financeira da Oncoclínicas, incluindo, sem limitação, as medidas adotadas ou em curso para repactuação de vencimentos e proteção da operação.

Somado a isso, o acionista pediu a destituição dos membros do conselho de administração, a fixação do número de membros para compor o conselho durante o mandato em curso e a eleição dos membros do conselho de administração e aprovação da qualificação dos membros independentes.

Vale destacar que a destituição dos membros do conselho de administração já ocorreu, sendo um dos passos requeridos já cumpridos.

Por fim, o aporte da MAK Capital Fund LP estaria condicionado à indicação do presidente e vice-presidente do conselho de administração.

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No caso do termo envolvendo o Fleury e a Porto, a Oncoclínicas aportaria para a nova empresa os ativos e operações que detém relacionadas às clínicas oncológicas, bem como endividamentos e passivos no valor total de, no máximo, R$ 2,5 bilhões.

Já Fleury e Porto investiriam, em conjunto, R$ 500 milhões na nova companhia por meio de uma holding, da qual seriam os únicos acionistas, e por meio da qual passariam a deter o controle da empresa.

Essa nova empresa emitiria debêntures voluntariamente conversíveis em ações ordinárias de sua emissão (debêntures conversíveis), que seriam subscritas pela holding, pela Porto ou pelo Fleury, observado que a Oncoclínicas teria o direito de também subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do volume total.

Por fim, as debêntures conversíveis teriam o valor total de R$ 500 milhões, com vencimento em 48 meses do seu desembolso e remuneração equivalente a 110% do CDI, sendo que a conversão poderia ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão, ou se verificado um evento de liquidez da NewCo.

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Durante participação em evento do Bradesco BBI realizado na terça-feira (6), a CEO do Fleury, Jeane Tsutsui, recordou que a companhia nasceu como um laboratório de análises clínicas e vem ampliando o leque de possibilidades.

Quando se olha para a tendência de aumento de expectativa de vida, que caminha para 80 anos, a executiva chama a atenção para o crescimento e relevância da especialidade oncológica, na qual o Fleury está de olho.

“Oncoclínicas tem esse posicionamento ambulatorial e muito voltado para diagnóstico precoce e tratamento [oncológico]. Portanto, olhando hoje para o nosso posicionamento como Grupo Fleury, tendo uma estrutura de capital sólida, olhamos [para a Oncoclínicas] como uma eventual oportunidade”, disse.

No entanto, Tsutsui destaca que a companhia não abre mão da disciplina econômico-financeira e leva em consideração a potencial integração em M&As (fusões e aquisições) para capturar as sinergias de uma potencial operação.

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Ela enfatiza que a companhia está alinhada ao propósito de olhar para o futuro e buscar oportunidades adequadas, a partir de avaliações cuidadosas.

Neste sentido, vale destacar que os termos entre Porto, Fleury e Oncoclínicas ainda são não vinculantes. Ou seja, nada está fechado até o momento.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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