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Oncoclínicas (ONCO3) convoca debenturistas para deliberar sobre reestruturação da dívida e mantém recuperação extrajudicial no radar

15 jun 2026, 9:51 - atualizado em 15 jun 2026, 9:51
Oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado a convocação de assembleias gerais de debenturistas da 9ª e da 11ª emissão para o dia 06 de julho, segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira (15).

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As assembleias devem deliberar sobre os termos e condições da reestruturação da dívida que a Oncoclínicas enfrenta, incluindo a alteração da data de vencimento, da remuneração, das datas de pagamento da remuneração, das datas de amortização, dos eventos de inadimplemento e de determinadas obrigações no âmbito das debêntures.

As debêntures em questão são simples, não conversíveis e quirografárias — ou seja, sem garantia real e sem conversão em ações —, o que coloca os detentores na fila geral de credores. Alterações aprovadas podem alongar prazos e ajustar pagamentos, reduzindo o fluxo de caixa esperado pelos debenturistas no curto prazo.

Além disso, serão discutidos os meios de implementação dessas alterações, que poderão incluir a aprovação e a adesão a um eventual plano de recuperação extrajudicial.

“As assembleias inserem-se no contexto da reestruturação do endividamento da companhia e das tratativas em curso com seus principais credores, refletindo as medidas adotadas pela companhia para o aprimoramento de sua estrutura de capital e para a preservação de suas atividades e operações”, diz a Oncoclínicas.

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Na prática, a companhia, que reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões referente no 1T26, mais do que triplicando o prejuízo de R$ 131,9 milhões registrado no mesmo período do ano passado, busca alternativas para lidar com o financeiro e mantém aberta a porta para uma eventual recuperação extrajudicial.

Diferentemente da recuperação judicial (RJ), a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores, sem a necessidade de seguir todo o processo judicial típico da RJ.

Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.

Os problemas na Oncoclínicas

A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal sucedida. Em meio a investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

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Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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